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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387539
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANSA
Ano
2026
Cargo
PNM ( )

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 60% do total de mortes relatadas no mundo e 46% da carga global de doenças foram atribuídos às doenças crônicas não transmissíveis em 2001. Projeções da OMS para 2020 apontavam que essas doenças responderiam por 58% da carga global de doenças no mundo. Peritos em dieta, nutrição e prevenção de doenças crônicas reconhecem que, embora mais pesquisas sejam ainda necessárias para elucidar alguns mecanismos da relação entre componentes da dieta e desenvolvimento dessas doenças, a atual evidência científica disponível oferece forte comprovação do papel da dieta na prevenção e no controle da morbidade atribuída às doenças crônicas não transmissíveis. Comportamentos alimentares podem não somente influenciar o estado de saúde presente, como também determinar se mais tarde em sua vida o indivíduo irá desenvolver ou não alguma doença como câncer, doenças cardiovasculares e diabetes.


O consumo insuficiente de frutas, legumes e verduras está entre os dez principais fatores de risco para a carga total global de doença em todo o mundo. Esses alimentos são importantes na composição de uma dieta saudável, pois são fontes de micronutrientes, fibras e de outros componentes com propriedades funcionais. Ademais, frutas e hortaliças têm baixa densidade energética, isto é, poucas calorias em relação ao volume do alimento consumido, o que favorece a manutenção saudável do peso corporal.


Um estudo sobre a distribuição e a evolução da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil entre os anos de 1974 e 2003 verificou que frutas e hortaliças correspondiam a apenas 2,3% das calorias totais da dieta, ou seja, a aproximadamente um terço do recomendado pela OMS. Constatou-se, ainda, que, atualmente, menos da metade dos indivíduos no Brasil consome frutas diariamente e menos de um terço da população relata o consumo diário de hortaliças.


No campo das políticas de alimentação e nutrição, a promoção do consumo de frutas, legumes e verduras ocupa posição de destaque entre as diretrizes de promoção de alimentação saudável. A Estratégia Global sobre Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde, elaborada pela OMS, recomenda o aumento do consumo de frutas, legumes e verduras entre as recomendações para prevenção de doenças crônicas. No cenário nacional, o Ministério da Saúde do Brasil recomenda o consumo diário de três porções de frutas e três porções de legumes e verduras em seu Guia Alimentar, enfatizando a importância de variar o consumo desses alimentos nas refeições ao longo da semana.


Para orientar e encorajar a implementação de políticas públicas para o aumento da frequência de consumo de frutas, legumes e verduras, é preciso conhecer não somente a frequência de consumo da população, mas também os fatores associados ao seu consumo.


Internet: <https://www.scielo.br> (com adaptações).

Texto CB2A1

 

Com base nas ideias do texto CB2A1, julgue o item que se segue.

 

Conclui-se da leitura do texto que o principal fator de risco para a carga total global de doença é o consumo insuficiente de alimentos que tenham poucas calorias em relação ao volume do alimento consumido.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conclusão sobre o principal fator de risco para a carga global de doença

Gabarito: Errado (E). A afirmativa está incorreta porque o texto não afirma que o consumo insuficiente de alimentos de baixa densidade energética seja o principal fator de risco para a carga global de doença; ele apenas o coloca entre os dez principais fatores de risco. A alternativa extrapola o alcance do texto ao transformar "entre os dez principais" em "o principal".

O comando pede uma inferência ("Conclui-se da leitura do texto"), ou seja, uma dedução ancorada em pistas do próprio texto. No entanto, a conclusão proposta vai além do que o texto autoriza. Vejamos a passagem que sustenta essa análise:

"O consumo insuficiente de frutas, legumes e verduras está entre os dez principais fatores de risco para a carga total global de doença em todo o mundo."

O trecho é claro: o consumo insuficiente desses alimentos é um dos dez principais fatores, não o principal. A alternativa comete o erro clássico de generalização indevida (ou extrapolação), elevando uma informação relativa ("entre os dez") a uma posição absoluta ("o principal").

Além disso, a afirmativa ainda restringe o conceito: ela define o fator de risco como "alimentos que tenham poucas calorias em relação ao volume do alimento consumido", ou seja, alimentos de baixa densidade energética. O texto, porém, fala especificamente de "frutas, legumes e verduras", que são exemplos desses alimentos, mas a relação não é automática — o texto não diz que todo alimento de baixa densidade energética é um fator de risco, nem que o consumo insuficiente deles seja o principal fator.

A técnica para resolver esta questão é simples: desconfie de superlativos e quantificadores absolutos ("principal", "o maior", "sempre", "nunca", "apenas"). Quando o texto usa uma expressão relativa ("entre os dez"), a alternativa que a transforma em absoluta está, por definição, extrapolando.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmativa está errada por dois motivos, ambos ancorados no texto:

  1. Extrapolação do grau de importância: o texto diz que o consumo insuficiente de frutas, legumes e verduras está "entre os dez principais fatores de risco", não que seja o principal. A alternativa eleva indevidamente a posição.

  1. Restrição indevida do conceito: o texto fala de "frutas, legumes e verduras"; a alternativa os define como "alimentos que tenham poucas calorias em relação ao volume do alimento consumido" (baixa densidade energética). Embora o texto mencione que esses alimentos têm baixa densidade energética, ele não diz que todo alimento de baixa densidade energética seja um fator de risco, nem que o consumo insuficiente deles seja o principal fator.

NÃO CAIA NESSA!

Ao julgar itens de "conclui-se", pergunte-se: a conclusão é obrigatória a partir do texto, ou exige acrescentar algo que ele não diz? Se a alternativa usa "principal", "único", "sempre", confira se o texto usa "entre", "um dos", "às vezes". A troca de um quantificador relativo por um absoluto é a pegadinha mais comum da CESPE.

Gabarito: Errado (E).

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