Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387560
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
AGU
Ano
2026
Cargo
Est ( )
Segundo dados do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), há no Brasil atualmente 119 crianças com idade inferior a 2 anos vivendo em unidades prisionais, em razão de suas genitoras estarem em situação de priváção de liberdade. Essas crianças acabam, de certo modo, cumprindo pena, sem terem culpa alguma, em conjunto com a mãe. Isso porque vivem uma rotina semelhante à das detentas, distantes do convívio em sociedade e das oportunidades para um desenvolvimento saudável. Kátia Abreu e Fernanda Feresin. A infância encarcerada. Internet: <www.gov.br/agu> (com adaptações). No excerto precedente, da afirmação de que “Essas crianças acabam, de certo modo, cumprindo pena, sem terem culpa alguma, em conjunto com a mãe” infere-se que
Aas penas aplicáveis a mulheres que são mães devem ser reduzidas, para diminuir o tempo de encarceramento dos filhos.
Bo desenvolvimento de crianças que crescem encarceradas é prejudicado como fruto de uma violência simbólica.
Co tempo de encarceramento cumprido por essas crianças deveria ser contabilizado de forma individualizada.
Das crianças que crescem encarceradas com suas mães sofrem injustamente as consequências de atos cometidos por estas.
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GabaritoD — as crianças que crescem encarceradas com suas mães sofrem injustamente as consequências de atos cometidos por estas.
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Inferência a partir da afirmação sobre crianças encarceradas
Gabarito: letra D. A afirmação de que as crianças “acabam, de certo modo, cumprindo pena, sem terem culpa alguma, em conjunto com a mãe” permite inferir que elas sofrem injustamente as consequências de atos cometidos pelas mães. O texto diz que elas estão presas por causa da situação das genitoras, e que isso é injusto (“sem terem culpa alguma”). A alternativa D é a única que capta essa relação de causa e consequência sem acrescentar nada de fora.
O comando pede uma inferência (“infere-se que”), ou seja, uma conclusão que o texto autoriza, mas não afirma literalmente. Não se trata de repetir o que está escrito, nem de inventar uma solução. A inferência legítima se apoia em pistas do próprio texto — aqui, a pista é a expressão “sem terem culpa alguma”, que pressupõe que a criança não cometeu crime, e a ideia de que ela está presa por causa da mãe.
O texto apresenta um fato (crianças vivendo em unidades prisionais com as mães) e uma avaliação: elas “cumprem pena” sem culpa, vivendo uma rotina de detentas, longe do convívio social e de um desenvolvimento saudável. A tese implícita é a injustiça dessa situação. A alternativa D traduz exatamente isso: as crianças sofrem as consequências (a prisão) de atos que não cometeram (os das mães).
A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando “o texto autoriza isto?”. Se a alternativa propõe uma solução (reduzir pena, contabilizar tempo) ou um conceito externo (violência simbólica), ela extrapola — acrescenta informação que não está no texto. A correta é a única que se limita a explicitar a consequência injusta já pressuposta.
PEGA ESSA DICA!
Grife o comando: “infere-se” pede inferência com pista, não o que está escrito. A pista aqui é “sem terem culpa alguma” — ela autoriza a conclusão de injustiça.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa propõe uma solução prática — reduzir penas de mães para diminuir o encarceramento dos filhos. O texto não faz essa recomendação; ele apenas descreve a situação e a avalia como injusta. Isso é extrapolação: acrescenta uma medida que o autor não defendeu.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa introduz o conceito de “violência simbólica”, que não aparece no texto. O texto fala em “rotina semelhante à das detentas” e “distantes do convívio em sociedade”, mas não classifica isso como violência simbólica. É troca de conceito: usa um termo sociológico externo para rotular algo que o texto não nomeia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa sugere que o tempo de encarceramento das crianças deveria ser contabilizado de forma individualizada. Essa é uma proposta de política pública que o texto não menciona. O texto apenas constata a situação; não propõe soluções. É extrapolação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa é uma paráfrase inferencial da afirmação: as crianças “cumprem pena” (sofrem as consequências) “sem terem culpa alguma” (injustamente) “em conjunto com a mãe” (por causa dos atos delas). O texto autoriza essa conclusão ao dizer que elas estão presas porque as mães estão em situação de privação de liberdade, e que isso é injusto. Nenhuma outra alternativa se limita a essa relação de causa e consequência.
Conclusão: a banca adora extrapolar com soluções ou conceitos externos. A correta é a que não acrescenta nada — apenas explicita o que o texto já pressupõe. Gabarito: letra D.