Questão de Português — Questões Mescladas sobre Pronomes — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Questões Mescladas sobre Pronomes
Código
ce387562
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
AGU
Ano
2026
Cargo
Est ( )
(...) o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de decisão do eminente ministro Gilmar Mendes, ao analisar o HC n.º 250.929, determinou ao Conselho Nacional de Justiça a realização de mutirões carcerários para garantir o cumprimento de decisão que assegurou a substituição da prisão preventiva por domiciliar para mães de crianças com menos de 12 anos de idade em todo o país. (...) Kátia Abreu e Fernanda Feresin. A infância encarcerada. Internet: <www.gov.br/agu> (com adaptações). Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do fragmento de texto apresentado, assinale a opção correta.
AMantendo-se a coerência do texto, a forma verbal “garantir” poderia ser substituída por garantirmos, caso em que se estabeleceria concordância ideológica com a expressão “mutirões”.
BSeriam preservados os sentidos e a coerência textual caso o vocábulo “eminente” fosse substituído por iminente.
CNo fragmento em questão, o vocábulo “domiciliar” pertence à classe dos substantivos.
DO termo “que”, em “decisão que assegurou a substituição da prisão preventiva por domiciliar”, pertence à classe dos pronomes.
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GabaritoD — O termo “que”, em “decisão que assegurou a substituição da prisão preventiva por domiciliar”, pertence à classe dos pronomes.
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Análise morfossintática do "que" e concordância verbal
Gabarito: letra D. O termo "que", em "decisão que assegurou a substituição da prisão preventiva por domiciliar", é pronome relativo, pois retoma o substantivo "decisão" e exerce função sintática (sujeito) na oração seguinte. As demais alternativas falham: a letra A propõe uma concordância inexistente, a B troca um parônimo por outro com sentido diverso, e a C classifica "domiciliar" como substantivo quando, no contexto, é adjetivo.
O comando
A questão pede a opção correta quanto às "ideias e aos aspectos linguísticos" do fragmento. Isso significa que cada alternativa deve ser testada contra o texto e contra a norma gramatical. Não se trata de interpretação de sentido amplo, mas de análise morfossintática e de concordância — o foco está na classe das palavras e nas relações sintáticas.
O texto e o ponto decisivo
O trecho narra uma decisão do STF que determinou ao CNJ a realização de mutirões carcerários. A oração "que assegurou a substituição da prisão preventiva por domiciliar" é uma oração subordinada adjetiva restritiva: o "que" retoma "decisão" e introduz uma característica que a especifica. Veja o trecho:
"decisão que assegurou a substituição da prisão preventiva por domiciliar"
O "que" não é uma simples conjunção: ele substitui o termo "decisão" e, na oração adjetiva, exerce a função de sujeito do verbo "assegurou". Essa é a prova de que se trata de pronome relativo.
A técnica que decide
Para identificar um pronome relativo, faça o teste: troque o "que" pelo termo anterior e veja se a oração continua fazendo sentido. Aqui: "a decisão assegurou a substituição..." — funciona. Se fosse conjunção integrante (como em "disse que viria"), a troca não seria possível. Esse teste é infalível.
"Que" em "decisão que assegurou"
1Pronome relativo
Retoma "decisão"
Exerce função sintática (sujeito)
Teste: substituir pelo antecedente
2Não é conjunção integrante
Não pode ser trocado por "isso"
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A forma "garantir" está no infinitivo impessoal, sem sujeito explícito, mas o contexto indica que quem garante é o STF (sujeito oculto). A proposta de trocar por "garantirmos" (1ª pessoa do plural) estabeleceria concordância com "nós", que não é o sujeito lógico. O texto diz:
"determinou ao Conselho Nacional de Justiça a realização de mutirões carcerários para garantir o cumprimento de decisão"
Quem garante? O STF, por meio da decisão. "Garantirmos" exigiria que o sujeito fosse "nós" (STF + outros), o que não está no texto. Além disso, a alternativa afirma que a concordância seria com "mutirões" — o que é um erro: o verbo não concorda com o objeto, mas com o sujeito. Erro: contradiz a estrutura sintática e propõe concordância com termo que não é sujeito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Eminente" e "iminente" são parônimos (palavras parecidas, sentidos diferentes). "Eminente" significa elevado, ilustre — é o sentido usado no texto: "eminente ministro Gilmar Mendes". "Iminente" significa prestes a ocorrer, próximo. A troca alteraria completamente o sentido, pois o ministro não está "prestes a ocorrer". Erro: troca de vocábulo que inverte o sentido (parônimo).
Alternativa C — ❌ Incorreta
No trecho "substituição da prisão preventiva por domiciliar", o vocábulo "domiciliar" está substantivado? Não. Ele funciona como adjetivo que qualifica o substantivo elíptico "prisão": "prisão domiciliar". A forma "domiciliar" é originalmente adjetivo (relativo a domicílio). No contexto, não há artigo ou outro elemento que o substantive. Erro: classificação morfológica incorreta (adjetivo, não substantivo).
Alternativa D — ✅ Correta
Como demonstrado, o "que" em "decisão que assegurou" é pronome relativo, pois retoma "decisão" e exerce função sintática (sujeito) na oração adjetiva. A prova está na possibilidade de substituição: "a decisão assegurou a substituição...". Essa é a definição clássica de pronome relativo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o "que" pronome relativo e o "que" conjunção integrante. O teste da substituição resolve: se o "que" pode ser trocado pelo termo anterior, é pronome relativo.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de classe de palavras, sempre faça o teste sintático: o pronome relativo exerce função na oração seguinte; a conjunção não. E desconfie de parônimos: "eminente" (ilustre) × "iminente" (prestes a ocorrer).