Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce388861
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INFRA S.A.
- Ano
- 2026
- Cargo
- Analista ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: ✅ CERTO. A afirmativa está correta porque a recarga efetiva de aquíferos depende não apenas do volume total de chuva, mas principalmente da intensidade, frequência e distribuição temporal dos eventos de precipitação. Quando as chuvas se tornam mais irregulares — com eventos intensos concentrados e longos períodos secos —, uma parcela maior da água escoa superficialmente em vez de infiltrar, reduzindo a recarga subterrânea mesmo que a média anual de precipitação permaneça a mesma.
A recarga de aquíferos é o processo pelo qual a água da chuva infiltra no solo, atravessa a zona não saturada e atinge o lençol freático. Esse processo é governado por um equilíbrio delicado entre a capacidade de infiltração do solo e a intensidade da chuva. Quando a chuva cai de forma gradual e bem distribuída, o solo tem tempo de absorver grande parte da água, que percola lentamente até o aquífero. Por outro lado, quando a chuva é concentrada em eventos intensos, a capacidade de infiltração do solo é rapidamente excedida — a água não consegue penetrar e passa a escoar superficialmente, alimentando rios e enchentes em vez de recarregar o aquífero.
A irregularidade das chuvas também afeta a evapotranspiração. Em períodos secos prolongados, a vegetação e o solo perdem mais água por evapotranspiração, e o solo fica mais ressecado. Quando finalmente ocorre uma chuva intensa, parte dessa água é retida na umidade do solo (deficit de umidade), e outra parte escoa rapidamente, reduzindo ainda mais a infiltração profunda. Assim, mesmo que o volume anual médio de precipitação se mantenha constante, a redistribuição temporal das chuvas altera o balanço entre infiltração e escoamento, diminuindo a recarga efetiva dos aquíferos.
A distinção entre recarga potencial e recarga efetiva é crucial: a recarga potencial é toda a água que poderia infiltrar, enquanto a recarga efetiva é a parcela que realmente atinge o aquífero. A irregularidade climática reduz a recarga efetiva porque aumenta o escoamento superficial e a evapotranspiração, diminuindo a água disponível para percolação profunda. Esse é um dos principais impactos das mudanças climáticas sobre os recursos hídricos subterrâneos, mesmo em cenários onde a precipitação média anual não se altera.
A banca explora a confusão entre volume total de chuva e recarga efetiva. O candidato pode pensar que, se a média anual de precipitação não muda, a recarga também não muda. Mas a recarga depende da distribuição temporal das chuvas: chuvas irregulares e intensas aumentam o escoamento superficial e reduzem a infiltração, diminuindo a recarga efetiva mesmo com o mesmo volume anual.
A afirmativa está correta porque descreve com precisão o efeito da irregularidade das chuvas sobre a recarga de aquíferos. A recarga efetiva depende da intensidade, frequência e distribuição temporal dos eventos de precipitação, não apenas do volume total anual. Quando as chuvas se tornam mais irregulares — com eventos intensos concentrados e longos períodos secos —, a capacidade de infiltração do solo é excedida, aumentando o escoamento superficial e reduzindo a infiltração profunda. Além disso, períodos secos prolongados aumentam a evapotranspiração e o deficit de umidade do solo, reduzindo ainda mais a água disponível para recarga. Portanto, mesmo com volume anual médio constante, a recarga efetiva diminui.
Gabarito: ✅ CERTO
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