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Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2026

BiologiaGeral
Código
ce388885
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INFRA S.A.
Ano
2026
Cargo
Analista ( )
O gerenciamento de ecossistemas aquáticos continentais envolve uma complexa rede de interações, em que a engenharia humana e os ciclos biológicos devem estar integrados. Acerca das estratégias de manejo, conservação e recuperação de ecossistemas aquáticos continentais, julgue o item a seguir.   A estocagem de peixes (peixamento) em reservatórios, embora seja uma estratégia comum de manejo pesqueiro, pode comprometer a integridade genética das populações nativas, especialmente quando os espécimes introduzidos apresentam baixa diversidade genética (efeito gargalo) ou são oriundos de bacias hidrográficas distintas, o que pode resultar em processos de depressão por exogamia e redução do potencial adaptativo da ictiofauna local.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estocagem de peixes e integridade genética de populações nativas

Gabarito: ✅ CERTO. A afirmativa está correta porque o peixamento (estocagem de peixes) em reservatórios, quando realizado com espécimes de baixa diversidade genética ou oriundos de outras bacias hidrográficas, pode de fato comprometer a integridade genética das populações nativas, gerando efeito gargalo, depressão por exogamia e redução do potencial adaptativo da ictiofauna local. Esse é um risco reconhecido na biologia da conservação e no manejo de ecossistemas aquáticos.

O peixamento é uma prática de manejo pesqueiro que consiste na introdução de peixes em corpos d'água, como reservatórios, com o objetivo de aumentar os estoques pesqueiros ou recompor populações. Embora seja comum, essa prática carrega riscos genéticos e ecológicos significativos. Quando os espécimes introduzidos vêm de uma população com baixa diversidade genética, ocorre o chamado efeito gargalo: a redução drástica do número de indivíduos que contribuem com genes para a próxima geração, o que diminui a variabilidade genética da população como um todo. Isso torna a população mais vulnerável a doenças, mudanças ambientais e reduz seu potencial adaptativo.

Além disso, quando os peixes introduzidos são oriundos de bacias hidrográficas distintas, eles podem cruzar com as populações nativas, gerando a depressão por exogamia. Esse fenômeno ocorre quando o cruzamento entre indivíduos geneticamente muito diferentes (de populações ou subespécies distintas) produz descendentes com aptidão reduzida, pois combinações gênicas adaptadas a ambientes específicos são quebradas. O resultado é a perda de adaptações locais e a redução do potencial adaptativo da ictiofauna, comprometendo a sobrevivência das espécies nativas a longo prazo.

Na prática, imagine um reservatório que abriga uma população nativa de lambaris bem adaptada às condições locais. Se um programa de peixamento introduz milhares de alevinos de outra bacia hidrográfica, com bagagem genética diferente, os cruzamentos entre os dois grupos podem gerar descendentes menos aptos, além de competirem por recursos com os nativos. Se a população introduzida tiver baixa diversidade genética (por exemplo, oriunda de poucos reprodutores em um viveiro), o efeito gargalo se soma ao problema, reduzindo ainda mais a variabilidade genética do conjunto. O resultado é uma população mais homogênea e menos resiliente.

A distinção importante aqui é entre depressão por exogamia (cruzamento entre populações muito diferentes) e endogamia (cruzamento entre indivíduos aparentados, que aumenta a homozigose e revela alelos recessivos deletérios). Ambos são riscos genéticos, mas decorrem de situações opostas: a endogamia ocorre em populações pequenas e isoladas, enquanto a exogamia ocorre quando se misturam populações geneticamente distintas. O peixamento pode causar ambos, dependendo da origem dos espécimes introduzidos.

A pegadinha que a banca explora neste tema é a aparente contradição: o peixamento é visto como uma "solução" para aumentar os estoques pesqueiros, mas pode ser justamente a causa de problemas genéticos. O candidato que não conhece os riscos genéticos da introdução de espécies pode marcar "errado" por achar que a prática é sempre benéfica. No entanto, a biologia da conservação reconhece amplamente que a introdução de espécies, mesmo com boas intenções, pode ter efeitos negativos sobre a biodiversidade nativa.

Guarde o critério decisivo: a afirmativa está correta porque descreve com precisão os mecanismos genéticos (efeito gargalo e depressão por exogamia) pelos quais o peixamento pode comprometer a integridade genética das populações nativas. É exatamente esse raciocínio que separa a resposta certa da errada.

1Efeito gargalo
Baixa diversidade genética
Reduz variabilidade
Menos resiliência
2Depressão por exogamia
Cruzamento entre bacias distintas
Quebra adaptações locais
Reduz aptidão dos descendentes
3Consequência
Compromete integridade genética
Reduz potencial adaptativo
Riscos genéticos do peixamento
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Riscos genéticos do peixamento: Efeito gargalo (Baixa diversidade genética, Reduz variabilidade, Menos resiliência); Depressão por exogamia (Cruzamento entre bacias distintas, Quebra adaptações locais, Reduz aptidão dos descendentes); Consequência (Compromete integridade genética, Reduz potencial adaptativo)

Item — ✅ CERTO

A afirmativa está correta porque descreve com precisão os riscos genéticos do peixamento. O efeito gargalo (baixa diversidade genética dos introduzidos) e a depressão por exogamia (cruzamento entre populações de bacias distintas) são mecanismos reconhecidos que reduzem o potencial adaptativo da ictiofauna local. A integridade genética das populações nativas é, de fato, comprometida por essas práticas, conforme o consenso da biologia da conservação.

Gabarito: ✅ CERTO

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