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Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2026

BiologiaGeral
Código
ce388887
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INFRA S.A.
Ano
2026
Cargo
Analista ( )
O gerenciamento de ecossistemas aquáticos continentais envolve uma complexa rede de interações, em que a engenharia humana e os ciclos biológicos devem estar integrados. Acerca das estratégias de manejo, conservação e recuperação de ecossistemas aquáticos continentais, julgue o item a seguir.   O conceito de cascata trófica pode ser aplicado ao manejo de reservatórios eutrofizados por meio da biomanipulação, que consiste na remoção de peixes carnívoros para permitir o aumento de peixes planctívoros, os quais reduzem a biomassa de fitoplâncton no reservatório.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cascata trófica e biomanipulação em reservatórios

Gabarito: ❌ ERRADO. A afirmativa está incorreta porque inverte o sentido da biomanipulação: a técnica clássica para reduzir a biomassa de fitoplâncton em reservatórios eutrofizados consiste na remoção de peixes planctívoros (que se alimentam de zooplâncton) para permitir o aumento do zooplâncton herbívoro, que por sua vez consome o fitoplâncton. O enunciado afirma exatamente o contrário ao dizer que se removem peixes carnívoros para aumentar os planctívoros — o que agravaria a eutrofização, não a reduziria.

A cascata trófica é um conceito ecológico que descreve como efeitos em um nível trófico se propagam para níveis adjacentes, muitas vezes de forma alternada (predador → presa → recurso). Em ecossistemas aquáticos, a manipulação dessa cadeia para fins de manejo é chamada de biomanipulação. A lógica é a seguinte: em um reservatório eutrofizado, o excesso de nutrientes (fósforo e nitrogênio) favorece a proliferação de fitoplâncton, causando florações de algas e turbidez. Para controlar esse problema, uma estratégia é fortalecer a cadeia que leva ao consumo do fitoplâncton.

O raciocínio correto da biomanipulação clássica é: remover os peixes planctívoros (que comem zooplâncton) → aumenta a população de zooplâncton herbívoro (como cladóceros do gênero Daphnia) → esse zooplâncton consome grandes quantidades de fitoplâncton → reduz a biomassa de algas e aumenta a transparência da água. Ou seja, a manipulação atua de cima para baixo (top-down), mas o elo que se fortalece é o zooplâncton, não os peixes planctívoros. Os peixes planctívoros são justamente o elo que suprime o zooplâncton; mantê-los em alta abundância manteria o fitoplâncton sem controle.

A alternativa inverte os papéis: afirma que a remoção de carnívoros permitiria o aumento de planctívoros, que reduziriam o fitoplâncton. Isso está errado por dois motivos: (1) os peixes planctívoros não consomem fitoplâncton de forma significativa — eles consomem zooplâncton; (2) o aumento de planctívoros reduziria o zooplâncton, liberando o fitoplâncton do controle por herbivoria, o que pioraria a eutrofização. A remoção de carnívoros, na verdade, teria o efeito oposto ao desejado: sem os carnívoros, os planctívoros proliferariam ainda mais, intensificando a pressão sobre o zooplâncton e agravando as florações de algas.

A pegadinha da banca está na inversão dos elos da cadeia. O candidato que conhece o conceito de cascata trófica, mas não domina a aplicação prática da biomanipulação, pode ser induzido a aceitar a lógica apresentada. É fundamental lembrar que a biomanipulação clássica (proposta por Shapiro e colaboradores na década de 1980) visa reduzir os peixes planctívoros (ou aumentar os piscívoros) para beneficiar o zooplâncton. Algumas variações mais recentes incluem a remoção direta de peixes bentívoros (que revolvem o sedimento e liberam nutrientes), mas a essência permanece: fortalecer o zooplâncton herbívoro.

Para fixar: a cadeia que se deseja fortalecer é fitoplâncton → zooplâncton → peixes planctívoros → peixes piscívoros. A biomanipulação atua reduzindo os planctívoros (ou aumentando os piscívoros) para que o zooplâncton prospere e controle o fitoplâncton. O enunciado inverte essa lógica ao propor o aumento dos planctívoros como solução.

  1. 1Remove peixes planctívoros
  2. 2Aumenta zooplâncton herbívoro
  3. 3Zooplâncton consome fitoplâncton
  4. 4Reduz biomassa de algas
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Item — ❌ ERRADO

A afirmativa está incorreta porque descreve a biomanipulação de forma invertida. O erro específico está na frase: "remoção de peixes carnívoros para permitir o aumento de peixes planctívoros, os quais reduzem a biomassa de fitoplâncton". Na realidade, a biomanipulação clássica para controle de eutrofização consiste em remover peixes planctívoros (ou adicionar piscívoros) para aumentar o zooplâncton herbívoro, que então reduz o fitoplâncton. Os peixes planctívoros são competidores do zooplâncton pelo fitoplâncton? Não — eles são predadores do zooplâncton. Portanto, aumentar os planctívoros reduziria o zooplâncton e aumentaria o fitoplâncton, agravando a eutrofização.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte os elos da cascata trófica: troca o papel dos peixes planctívoros (que comem zooplâncton) pelo papel do zooplâncton (que come fitoplâncton). O candidato que decora a sequência "carnívoro → planctívoro → zooplâncton → fitoplâncton" sem entender a direção do controle cai na armadilha. Lembre-se: a biomanipulação clássica remove os planctívoros para liberar o zooplâncton, que então controla as algas.

Gabarito: ❌ ERRADO.

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