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Questão de Biologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2026

BiologiaGeral
Código
ce388889
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INFRA S.A.
Ano
2026
Cargo
Analista ( )
No que concerne indicadores biológicos, julgue o item a seguir.   A abundância de cianobactérias em reservatórios de abastecimento é um bioindicador de degradação ambiental, mas que não tem relevância epidemiológica, pois essas algas não produzem toxinas prejudiciais ao ser humano.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cianobactérias como bioindicadores e sua relevância epidemiológica

Gabarito: ❌ ERRADO. A afirmativa está incorreta porque as cianobactérias, embora sejam de fato bioindicadores de degradação ambiental (eutrofização), produzem toxinas — as cianotoxinas — que representam sério risco à saúde humana, conferindo-lhes alta relevância epidemiológica. O erro está na segunda parte da assertiva: negar a produção de toxinas e, consequentemente, a importância sanitária desses organismos.

As cianobactérias são organismos procarióticos fotossintetizantes, popularmente chamadas de "algas azuis" (embora não sejam algas verdadeiras, que são eucariotas). Em reservatórios de abastecimento, sua proliferação em massa — as florações ou blooms — é um fenômeno diretamente associado à eutrofização, ou seja, ao enriquecimento da água por nutrientes como nitrogênio e fósforo, geralmente oriundos de esgoto doméstico, fertilizantes agrícolas e efluentes industriais. Por isso, a presença abundante de cianobactérias é um clássico bioindicador de degradação ambiental: indica poluição orgânica e desequilíbrio do ecossistema aquático.

O ponto central que a questão explora é a produção de toxinas. Muitas espécies de cianobactérias (como Microcystis aeruginosa, Cylindrospermopsis raciborskii, Planktothrix spp.) sintetizam cianotoxinas, que podem ser classificadas em três grandes grupos: hepatotoxinas (ex.: microcistinas, que atacam o fígado), neurotoxinas (ex.: saxitoxinas, que afetam o sistema nervoso) e dermatotoxinas (que irritam a pele). Essas toxinas podem contaminar a água de abastecimento e causar intoxicações agudas e crônicas em seres humanos e animais, incluindo danos hepáticos, neurológicos e até morte. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a legislação brasileira (Portaria de Consolidação nº 5/2017 do Ministério da Saúde, que trata da qualidade da água) estabelecem limites máximos permitidos para microcistinas na água potável, evidenciando a relevância epidemiológica e sanitária do monitoramento de cianobactérias.

Na prática, o monitoramento de cianobactérias em reservatórios é uma ferramenta de vigilância em saúde ambiental: quando a densidade de células ultrapassa certos valores, as companhias de abastecimento devem intensificar o tratamento da água e, em casos extremos, suspender a captação. Um exemplo concreto: em 2018, a cidade de Rio de Janeiro enfrentou uma crise de abastecimento devido à proliferação de cianobactérias no Sistema Guandu, que produziram a toxina saxitoxina, levando à interdição temporária do fornecimento de água para milhões de pessoas. Esse caso ilustra perfeitamente como a abundância de cianobactérias não é apenas um sinal de degradação, mas um problema de saúde pública.

A pegadinha da banca está em separar artificialmente o papel de bioindicador da relevância epidemiológica, como se fossem coisas excludentes. Na verdade, são complementares: é justamente por serem sensíveis à poluição que as cianobactérias proliferam, e é justamente por produzirem toxinas que essa proliferação tem impacto direto na saúde humana. O candidato que conhece o tema sabe que a afirmativa erra ao afirmar que "não produzem toxinas prejudiciais ao ser humano".

Guarde o critério decisivo: cianobactérias = bioindicador de eutrofização + produtoras de cianotoxinas (relevância epidemiológica). É exatamente essa dupla característica que a assertiva nega na segunda parte.

1Bioindicador de degradação
Eutrofização (N e P)
Florações (blooms)
2Produzem cianotoxinas
Hepatotoxinas (microcistinas)
Neurotoxinas (saxitoxinas)
Dermatotoxinas
3Relevância epidemiológica
Risco à saúde humana
Limites na água potável (OMS)
Vigilância em saúde ambiental
Cianobactérias
LEVELsoulevel.com.br
Cianobactérias: Bioindicador de degradação (Eutrofização (N e P), Florações (blooms)); Produzem cianotoxinas (Hepatotoxinas (microcistinas), Neurotoxinas (saxitoxinas), Dermatotoxinas); Relevância epidemiológica (Risco à saúde humana, Limites na água potável (OMS), Vigilância em saúde ambiental)

Item — ❌ ERRADO

A afirmativa contém dois erros entrelaçados:

  1. Correto na primeira parte: a abundância de cianobactérias é, sim, um bioindicador de degradação ambiental, pois sua proliferação está ligada à eutrofização.

  2. Errado na segunda parte: a assertiva afirma que "essas algas não produzem toxinas prejudiciais ao ser humano". Isso é falso — muitas cianobactérias produzem cianotoxinas (microcistinas, saxitoxinas, etc.) que são altamente prejudiciais à saúde, podendo causar hepatotoxicidade, neurotoxicidade e até morte. Essa produção de toxinas é exatamente o que confere relevância epidemiológica ao monitoramento desses organismos em águas de abastecimento.

Portanto, a negação da produção de toxinas torna a assertiva incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que bioindicação e relevância epidemiológica são excludentes. Na verdade, são complementares: a proliferação de cianobactérias indica degradação e representa risco à saúde justamente por causa das toxinas. Se a alternativa diz que "não produzem toxinas", está errada — lembre-se de Microcystis e das microcistinas!

Gabarito: ❌ ERRADO.

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