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Questão de Raciocínio Lógico — Falácias — CESPE / CEBRASPE 2026

Raciocínio LógicoFalácias
Código
ce390545
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2026
Cargo
AUFC ( )
Ao analisar um relatório de fiscalização sobre a contratação de serviços de tecnologia da informação por um órgão federal, uma equipe de auditoria de um tribunal de contas identificou que a justificativa para a adoção de determinado modelo de contratação apoiava-se em afirmações genéricas, tais como “esse modelo é o mais moderno disponível no mercado” e “todos os órgãos públicos relevantes já o utilizam”. Além disso, durante a defesa apresentada pela administração, argumentou-se que eventuais falhas no planejamento seriam irrelevantes, pois “o desempenho da solução tecnológica supera amplamente qualquer risco residual”. Diante disso, essa equipe de auditoria precisou avaliar a consistência lógica dos argumentos apresentados, identificar possíveis falácias e assegurar que a comunicação dos achados fosse clara, objetiva e tecnicamente fundamentada, de modo a garantir o cumprimento dos princípios da legalidade, legitimidade, economicidade e eficiência.   A partir da situação hipotética apresentada, julgue o item a seguir.   Ao rejeitar a relevância das falhas de planejamento sob o argumento de que „o desempenho da solução tecnológica supera amplamente qualquer risco residual‟, a administração utiliza um argumento logicamente válido, pois desloca o foco da análise para critérios de eficiência, em conformidade com o papel institucional de gestão pública.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Falácias de Relevância: Argumentum ad Populum e a Validade Lógica

Gabarito: letra E (ERRADO). O argumento da administração, ao rejeitar as falhas de planejamento sob a justificativa de que "o desempenho da solução tecnológica supera amplamente qualquer risco residual", não é logicamente válido, pois comete uma falácia de relevância (argumentum ad populum), desviando o foco da análise para um critério subjetivo e não relacionado diretamente com a premissa das falhas. A validade lógica de um argumento não depende da pertinência temática ou da eficiência, mas sim da relação estrutural entre premissas e conclusão.

O cerne da questão está na distinção entre validade lógica e relevância argumentativa. Um argumento é logicamente válido quando a conclusão decorre necessariamente das premissas, independentemente do conteúdo delas. No caso apresentado, a premissa "o desempenho da solução supera qualquer risco residual" não possui relação lógica com a conclusão de que "as falhas de planejamento são irrelevantes". A premissa fala de desempenho, enquanto a conclusão trata de falhas de planejamento — são conceitos distintos que não se conectam por uma regra de inferência. Isso configura uma falácia de relevância, onde as premissas são psicologicamente persuasivas, mas logicamente irrelevantes para sustentar a conclusão.

A falácia cometida é o argumentum ad populum (apelo popular), que consiste em tentar validar uma conclusão apelando para a aceitação popular ou para a superioridade de um atributo, em vez de apresentar evidências lógicas. No enunciado, a administração usa a alegação de que "todos os órgãos públicos relevantes já o utilizam" e que o modelo é "o mais moderno disponível no mercado" — apelos à popularidade e à modernidade, não à solidez lógica. Da mesma forma, a afirmação sobre o desempenho superior é um apelo à qualidade do produto, não uma justificativa lógica para ignorar falhas de planejamento.

Para que um argumento seja válido, a conclusão deve ser uma consequência lógica das premissas. Por exemplo, se a premissa fosse "todo modelo com desempenho superior a qualquer risco residual não possui falhas de planejamento", então a conclusão seria válida. Mas essa premissa não foi apresentada e, mesmo que fosse, seria uma generalização excessiva. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode achar que o argumento é válido porque "faz sentido" ou porque "é eficiente", mas a validade lógica é uma propriedade formal, não material.

A pegadinha central é a tentativa de justificar a validade lógica com base em critérios de eficiência e gestão pública, quando a validade é uma propriedade puramente formal. A banca quer que o candidato perceba que o argumento é uma falácia de relevância, especificamente o apelo à popularidade ou à superioridade do produto, e não um argumento logicamente válido. O deslocamento do foco para "critérios de eficiência" é justamente a característica das falácias de relevância: elas transferem a argumentação do plano lógico para o psicológico ou para valores externos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que um argumento é logicamente válido porque "faz sentido" ou porque "é eficiente". Mas a validade lógica é uma propriedade formal: a conclusão deve decorrer necessariamente das premissas. Aqui, a premissa sobre desempenho não implica a irrelevância das falhas de planejamento — é uma falácia de relevância (argumentum ad populum). O candidato que confunde "bom argumento" com "argumento válido" cai na armadilha.

Premissa (P)

Conclusão (C)

Relação Lógica (P → C)

Validade do Argumento

"O desempenho da solução supera qualquer risco residual"

"As falhas de planejamento são irrelevantes"

F (não há implicação lógica)

Inválido (falácia de relevância)

"Todos os órgãos públicos relevantes já o utilizam"

"O modelo de contratação é adequado"

F (apelo popular não implica adequação)

Inválido (argumentum ad populum)

"O modelo é o mais moderno disponível no mercado"

"O modelo deve ser adotado"

F (modernidade não implica necessidade)

Inválido (apelo à modernidade)

1Argumentum ad populum
apelo à popularidade
apelo à modernidade
2Validade lógica
conclusão decorre das premissas
independe do conteúdo
3Argumento inválido
premissa irrelevante
desvio para eficiência
Falácias de relevância
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Falácias de relevância: Argumentum ad populum (apelo à popularidade, apelo à modernidade); Validade lógica (conclusão decorre das premissas, independe do conteúdo); Argumento inválido (premissa irrelevante, desvio para eficiência)

Item — ❌ ERRADO

A afirmação de que a administração utiliza um argumento logicamente válido é incorreta. O argumento apresentado é uma falácia de relevância, especificamente o argumentum ad populum (apelo popular), pois a premissa sobre o desempenho superior da solução tecnológica é irrelevante para a conclusão sobre a irrelevância das falhas de planejamento. A validade lógica exige que a conclusão seja uma consequência necessária das premissas, o que não ocorre aqui. O deslocamento do foco para critérios de eficiência não torna o argumento válido; pelo contrário, é a própria característica das falácias de relevância, que transferem a argumentação do plano lógico para o psicológico ou para valores externos.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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