Questão de Raciocínio Lógico — Falácias — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce390545
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TCU
- Ano
- 2026
- Cargo
- AUFC ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). O argumento da administração, ao rejeitar as falhas de planejamento sob a justificativa de que "o desempenho da solução tecnológica supera amplamente qualquer risco residual", não é logicamente válido, pois comete uma falácia de relevância (argumentum ad populum), desviando o foco da análise para um critério subjetivo e não relacionado diretamente com a premissa das falhas. A validade lógica de um argumento não depende da pertinência temática ou da eficiência, mas sim da relação estrutural entre premissas e conclusão.
O cerne da questão está na distinção entre validade lógica e relevância argumentativa. Um argumento é logicamente válido quando a conclusão decorre necessariamente das premissas, independentemente do conteúdo delas. No caso apresentado, a premissa "o desempenho da solução supera qualquer risco residual" não possui relação lógica com a conclusão de que "as falhas de planejamento são irrelevantes". A premissa fala de desempenho, enquanto a conclusão trata de falhas de planejamento — são conceitos distintos que não se conectam por uma regra de inferência. Isso configura uma falácia de relevância, onde as premissas são psicologicamente persuasivas, mas logicamente irrelevantes para sustentar a conclusão.
A falácia cometida é o argumentum ad populum (apelo popular), que consiste em tentar validar uma conclusão apelando para a aceitação popular ou para a superioridade de um atributo, em vez de apresentar evidências lógicas. No enunciado, a administração usa a alegação de que "todos os órgãos públicos relevantes já o utilizam" e que o modelo é "o mais moderno disponível no mercado" — apelos à popularidade e à modernidade, não à solidez lógica. Da mesma forma, a afirmação sobre o desempenho superior é um apelo à qualidade do produto, não uma justificativa lógica para ignorar falhas de planejamento.
Para que um argumento seja válido, a conclusão deve ser uma consequência lógica das premissas. Por exemplo, se a premissa fosse "todo modelo com desempenho superior a qualquer risco residual não possui falhas de planejamento", então a conclusão seria válida. Mas essa premissa não foi apresentada e, mesmo que fosse, seria uma generalização excessiva. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode achar que o argumento é válido porque "faz sentido" ou porque "é eficiente", mas a validade lógica é uma propriedade formal, não material.
A pegadinha central é a tentativa de justificar a validade lógica com base em critérios de eficiência e gestão pública, quando a validade é uma propriedade puramente formal. A banca quer que o candidato perceba que o argumento é uma falácia de relevância, especificamente o apelo à popularidade ou à superioridade do produto, e não um argumento logicamente válido. O deslocamento do foco para "critérios de eficiência" é justamente a característica das falácias de relevância: elas transferem a argumentação do plano lógico para o psicológico ou para valores externos.
A banca tenta fazer o candidato acreditar que um argumento é logicamente válido porque "faz sentido" ou porque "é eficiente". Mas a validade lógica é uma propriedade formal: a conclusão deve decorrer necessariamente das premissas. Aqui, a premissa sobre desempenho não implica a irrelevância das falhas de planejamento — é uma falácia de relevância (argumentum ad populum). O candidato que confunde "bom argumento" com "argumento válido" cai na armadilha.
Premissa (P) | Conclusão (C) | Relação Lógica (P → C) | Validade do Argumento |
|---|---|---|---|
"O desempenho da solução supera qualquer risco residual" | "As falhas de planejamento são irrelevantes" | F (não há implicação lógica) | Inválido (falácia de relevância) |
"Todos os órgãos públicos relevantes já o utilizam" | "O modelo de contratação é adequado" | F (apelo popular não implica adequação) | Inválido (argumentum ad populum) |
"O modelo é o mais moderno disponível no mercado" | "O modelo deve ser adotado" | F (modernidade não implica necessidade) | Inválido (apelo à modernidade) |
A afirmação de que a administração utiliza um argumento logicamente válido é incorreta. O argumento apresentado é uma falácia de relevância, especificamente o argumentum ad populum (apelo popular), pois a premissa sobre o desempenho superior da solução tecnológica é irrelevante para a conclusão sobre a irrelevância das falhas de planejamento. A validade lógica exige que a conclusão seja uma consequência necessária das premissas, o que não ocorre aqui. O deslocamento do foco para critérios de eficiência não torna o argumento válido; pelo contrário, é a própria característica das falácias de relevância, que transferem a argumentação do plano lógico para o psicológico ou para valores externos.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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