Questão de Segurança da Informação — Conceitos de Criptografia (Chaves, Simetria, etc.) — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce390740
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- AgSUS
- Ano
- 2026
- Cargo
- AProj ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
❌ ERRADO. A criptografia simétrica (como o AES) não é tecnicamente superior à assimétrica em todos os cenários: cada uma tem vantagens e desvantagens, e a escolha depende do contexto. Além disso, a simétrica não dispensa a infraestrutura de chaves públicas — ela enfrenta justamente o problema da distribuição segura da chave, que é resolvido pela criptografia assimétrica (ou por outros mecanismos). A afirmação contém dois erros: a generalização "em todos os cenários" e a falsa premissa de que a simétrica dispensa a troca segura de chaves.
A criptografia simétrica usa uma única chave tanto para cifrar quanto para decifrar. Isso a torna rápida e eficiente, ideal para grandes volumes de dados (como criptografia de disco, bancos de dados e streaming). Porém, essa mesma característica cria o problema da distribuição de chaves: como enviar a chave secreta ao destinatário sem que um atacante a intercepte? Em uma rede aberta (como a internet), essa troca precisa ser protegida — e é exatamente aí que entra a criptografia assimétrica, que usa um par de chaves (pública e privada) e permite a troca segura de chaves simétricas sem a necessidade de um canal previamente seguro.
A criptografia assimétrica, por sua vez, é lenta e computacionalmente pesada, não sendo adequada para cifrar grandes volumes de dados diretamente. Por isso, na prática, os sistemas usam criptografia híbrida: a assimétrica protege a troca da chave simétrica, e a simétrica cifra os dados em si. É o que ocorre, por exemplo, no TLS/SSL, que protege conexões HTTPS.
A afirmação do item também ignora que a criptografia assimétrica oferece funcionalidades que a simétrica não oferece sozinha, como assinatura digital e não repúdio — garantias essenciais em muitos cenários. A simétrica, sozinha, garante apenas confidencialidade (e, com modos de operação adequados, integridade), mas não autentica a origem de forma não repudiável, pois ambas as partes compartilham a mesma chave.
Portanto, a escolha entre simétrica e assimétrica depende do cenário: para cifrar grandes volumes de dados, a simétrica é superior; para troca segura de chaves, autenticação e assinatura digital, a assimétrica é indispensável. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que sabe que a simétrica é mais rápida pode achar que ela é "superior em todos os cenários", esquecendo o problema da distribuição de chaves e as funcionalidades exclusivas da assimétrica.
A banca tenta fazer o candidato acreditar que a simétrica é superior "em todos os cenários" porque é mais rápida, e que dispensa a infraestrutura de chaves públicas. Na verdade, a simétrica precisa de um mecanismo seguro para compartilhar a chave — e é a assimétrica que resolve esse problema. Além disso, a assimétrica oferece assinatura digital e não repúdio, que a simétrica não oferece sozinha. Fique atento: "em todos os cenários" é um sinal clássico de generalização indevida.
Critério | Criptografia Simétrica (ex.: AES) | Criptografia Assimétrica |
|---|---|---|
Chaves | Uma única chave para cifrar e decifrar | Par de chaves (pública e privada) |
Desempenho | Rápida e eficiente para grandes volumes | Lenta e computacionalmente pesada |
Distribuição de chaves | Problema: exige canal seguro para compartilhar a chave | Resolve a troca segura de chaves (ex.: TLS/SSL) |
Funcionalidades | Confidencialidade (e integridade com modos adequados) | Assinatura digital e não repúdio |
Uso típico | Criptografia de disco, banco de dados, streaming | Troca de chaves, autenticação, assinatura digital |
A afirmação é falsa por dois motivos:
"Superior em todos os cenários": não há superioridade absoluta. A simétrica é superior para grandes volumes de dados (rapidez), mas a assimétrica é superior para troca segura de chaves, autenticação e assinatura digital. Cada uma tem seu papel.
"Dispensa a infraestrutura de chaves públicas": a simétrica não dispensa a necessidade de troca segura de chaves. Pelo contrário, o principal desafio da simétrica é justamente distribuir a chave secreta com segurança — e a criptografia assimétrica (com certificados digitais e ICP) é o mecanismo padrão para resolver isso. Sem uma infraestrutura de chaves públicas (ou outro canal seguro), a troca de chaves simétricas fica vulnerável a interceptação.
Gabarito: E (Errado).
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