Questão de Raciocínio Lógico — Lógica de Primeira Ordem — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce390754
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- CAM DEP
- Ano
- 2026
- Cargo
- TL ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A frase “Existe deputado que não é favorável à matéria e sua votação não é favorável” não pode ser representada por ∃x ¬(p(x) → q(x)). A forma correta é ∃x (¬p(x) ∧ ¬q(x)), pois a sentença exige que o deputado seja, ao mesmo tempo, não favorável à matéria e não vote favorável — uma conjunção de duas negações, e não a negação de uma condicional. A pegadinha está em confundir a negação de uma implicação com a negação de cada predicado.
A lógica de primeira ordem (ou lógica de predicados) estende a lógica proposicional ao introduzir quantificadores (∃ = existe, ∀ = todo) e predicados (propriedades ou relações, como p(x) e q(x)). A questão pede a tradução de uma sentença em linguagem natural para a forma simbólica, exigindo atenção à estrutura lógica da frase.
A sentença “Existe deputado que não é favorável à matéria e sua votação não é favorável” é composta por duas afirmações ligadas por “e”: (1) o deputado não é favorável à matéria (¬p(x)) e (2) sua votação não é favorável (¬q(x)). A palavra “e” indica conjunção (∧). Portanto, a representação correta é:
A forma proposta, ∃x ¬(p(x) → q(x)), é a negação de uma condicional. Pela equivalência lógica, a negação de p → q é p ∧ ¬q. Assim:
Logo, ∃x ¬(p(x) → q(x)) equivale a ∃x (p(x) ∧ ¬q(x)), que significa “existe deputado que é favorável à matéria e não vota favorável”. Isso é diferente da sentença original, que exige ¬p(x) (não favorável) e ¬q(x) (não vota favorável).
A confusão surge porque o candidato pode pensar que “não é favorável” e “não vota favorável” são a negação de uma implicação. Mas a frase original não contém uma implicação; ela contém duas negações independentes unidas por “e”. A negação de uma condicional só apareceria se a frase fosse, por exemplo, “não é verdade que, se o deputado é favorável, então ele vota favorável”.
Para fixar: a negação de p → q é p ∧ ¬q, e não ¬p ∧ ¬q. A banca explora exatamente essa troca sutil. Guarde a tabela:
Fórmula | Significado |
|---|---|
∃x (¬p(x) ∧ ¬q(x)) | Existe x que não é p e não é q |
∃x ¬(p(x) → q(x)) | Existe x tal que p(x) e ¬q(x) |
∃x (p(x) ∧ ¬q(x)) | Existe x que é p e não é q |
A alternativa proposta está errada porque troca a conjunção de negações pela negação da condicional, alterando completamente o sentido lógico da frase.
A representação simbólica apresentada, ∃x ¬(p(x) → q(x)), não corresponde à frase dada. A frase exige que o deputado seja não favorável (¬p(x)) e não vote favorável (¬q(x)), ou seja, uma conjunção: ∃x (¬p(x) ∧ ¬q(x)). A forma proposta equivale a ∃x (p(x) ∧ ¬q(x)), que descreve um deputado favorável à matéria que não vota favorável — exatamente o oposto do que a frase afirma. Portanto, o item está errado.
A banca troca a negação de uma condicional pela negação de cada predicado. Lembre-se: ¬(p → q) ≡ p ∧ ¬q, e não ¬p ∧ ¬q. Na prova, ao traduzir frases com “não... e não...”, use conjunção de negações; ao traduzir “não é verdade que se... então...”, use a negação da condicional.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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