Questão de Raciocínio Lógico — Argumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade — CESPE / CEBRASPE 2026
Raciocínio Lógico›Argumentos - Métodos Decorrentes da Tabela Verdade
Código
ce390879
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANSA
Ano
2026
Cargo
Prof NS ( )
Com base nas regras da lógica proposicional e da lógica de primeira ordem, julgue o item subsequente.
A partir das premissas e da conclusão seguintes, é correto afirmar que o argumento apresentado é válido.
Premissa 1: "Se a ANSA reativa o seu parque industrial, então a produção nacional de ureia é normalizada."
Premissa 2: "Se a produção nacional de ureia é normalizada, então o custo de produção do ARLA 32 diminui."
Premissa 3: "O custo de produção do ARLA 32 não diminuiu."
Conclusão: "Logo, a ANSA não reativou o seu parque industrial."
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Lógica de Argumentação: Validade do Argumento (Modus Tollens)
Gabarito: letra C (CERTO). O argumento é válido porque segue a estrutura lógica do modus tollens: se a premissa 1 afirma que A implica B, a premissa 2 afirma que B implica C, e a premissa 3 nega C, então a conclusão necessariamente nega A. A validade é uma propriedade da forma do argumento, não do conteúdo das proposições.
O modus tollens é uma das regras de inferência mais fundamentais da lógica proposicional. Sua estrutura é:
Premissa 1: Se P, então Q (P → Q)
Premissa 2: Não Q (¬Q)
Conclusão: Logo, não P (¬P)
A validade dessa regra é intuitiva: se a ocorrência de P sempre leva a Q, e Q não ocorre, então P não pode ter ocorrido. Se P tivesse ocorrido, Q teria que ocorrer também, o que contradiz a premissa 2.
No argumento da questão, podemos simbolizar as proposições da seguinte forma:
P: "A ANSA reativa o seu parque industrial"
Q: "A produção nacional de ureia é normalizada"
R: "O custo de produção do ARLA 32 diminui"
O argumento fica:
Premissa 1: P → Q
Premissa 2: Q → R
Premissa 3: ¬R
Conclusão: ¬P
Podemos encadear as premissas 1 e 2 usando a propriedade transitiva da condicional: se P → Q e Q → R, então P → R. Agora temos:
Premissa (encadeada): P → R
Premissa 3: ¬R
Conclusão: ¬P
Isso é exatamente a estrutura do modus tollens, portanto o argumento é válido.
A validade de um argumento não depende da verdade factual das premissas. Mesmo que as premissas fossem falsas no mundo real, a estrutura lógica garantiria que, se todas as premissas fossem verdadeiras, a conclusão também seria necessariamente verdadeira. É a impossibilidade de ter premissas verdadeiras e conclusão falsa que define a validade.
A pegadinha clássica que a banca explora é a falácia da negação do antecedente, que tem a forma:
Premissa 1: Se P, então Q
Premissa 2: Não P
Conclusão: Logo, não Q
Essa estrutura é inválida, pois Q poderia ocorrer por outros motivos, sem que P tenha ocorrido. No argumento da questão, a conclusão é a negação do antecedente (¬P), mas a premissa 3 nega o consequente final (¬R), não o antecedente. Portanto, não se trata dessa falácia.
Outra pegadinha comum é a falácia da afirmação do consequente:
Premissa 1: Se P, então Q
Premissa 2: Q
Conclusão: Logo, P
Essa também é inválida, pois Q pode ser verdadeiro por outras razões. O argumento da questão não se encaixa nesse padrão, pois a premissa 3 nega R, não o afirma.
Para verificar a validade por tabela-verdade, construiríamos a tabela com as três proposições simples (P, Q, R), totalizando 8 linhas. Em todas as linhas em que as três premissas são verdadeiras, a conclusão também é verdadeira. Não existe nenhuma linha em que as premissas sejam todas verdadeiras e a conclusão seja falsa, o que confirma a validade.
O método da conclusão falsa também pode ser usado: assumimos que a conclusão é falsa (¬P é falso, logo P é verdadeiro) e verificamos se é possível que todas as premissas sejam verdadeiras. Se P é verdadeiro, pela premissa 1, Q deve ser verdadeiro. Se Q é verdadeiro, pela premissa 2, R deve ser verdadeiro. Mas a premissa 3 afirma que R é falso. Contradição! Portanto, é impossível ter premissas verdadeiras e conclusão falsa, confirmando a validade.
1P → Q (premissa 1)
2Q → R (premissa 2)
3P → R (transitividade)
4¬R (premissa 3)
5¬P (conclusão)
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Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO
O item afirma que o argumento é válido, e isso está correto. A estrutura do argumento é um modus tollens encadeado, que é uma forma de argumento logicamente válida. A conclusão "a ANSA não reativou o seu parque industrial" é uma consequência lógica necessária das premissas apresentadas.
A validade é garantida pela forma lógica, independentemente do conteúdo das proposições. Mesmo que as premissas fossem factualmente falsas, a estrutura do argumento assegura que, se fossem verdadeiras, a conclusão também seria verdadeira.