Questão de Ciências — Ensino de Sociologia — CESPE / CEBRASPE 2026
CiênciasEnsino de Sociologia
- Código
- ce391591
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- SEED SE
- Ano
- 2026
- Cargo
- PEB ( )
Texto 15A2-II
A influenciadora Fabiana Sobrinho compartilhou
recentemente um vídeo em sua rede social, no qual expôs
conversas com sua filha de 12 anos a respeito do trabalho formal
regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No vídeo,
Fabiana pede para a menina repetir por que ela tem medo de “ser
CLT” quando começar a trabalhar. “Andar de ônibus todo dia.
Muita gente, chefe, pessoas mandando”, responde ela. Segundo a
influenciadora, alguns jovens acham que “ser CLT” é ser pobre.
O caso não é isolado. Nas redes sociais, há outros relatos de
pessoas que já se depararam com crianças usando a sigla CLT
para ofender. Segundo Fabiana Sobrinho, “vocês não têm noção
da quantidade de crianças demonizando ser CLT. Vários alunos
meus, 6.º, 7.º ano, demonizando ser CLT. Aí eu pergunto o que é
CLT, eles dizem apenas que é trabalhar e receber pouco”.
Em janeiro, o UOL publicou reportagem sobre os coaches
mirins — crianças que aparecem nas redes sociais desdenhando
da escola e ensinando supostos atalhos para enriquecer. “Para ser
pobre, estude, faça uma boa faculdade e encontre um bom
emprego. Agora, para ser rico, faça totalmente ao contrário”,
dizia uma das crianças. Segundo especialistas, a ideia de
prosperidade e qualidade de vida que é passada aos mais jovens
está distorcida, já que reforça uma constante comparação social a
partir de uma visão centrada no consumismo, meritocracia e
plutocracia (poder do dinheiro).
C. Corsini. Crianças demonizam CLT: carteira assinada vira ofensa entre os jovens.
Internet: www.economia.uol.com.br (com adaptações).
Leia o texto. Considerando o texto 15A2-II, assinale a opção em que é apresentado um princípio metodológico do ensino de sociologia, especialmente no que se refere ao uso de recursos didáticos, à análise crítica de fenômenos sociais e ao emprego de categorias conceituais na mediação pedagógica.
- Aevitar o emprego de textos midiáticos como fonte didática no ensino de sociologia, uma vez que tais materiais não constituem produção científica e são sempre ideologicamente enviesados, impossibilitando o trabalho conceitual neutro requerido pelo componente curricular
- Btomar a notícia como referência para reforçar noções de autonomia individual e empreendedorismo e associá-las à trilha de projeto de vida de forma a estimular competências subjetivas para que os estudantes orientem suas decisões pessoais rumo ao sucesso profissional
- Crestringir o uso do texto à ilustração de comportamentos de consumo e evitar articulá-lo a categorias sociológicas mais amplas, visto que o aprofundamento conceitual poderia comprometer a clareza pedagógica da atividade
- Dmobilizar o texto como recurso didático para problematizar representações sociais naturalizadas sobre trabalho, mérito e sucesso, de forma a possibilitar que os estudantes analisem tais discursos como construções sociais passíveis de tratamento conceitual e os relacionem às desigualdades estruturais e às transformações contemporâneas do trabalho
- Eutilizar o texto como exemplo de opiniões espontâneas, sem confrontá-las com conceitos sociológicos, a fim de preservar a liberdade interpretativa dos estudantes e evitar suposto proselitismo ideológico decorrente de debates críticos em sala de aula