Questão de Criminologia — Geral — CESPE / CEBRASPE 2026
Criminologia›Geral
Código
ce392101
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PM DF
Ano
2026
Cargo
Alun Of ( )
Acerca dos modelos de prevenção criminal no Estado democrático de direito, assinale a opção correta.
AA prevenção secundária destina-se à população, visando ao controle social e formal e ao combate ao crime por meio da implementação de políticas públicas educacionais.
BA prevenção terciária, implementada por meio de medidas punitivas e ressocializadoras, é voltada ao recluso e visa evitar a sua reincidência criminal por meio de medidas de reintegração social.
CA prevenção primária atua diretamente sobre o apenado para modificar o seu comportamento, constituindo prevenção realizada de curto a médio prazo e com baixo custo.
DA prevenção primária consiste na atuação repressiva das polícias ao fato criminoso mediante a implementação de mecanismos de neutralização do agente do crime.
EA prevenção terciária visa à identificação de grupos criminosos antes da prática delitiva e à implementação efetiva de medidas que evitem o conflito.
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GabaritoB — A prevenção terciária, implementada por meio de medidas punitivas e ressocializadoras, é voltada ao recluso e visa evitar a sua reincidência criminal por meio de medidas de reintegração social.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Modelos de prevenção criminal: primária, secundária e terciária
Gabarito: letra B. A prevenção terciária é a que atua sobre o condenado, com o objetivo de evitar a reincidência por meio de medidas de reintegração social, como a ressocialização. As demais alternativas confundem os três níveis de prevenção, atribuindo a cada um características que pertencem a outro.
A classificação da prevenção criminal em primária, secundária e terciária é um dos temas mais cobrados em Criminologia, e a banca explora exatamente a confusão entre esses três níveis. Essa divisão, inspirada na medicina preventiva, organiza as estratégias de controle do crime conforme o público-alvo e o momento da intervenção. Compreender cada nível é essencial para acertar questões como esta.
A prevenção primária é a mais ampla e a mais importante. Ela se dirige a toda a população, sem distinguir quem é ou não propenso a cometer crimes. Seu objetivo é atuar nas causas profundas da criminalidade, por meio de políticas públicas de longo prazo, como educação, saúde, emprego, habitação e lazer. É uma prevenção de longo prazo, com alto custo, mas com potencial de transformar a realidade social. O foco não é o crime em si, mas as condições sociais que o geram.
A prevenção secundária é mais específica e atua em áreas ou grupos de risco. Ela se dirige a pessoas que apresentam maior probabilidade de se envolver com o crime, como jovens em situação de vulnerabilidade, ou a locais com alta incidência delitiva. O objetivo é identificar e neutralizar os fatores de risco antes que o crime ocorra. São exemplos: policiamento ostensivo em áreas de alta criminalidade, programas de acompanhamento de jovens infratores, iluminação pública em locais escuros, entre outros. É uma prevenção de médio prazo, com custo intermediário.
A prevenção terciária é a mais restrita e atua sobre o condenado, ou seja, sobre aquele que já praticou o crime. Seu objetivo é evitar a reincidência, por meio de medidas de ressocialização e reintegração social, como o trabalho prisional, a educação, o tratamento psicológico e a assistência pós-carcerária. É uma prevenção de curto prazo, com custo mais baixo, mas que atua sobre um público já selecionado pelo sistema penal. A pena, nesse contexto, tem função ressocializadora.
A pegadinha da banca é clássica: ela inverte as características de cada nível. A alternativa que diz que a prevenção primária atua sobre o apenado, ou que a secundária se dirige à população em geral, ou que a terciária visa identificar grupos de risco, são todas tentativas de confundir o candidato. A chave é lembrar do público-alvo de cada nível: população (primária), grupos de risco (secundária) e condenados (terciária).
Nível de Prevenção
Público-Alvo
Momento da Intervenção
Exemplos de Medidas
Primária
População em geral
Antes do crime (causas profundas)
Políticas públicas de educação, saúde, emprego, habitação e lazer
Secundária
Grupos de risco ou áreas específicas
Antes do crime (fatores de risco)
Policiamento ostensivo, programas de acompanhamento de jovens infratores, iluminação pública
Terciária
Condenados (reclusos)
Após o crime (evitar reincidência)
Trabalho prisional, educação, tratamento psicológico, assistência pós-carcerária
Prevenção criminal: Primária (População em geral, Políticas públicas sociais, Longo prazo, alto custo); Secundária (Grupos de risco, Controle social e formal, Médio prazo, custo intermediário); Terciária (Condenados, Ressocialização, Evitar reincidência)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a prevenção secundária se destina à população em geral, visando ao controle social e formal. Isso é um erro: a prevenção que se destina à população em geral é a primária. A prevenção secundária, por sua vez, atua sobre grupos de risco ou áreas específicas, com o objetivo de evitar o crime antes que ele ocorra. A alternativa mistura as características da prevenção primária (população) com a secundária (controle social e formal).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao definir a prevenção terciária como aquela voltada ao recluso, com o objetivo de evitar a reincidência por meio de medidas de reintegração social. É exatamente isso que a doutrina entende por prevenção terciária: a atuação sobre o condenado, buscando sua ressocialização e reintegração à sociedade. As medidas punitivas e ressocializadoras, como o trabalho prisional e a educação, são instrumentos dessa prevenção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a prevenção primária atua diretamente sobre o apenado para modificar seu comportamento. Isso é um erro: a prevenção que atua sobre o apenado é a terciária. A prevenção primária se dirige à população em geral, com o objetivo de atuar nas causas sociais do crime, por meio de políticas públicas de longo prazo. A alternativa também erra ao dizer que a prevenção primária é de curto a médio prazo e de baixo custo, quando na verdade é de longo prazo e alto custo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a prevenção primária consiste na atuação repressiva das polícias ao fato criminoso. Isso é um erro: a atuação repressiva das polícias é uma forma de prevenção secundária, que atua sobre grupos de risco ou áreas específicas. A prevenção primária, por sua vez, é uma atuação não repressiva, voltada para a população em geral, por meio de políticas públicas sociais. A alternativa confunde o caráter repressivo da prevenção secundária com o caráter social da primária.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a prevenção terciária visa à identificação de grupos criminosos antes da prática delitiva. Isso é um erro: a identificação de grupos de risco antes do crime é uma característica da prevenção secundária. A prevenção terciária, por sua vez, atua sobre o condenado, após a prática do crime, com o objetivo de evitar a reincidência. A alternativa inverte o público-alvo da prevenção terciária, atribuindo-lhe uma característica da secundária.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as características dos três níveis de prevenção. A pegadinha clássica é atribuir à prevenção primária características da terciária (atuar sobre o apenado) e vice-versa. Para não cair, lembre-se do público-alvo: população (primária), grupos de risco (secundária) e condenados (terciária). Com esse critério, você elimina as alternativas erradas rapidamente.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental com os três níveis e suas características principais. Na hora da prova, leia a alternativa e pergunte: "qual é o público-alvo?" Se for a população, é primária; se for grupos de risco, é secundária; se for condenados, é terciária. Esse é o critério que decide a questão.