Questão de Artes — Linguagens, Códigos e suas Tecnologias — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce392702
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- SESI SP
- Ano
- 2023
- Cargo
- PEB ( )
Formado em 1988, o grupo de rap Racionais Mc’s inflama o cenário cultural brasileiro com o que foi chamado por Acauam Oliveira, no livro Sobrevivendo no inferno, de “processo de autorreconhecimento das comunidades periféricas brasileiras”. Esse “autorreconhecimento” apontado pelo autor trata da iluminação da perspectiva da periferia como “cultura e potência”. A novidade, a transgressão maior dos Racionais MC’s, é a erupção das vozes da periferia para a periferia ou as vozes, como eles chamam, dos “manos” para os “manos”, o que o grupo separa muito claramente das perspectivas dos playboys e do Estado. O ponto de virada aqui, segundo o filósofo Francisco Bosco, é: “Para os Racionais, tratava-se de afirmar o valor de uma tradição eminentemente negra ‘não mestiça’, capaz de funcionar como referência horizontal para os negros, quase sempre em posição desfavorável na sociedade do espetáculo e do consumo”.
Bosco, Francisco. A vítima tem sempre razão? São Paulo: Editora Todavia, 2017, p. 51-52 (com adaptações).
- AO projeto desenvolvido pelos Racionais Mc’s é de manutenção da ideia romântica de unidade da cultura brasileira, de uma, como nomina Acauam Oliveira, “tradição conciliatória”, na qual a periferia é acolhida harmoniosamente.
- BAo se afirmar, no texto, que o grupo Racionais MC’s “pode funcionar como uma referência horizontal para negros”, descarta-se qualquer associação com a noção de representatividade.
- CA ideia do “processo de autorreconhecimento das comunidades periféricas brasileiras” mencionada por Acauam Oliveira trata de um processo que começa fora dessas comunidades e as alcança, as fortalece.
- DNo verso “Eu num li, eu num assisti. Eu vivo o negro drama, eu sou o negro drama”, da música dos Racionais MC's Negro Drama, percebe-se a consonância com o apresentado no texto, sobre o grupo dar voz à periferia, dar voz ao “mano” que fala para os “manos”.
- EO trecho da música Mágico de Oz “Se diz que o moleque de rua rouba. O governo, a polícia, no Brasil, quem não rouba? Ele só não tem diploma pra roubar. Ele não se esconde atrás de uma farda suja. É tudo uma questão de reflexão irmão.” indica que o olhar da sociedade sobre os crimes cometidos pela população periférica é igual ao olhar sobre os crimes cometidos por pessoas do governo ou policiais.