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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
ce395630
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ ES
Ano
2023
Cargo
AJ 02 ( )

Em uma linha de estudos, um dos fatores apontados frequentemente como possível solução para a diminuição da demanda nos tribunais diz respeito aos mecanismos de resolução alternativa de conflitos. O relatório Fazendo com que a justiça conte: medindo e aprimorando o desempenho do Judiciário no Brasil, produzido pelo Banco Mundial, já apontava em 2004 a maior difusão do instituto da conciliação como uma possível solução para a excessiva sobrecarga de processos na justiça estadual. Segundo o relatório, tal medida poderia ser um importante mecanismo de diminuição das demandas hoje paralisadas no Poder Judiciário estadual.


Ribeiro (2008), em análise acerca do acesso ao sistema judiciário no Brasil, destaca o papel do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como órgão encarregado de desenvolver ações que visem à redução da morosidade processual e à simplificação dos procedimentos judiciais. A autora destaca dentre os projetos desenvolvidos pelo CNJ a ênfase nos procedimentos alternativos de justiça, entre os quais figura o instituto da conciliação.


Em mesmo sentido, Veronese (2007) realizou análise da evolução de experiências alternativas de resolução de conflitos, descrevendo os projetos e as questões políticas implicadas nesse fenômeno. Segundo o autor, apesar do consenso de que o Brasil se insere em um contexto de tradição jurídica formalista, ocorre atualmente um movimento descrito como “permeabilidade às novas referências institucionais para a solução dos conflitos e ao discurso de intervenção social” (2007, p. 19), agenda que, segundo Veronese, vem-se desenvolvendo de modo célere no Brasil. Um exemplo citado por ele diz respeito à realização do Dia Nacional da Conciliação, evento promovido pelo CNJ com o intuito de difundir nos tribunais a cultura da realização de acordos entre os litigantes com vistas a extinguir demandas judiciárias.


Renato Máximo Sátiro e Marcos de Moraes Sousa.

Determinantes quantitativos do desempenho judicial: fatores associados à produtividade dos tribunais de justiça. In: Revista Direito GV, v. 7, n.º 1, 2021, p. 8-9 (com adaptações).

Texto 15A2-I

 

Acerca do emprego das formas verbais no texto 15A2-I, julgue o próximo item.

 

No segundo período do primeiro parágrafo, o tempo verbal em “apontava”, acompanhado da expressão adverbial “em 2004”, delimita a ação verbal a um momento pontual no passado.

  1. CCerto
  2. EErrado
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Emprego do pretérito imperfeito do indicativo

Gabarito: ERRADO. A afirmação de que o tempo verbal em “apontava”, acompanhado de “em 2004”, delimita a ação a um momento pontual no passado está incorreta. O verbo “apontava” está no pretérito imperfeito do indicativo, tempo que expressa uma ação contínua, habitual ou durativa no passado, e não um fato pontual e concluído. A expressão “em 2004” apenas situa o início ou o contexto temporal, mas não transforma o valor aspectual do verbo.

O comando da questão

A questão pede que se julgue uma afirmação sobre o emprego das formas verbais no texto. Isso exige conhecimento de morfologia verbal (identificar o tempo e o modo) e de semântica verbal (o valor de sentido que o tempo confere à ação). Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de análise gramatical aplicada ao texto.

O texto e o verbo em questão

No primeiro parágrafo, lê-se:

“O relatório Fazendo com que a justiça conte: medindo e aprimorando o desempenho do Judiciário no Brasil, produzido pelo Banco Mundial, já apontava em 2004 a maior difusão do instituto da conciliação como uma possível solução...”

O verbo “apontava” está na 3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do indicativo. A desinência -va é a marca característica desse tempo na 1ª conjugação. O pretérito imperfeito, ao contrário do pretérito perfeito (que indica ação concluída, pontual), expressa:

  • uma ação contínua ou durativa no passado;

  • um hábito ou fato repetido;

  • uma ação que servia de pano de fundo para outra.

No texto, “apontava” indica que o relatório já trazia aquela ideia naquele momento, ou seja, a ação de “apontar” se estendia no tempo, não era um evento instantâneo. A expressão “em 2004” localiza o fato no tempo, mas não o torna pontual.

A técnica para resolver

A pegadinha da banca está em confundir o valor aspectual do pretérito imperfeito com o do pretérito perfeito. O pretérito perfeito (“apontou”) indicaria uma ação concluída e pontual (“apontou em 2004” = ação acabada naquele ano). Já o imperfeito (“apontava”) indica uma ação em curso, habitual ou durativa.

Para acertar, o candidato deve:

  1. Identificar o tempo verbal pela desinência (-va, -ia).

  2. Reconhecer o valor semântico do tempo: imperfeito = duração/hábito; perfeito = conclusão/pontualidade.

  3. Verificar se a expressão adverbial altera esse valor — no caso, “em 2004” apenas situa, não pontualiza.

Análise da afirmação

A afirmação diz que “apontava” + “em 2004” delimita a ação verbal a um momento pontual no passado. Isso é falso, pois:

  • O pretérito imperfeito não expressa pontualidade, mas duração ou habitualidade.

  • A expressão “em 2004” não converte o imperfeito em perfeito; ela apenas contextualiza o momento.

  1. 1Identificar o tempo verbal
  2. 2Reconhecer o valor semântico
  3. 3Verificar o papel do adjunto
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Desconfie de afirmações que atribuem a um tempo verbal um valor que não lhe é próprio. O pretérito imperfeito é o tempo da descrição e da duração; o perfeito é o da narração pontual.

Conclusão

A forma “apontava” está no pretérito imperfeito do indicativo, que expressa ação contínua ou habitual no passado, e não um fato pontual. Portanto, a afirmação está errada.

Gabarito: ERRADO.

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