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Questão de Português — Fonética (Fonemas, Dígrafos, Encontros Consonantais, Vocálicos). Separação Silábica — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsFonética (Fonemas, Dígrafos, Encontros Consonantais, Vocálicos). Separação Silábica
Código
ce395703
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Recife
Ano
2023
Cargo
Prof II( )

O Brasil é um dos países com maior proporção de alunos matriculados em cursos de formação de professores, mas com um dos mais baixos índices de interesse na profissão. Para especialistas, isso mostra que a docência se torna opção pela facilidade em ingressar no ensino superior, pelas baixas mensalidades e pela alternativa de cursos a distância — não pela vocação.


Estudos internacionais mostram que um bom professor é um dos fatores que mais influenciam na aprendizagem. Os dados são de pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que traçou o perfil de quem estuda para ser professor na América Latina e no Caribe. Enquanto, no Brasil, 20% dos universitários estão em cursos como licenciatura e pedagogia, na América Latina são 10% e, em países desenvolvidos, 8%.


Em compensação, só 5% dos jovens brasileiros dizem querer ser professores quando estão no ensino médio. E, apesar da grande quantidade de alunos matriculada em cursos de licenciatura e pedagogia no Brasil, faltam docentes para lecionar disciplinas específicas em áreas de ciências exatas e da natureza.


Na Coreia do Sul, por exemplo, 21% se interessam pela profissão e só 7% ingressam, de fato, na universidade, porque há muita concorrência e maior seleção. No Chile e no México, os dois índices são mais próximos: cerca de 7% se interessam pelo magistério e menos de 15% cursam pedagogia ou licenciatura.


“Muitos alunos concluintes do ensino médio entram em programas de formação de professores para conseguir um título”, diz o economista chefe da divisão de educação no BID, Gregory Elacqua. Ele afirma que isso não é bom para a educação.


“A gente atrai as pessoas mais vulneráveis e que lá na frente vão enfrentar o desafio de educar crianças vulneráveis também”, diz a diretora de políticas públicas do Instituto Península, que atua na área de formação de professores, Mariana Breim. “Se é este público que está procurando a docência, temos de abraçá-lo e fazê-lo se apaixonar por ela”, completa. Os dados mostram que 71% dos estudantes de pedagogia e licenciatura no Brasil são mulheres, índice semelhante ao verificado em outros países latinos.


Internet: <noticias.uol.com.br> (com adaptações).

Texto 8A1-I

 

Em relação a aspectos fonológicos e gráficos de vocábulos empregados no texto 8A1-I, julgue o próximo item.

 

Na palavra quantidade, há dez letras e nove fonemas.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fonemas e letras em "quantidade" — contagem e dígrafo

Gabarito: letra C (Certo). A palavra quantidade tem dez letras e nove fonemas, exatamente como afirma o item. A diferença entre os dois números se explica pelo dígrafo "qu", que representa um único fonema consonantal /k/: as duas letras q e u juntas produzem um só som. Como se lê na palavra, a sequência "qu" não é um encontro consonantal, mas um dígrafo — duas letras com um único valor fonético.

O comando

A questão pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação fonológica a respeito de um vocábulo do texto. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de análise da relação entre letras (grafemas) e fonemas (sons). Para resolver, é preciso contar as letras e contar os fonemas, lembrando que nem sempre há correspondência biunívoca entre eles.

O texto e a palavra

O vocábulo quantidade aparece no segundo parágrafo do texto-base: "Enquanto, no Brasil, 20% dos universitários estão em cursos como licenciatura e pedagogia...". A palavra em si é o objeto da análise — não há necessidade de interpretar o sentido do texto, apenas aplicar a regra fonológica.

A técnica que decide

1. Contagem de letras:

q-u-a-n-t-i-d-a-d-e → 10 letras.

2. Contagem de fonemas:

  • q + u formam o dígrafo "qu", que representa o fonema /k/ — ou seja, duas letras, um som.

  • As demais letras correspondem a fonemas: /k/ (do qu), /ã/ (do an, nasal), /t/, /i/, /d/, /a/, /d/, /e/.

Contando os sons: /k/ + /ã/ + /t/ + /i/ + /d/ + /a/ + /d/ + /e/ = 8 fonemas? Não — cuidado! Vamos com calma.

Na verdade, a palavra quantidade tem a seguinte estrutura fonológica:

  • qu → /k/ (dígrafo)

  • a → /a/ (vogal oral)

  • n → nasaliza a vogal anterior, formando /ã/ (não é fonema consonantal independente)

  • t → /t/

  • i → /i/

  • d → /d/

  • a → /a/

  • d → /d/

  • e → /e/ (ou /i/ em pronúncia rápida, mas conta como um fonema)

Somando: /k/ + /ã/ + /t/ + /i/ + /d/ + /a/ + /d/ + /e/ = 8 fonemas? Ainda não — falta o u? Não, o u do "qu" não conta como fonema separado, pois faz parte do dígrafo. E o n? Também não conta como consoante, pois apenas nasaliza a vogal a, formando o fonema nasal /ã/.

Então, a contagem correta é:

  • /k/ (qu)

  • /ã/ (an)

  • /t/

  • /i/

  • /d/

  • /a/

  • /d/

  • /e/

Isso dá 8 fonemas? Mas o gabarito diz 9! Onde está o erro?

Vamos recontar com atenção. A palavra é q-u-a-n-t-i-d-a-d-e. As letras são 10. Os fonemas:

  1. q + u → /k/ (1 fonema)

  2. a → /a/ (2º fonema)

  3. n → não é fonema, apenas nasaliza o a → /ã/ (continua sendo o 2º fonema, agora nasal)

  4. t → /t/ (3º)

  5. i → /i/ (4º)

  6. d → /d/ (5º)

  7. a → /a/ (6º)

  8. d → /d/ (7º)

  9. e → /e/ (8º)

Isso dá 8 fonemas, não 9! Mas o gabarito oficial é Certo (9 fonemas). Onde está a pegadinha?

Atenção: a banca considera que o "an" forma um dígrafo vocálico nasal, mas o "n" não é fonema. No entanto, a contagem tradicional de fonemas em "quantidade" é:

  • /k/ (qu)

  • /ã/ (an)

  • /t/

  • /i/

  • /d/

  • /a/

  • /d/

  • /e/

Isso dá 8. Mas muitos materiais contam o "u" do "qu" como semivogal? Não, em "qu" o u não é semivogal, é parte do dígrafo.

Revisão: Na verdade, a palavra quantidade tem 9 fonemas se considerarmos que o "u" do "qu" é pronunciado como semivogal em algumas análises? Não, a pronúncia padrão é /kwantidadʒi/ — com o u soando como /w/ (semivogal). Nesse caso, o "qu" não é dígrafo, mas encontro consonantal? Não, é dígrafo quando o u não é pronunciado (ex.: "quero" = /kero/), mas em "quantidade" o u é pronunciado como /w/, formando o encontro /kw/.

Correção: Em "quantidade", o u é pronunciado como semivogal /w/, então temos:

  • q → /k/

  • u → /w/ (semivogal)

  • a → /ã/ (com nasalização do n)

  • t → /t/

  • i → /i/

  • d → /d/

  • a → /a/

  • d → /d/

  • e → /e/

Isso dá 9 fonemas: /k/, /w/, /ã/, /t/, /i/, /d/, /a/, /d/, /e/. E as letras são 10 (q, u, a, n, t, i, d, a, d, e). O n não é fonema, apenas nasaliza o a. Portanto, 10 letras e 9 fonemas — item Certo.

Conclusão: A banca considera que o "qu" em "quantidade" é um encontro consonantal (ou dígrafo com semivogal), e o "n" é apenas marca de nasalização. A contagem correta é 10 letras e 9 fonemas.

Análise das alternativas

Alternativa C — ✅ CertoGABARITO

A afirmação está correta. A palavra quantidade possui 10 letras (q-u-a-n-t-i-d-a-d-e) e 9 fonemas (/k/, /w/, /ã/, /t/, /i/, /d/, /a/, /d/, /e/). O "n" não é um fonema consonantal, pois apenas nasaliza a vogal a; o "u" do "qu" é pronunciado como semivogal /w/, formando o encontro /kw/. Assim, a diferença entre letras e fonemas se deve à nasalização (o n não conta como som independente).

Alternativa E — ❌ Errado

A afirmação é falsa porque a contagem está correta: 10 letras e 9 fonemas. Quem marca Errado provavelmente conta o "n" como fonema consonantal (o que daria 10 fonemas) ou considera o "qu" como dígrafo sem som de /w/ (o que daria 8 fonemas). A banca espera que o candidato saiba que o "n" em "quantidade" é apenas marca de nasalização, não um fonema independente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre letra e fonema. O candidato desatento conta o n como consoante e chega a 10 fonemas, marcando Errado. Mas o n não é pronunciado como consoante — ele apenas nasaliza a vogal a, formando o fonema /ã/. Por isso, o número de fonemas é menor que o de letras.

PEGA ESSA DICA!

Para contar fonemas, pronuncie a palavra em voz alta e conte os sons. Em "quantidade", você ouve /kwan.../ — o u soa como /w/ e o n não soa como /n/, apenas nasaliza o a. Assim, são 9 sons.

Gabarito: letra C (Certo).

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