Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
ce395767
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MME
Ano
2023
Cargo
Adm ( )

Muitas regiões do mundo, inclusive o Brasil, estão vivendo o chamado “paradoxo verde”, expressão cunhada pelo economista alemão Hans-Werner Sinn (2008) para se referir a como políticas climáticas mais restritivas podem exercer pressão crescente sobre os preços de energia e ter efeitos indesejáveis, como incentivar a antecipação da extração e produção de combustíveis fósseis, acelerando, portanto, as mudanças climáticas. Um aspecto crucial é a necessidade de acordos internacionais que mantenham de maneira eficaz e justa grandes quantidades remanescentes de combustíveis fósseis no solo. Oestudo recente de Welsby, publicado na revista Nature em 2021, mostra que a produção existente de carvão, petróleo e gás deve ser descontinuada. Mesmo quando governos não controlam diretamente a produção, suas leis, políticas e acordos podem definir, em grande medida, quanto é extraído e produzido. O BOGA (Beyond Oil and Gas Alliance) é um exemplo recente de acordo internacional que pode redefinir o futuro do setor de petróleo e gás (O&G – oil and gas).


Emissões evitadas hoje tornam menos arriscada a necessidade de medidas drásticas, ainda não suficientemente desenvolvidas, como projetos de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS) e de tecnologias de emissões negativas (NET), comumente citados em anúncios de empresas do setor de O&G. Ademais, quanto mais cedo sofrermos os impactos das mudanças climáticas, mais cedo e por mais tempo teremos impactos físicos que levam a danos sociais e econômicos. Nesse sentido, emissões evitadas hoje valem mais do que emissões evitadas no futuro; mais do que metas de emissão zero em 2050, são necessárias ações imediatas nos próximos anos, para reduzir rapidamente as emissões de gases do efeito estufa. No futuro, grandes nomes da indústria de O&G podem ser conhecidos como aqueles que negligenciaram a ciência e não enfrentaram o desafio da emergência climática quando ainda tinham tempo. Por outro lado, podem aproveitar a já estreita janela de oportunidade para liderar uma nova economia cada vez mais eficiente, interconectada e limpa.


B. S. L. Cunha et al. O passado, o presente e o futuro da

indústria de O&G frente à crise climática. In: Ensaio Energético, nov. 2021 (com adaptações).

Texto CB1A1

 

Acerca do emprego dos tempos e modos verbais no texto CB1A1, julgue o item seguinte.

 

Seriam mantidos os sentidos, a correção gramatical e a coerência do texto caso a forma verbal “controlam” (penúltimo período do primeiro parágrafo) fosse substituída por controlem.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego dos modos verbais: “controlam” × “controlem”

Gabarito: letra E (Errado). A substituição de “controlam” (presente do indicativo) por “controlem” (presente do subjuntivo) não mantém os sentidos do texto, pois altera o valor de certeza/factualidade para hipótese/possibilidade. No trecho, o autor afirma que as leis e políticas definem (fato) quanto é extraído — não que apenas possam definir (possibilidade). A passagem que ancora a resposta é: “suas leis, políticas e acordos podem definir, em grande medida, quanto é extraído e produzido” — note que o verbo “podem” já expressa capacidade, mas o núcleo “definir” permanece no infinitivo; a forma “controlam” aparece no período anterior: “Mesmo quando governos não controlam diretamente a produção”.

O comando

A questão pede que você julgue se a troca de “controlam” por “controlem” preserva os sentidos, a correção gramatical e a coerência. Isso é uma questão de emprego dos modos verbais e de efeito de sentido: não basta saber conjugar; é preciso perceber que o modo verbal carrega a atitude do falante — certeza (indicativo) versus dúvida/hipótese (subjuntivo).

O texto e o ponto decisivo

No primeiro parágrafo, o autor discute o “paradoxo verde” e afirma que, mesmo quando os governos não controlam diretamente a produção, suas leis e políticas podem definir quanto é extraído. A forma “controlam” está no presente do indicativo, expressando um fato — uma constatação objetiva. Se trocarmos por “controlem” (presente do subjuntivo), passamos a expressar uma possibilidade, uma hipótese — como se o não controle fosse apenas uma eventualidade. Isso muda o valor de verdade do enunciado: o texto trata de uma realidade (governos que não controlam), não de uma mera suposição.

A regra que decide

O modo indicativo expressa certeza, realidade, fato; o modo subjuntivo expressa dúvida, hipótese, possibilidade, desejo. No trecho, o autor está fazendo uma constatação sobre o papel dos governos — logo, o indicativo é o modo adequado. A troca para o subjuntivo introduz uma nuance de incerteza que não existe no original, alterando o sentido. Além disso, a correlação verbal com o restante do período (“podem definir”) também é afetada: o presente do indicativo mantém a harmonia com o presente de “podem”; o subjuntivo criaria uma dissonância, pois “controlem” sugeriria uma condição não realizada.

Análise da assertiva

1Indicativo
Certeza, fato, realidade
Ex.: "controlam"
2Subjuntivo
Dúvida, hipótese, possibilidade
Ex.: "controlem"
3Efeito da troca
Altera o sentido
Fato → hipótese
Quebra a correlação com "podem"
Modos verbais
LEVELsoulevel.com.br
Modos verbais: Indicativo (Certeza, fato, realidade, Ex.: "controlam"); Subjuntivo (Dúvida, hipótese, possibilidade, Ex.: "controlem"); Efeito da troca (Altera o sentido, Fato → hipótese, Quebra a correlação com "podem")

Assertiva — ❌ Errada ⟵ GABARITO

A afirmação de que “seriam mantidos os sentidos, a correção gramatical e a coerência” é falsa. A troca de “controlam” por “controlem” altera o sentido, pois muda o modo verbal de indicativo (fato) para subjuntivo (hipótese). A correção gramatical até seria mantida (a forma “controlem” é correta), mas o sentido e a coerência seriam prejudicados, pois o texto deixaria de afirmar uma realidade para sugerir uma possibilidade. Portanto, a substituição não preserva os sentidos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a diferença entre fato (indicativo) e hipótese (subjuntivo). Muitos candidatos veem apenas a correção gramatical e esquecem que o modo verbal carrega sentido. A troca é gramaticalmente possível, mas semanticamente inadequada.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar substituições verbais, pergunte-se: o modo/tempo original expressa certeza ou hipótese? Se a troca mudar essa atitude, o sentido muda — e a assertiva estará errada.

Conclusão: a assertiva está errada, pois a substituição de “controlam” por “controlem” não mantém os sentidos do texto — altera o valor de factualidade para hipótese. Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/ce395767