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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
ce395794
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2023
Cargo
Vest ( )
Uma Amazônia sem novas hidrelétricas nem outras grandes estradas, com milhões de hectares de mata nativa restaurados e valorização do modo de vida das populações que vivem em harmonia com a floresta. Uma região que puxaria a redução de emissões de gases do efeito estufa do Brasil e distribuiria para todo o país os benefícios climáticos do fim do desmatamento, e que, ainda assim, criaria mais empregos e mais renda para sua população do que se tudo continuasse como está. O que começou como uma utopia é hoje uma proposta sólida. Se houver decisão política de colocá-lo em andamento agora, o projeto poderá completar-se daqui a cerca de trinta anos, em 2050. O estudo Nova Economia da Amazônia é resultado de um trabalho de dois anos de 76 pesquisadores brasileiros. A pergunta sobre o que fazer para impedir que a maior floresta tropical do planeta alcance o ponto de não retorno finalmente tem uma resposta sólida — e executável.   Trata-se de uma iniciativa para traduzir em números o sonho de criar uma alternativa à economia da terra desmatada, da pecuária extensiva, da monocultura da soja, das grandes hidrelétricas e dos combustíveis fósseis que dominou a Amazônia nos últimos cinquenta anos. “A ideia foi justamente fazer um cálculo matemático correto, um modelo econômico”, disse o cientista Carlos Nobre, idealizador do projeto e um dos maiores estudiosos da contribuição da floresta amazônica para o equilíbrio climático do planeta Terra.   Internet: <sumauma.com> (com adaptações).   Julgue o item a seguir, com relação às ideias do texto precedente e a seus aspectos linguísticos.   Considerando-se o tempo verbal em que estão flexionados os vocábulos “puxaria”, “distribuiria” e “criaria” no segundo período do primeiro parágrafo, é correto concluir que as referidas ações de puxar, distribuir e criar foram iniciadas e finalizadas no passado.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Futuro do Pretérito: hipótese, não passado concluído

Gabarito: letra E (Errado). Os vocábulos “puxaria”, “distribuiria” e “criaria” estão flexionados no futuro do pretérito do modo indicativo, tempo que expressa hipótese, condição ou fato futuro dependente de uma condição — e não ações iniciadas e finalizadas no passado. A conclusão do item contradiz frontalmente o valor semântico do tempo verbal, como se comprova no próprio texto: as ações são apresentadas como consequências possíveis de uma proposta, não como fatos consumados.

“Uma região que puxaria a redução de emissões de gases do efeito estufa do Brasil e distribuiria para todo o país os benefícios climáticos do fim do desmatamento, e que, ainda assim, criaria mais empregos e mais renda para sua população do que se tudo continuasse como está.”

O trecho descreve um cenário hipotético — o que a região faria se a proposta fosse implementada. O futuro do pretérito (também chamado de condicional) é o tempo da possibilidade, da suposição, do fato dependente de uma condição. Ele não indica passado concluído; indica futuro em relação a um momento passado ou, como aqui, uma consequência imaginada. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que não domina o valor do tempo verbal pode achar que a terminação “-ria” remete ao passado, quando na verdade remete à hipótese.

O comando

A questão pede que se julgue uma conclusão sobre o valor temporal dos verbos. Não se trata de compreensão de ideias do texto, mas de gramática aplicada: é preciso reconhecer o tempo e o modo verbais e saber o que eles significam. O comando é explícito: “Considerando-se o tempo verbal em que estão flexionados os vocábulos...”. A resposta depende exclusivamente do conhecimento do sistema verbal do português.

A técnica que decide

O futuro do pretérito do indicativo (puxaria, distribuiria, criaria) tem dois usos principais:

  1. Fato futuro dependente de condição: “Se houvesse decisão política, o projeto criaria empregos.”

  2. Cortesia ou incerteza: “Você poderia me ajudar?”

Em nenhum dos usos ele indica ação concluída no passado. O passado concluído é expresso pelo pretérito perfeito (puxou, distribuiu, criou) ou pelo pretérito mais-que-perfeito (puxara, distribuira, criara). A terminação “-ria” é a marca do condicional, não do passado.

No texto, os verbos aparecem em uma estrutura condicional implícita: a região puxaria, distribuiria e criaria se a proposta do estudo fosse adotada. O próprio período seguinte confirma: “Se houver decisão política de colocá-lo em andamento agora, o projeto poderá completar-se...”. Tudo é projeção futura condicionada, nunca passado.

A pegadinha

A banca arma uma troca de valor temporal: apresenta o futuro do pretérito como se fosse pretérito perfeito. O candidato que apenas reconhece a terminação “-ria” como algo do passado (por associação com o pretérito) cai na armadilha. A dica é sempre perguntar: a ação é certa, concluída, ou é hipotética, condicionada? Se for hipótese, é futuro do pretérito.

1Valor semântico
Hipótese
Condição
Incerteza/cortesia
2Usos
Fato futuro dependente de condição
Cortesia
3Não indica
Passado concluído
4Confusão comum
Pretérito perfeito (fato concluído)
Futuro do pretérito (hipótese)
Futuro do pretérito (condicional)
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Futuro do pretérito (condicional): Valor semântico (Hipótese, Condição, Incerteza/cortesia); Usos (Fato futuro dependente de condição, Cortesia); Não indica (Passado concluído); Confusão comum (Pretérito perfeito (fato concluído), Futuro do pretérito (hipótese))
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o futuro do pretérito (hipótese) e o pretérito perfeito (fato concluído). A terminação “-ria” engana quem não domina o valor semântico dos tempos verbais.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver verbos terminados em “-ria”, teste com uma condição: “Se X acontecesse, Y faria Z”. Se a frase fizer sentido, é futuro do pretérito — hipótese, não passado.

Conclusão

O item afirma que as ações “foram iniciadas e finalizadas no passado”, mas o texto as apresenta como possibilidades futuras condicionadas. O futuro do pretérito não expressa passado concluído; expressa hipótese, condição, incerteza. Portanto, a afirmação está errada.

Gabarito: letra E (Errado).

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