Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce395794
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UnB
- Ano
- 2023
- Cargo
- Vest ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). Os vocábulos “puxaria”, “distribuiria” e “criaria” estão flexionados no futuro do pretérito do modo indicativo, tempo que expressa hipótese, condição ou fato futuro dependente de uma condição — e não ações iniciadas e finalizadas no passado. A conclusão do item contradiz frontalmente o valor semântico do tempo verbal, como se comprova no próprio texto: as ações são apresentadas como consequências possíveis de uma proposta, não como fatos consumados.
“Uma região que puxaria a redução de emissões de gases do efeito estufa do Brasil e distribuiria para todo o país os benefícios climáticos do fim do desmatamento, e que, ainda assim, criaria mais empregos e mais renda para sua população do que se tudo continuasse como está.”
O trecho descreve um cenário hipotético — o que a região faria se a proposta fosse implementada. O futuro do pretérito (também chamado de condicional) é o tempo da possibilidade, da suposição, do fato dependente de uma condição. Ele não indica passado concluído; indica futuro em relação a um momento passado ou, como aqui, uma consequência imaginada. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que não domina o valor do tempo verbal pode achar que a terminação “-ria” remete ao passado, quando na verdade remete à hipótese.
A questão pede que se julgue uma conclusão sobre o valor temporal dos verbos. Não se trata de compreensão de ideias do texto, mas de gramática aplicada: é preciso reconhecer o tempo e o modo verbais e saber o que eles significam. O comando é explícito: “Considerando-se o tempo verbal em que estão flexionados os vocábulos...”. A resposta depende exclusivamente do conhecimento do sistema verbal do português.
O futuro do pretérito do indicativo (puxaria, distribuiria, criaria) tem dois usos principais:
Fato futuro dependente de condição: “Se houvesse decisão política, o projeto criaria empregos.”
Cortesia ou incerteza: “Você poderia me ajudar?”
Em nenhum dos usos ele indica ação concluída no passado. O passado concluído é expresso pelo pretérito perfeito (puxou, distribuiu, criou) ou pelo pretérito mais-que-perfeito (puxara, distribuira, criara). A terminação “-ria” é a marca do condicional, não do passado.
No texto, os verbos aparecem em uma estrutura condicional implícita: a região puxaria, distribuiria e criaria se a proposta do estudo fosse adotada. O próprio período seguinte confirma: “Se houver decisão política de colocá-lo em andamento agora, o projeto poderá completar-se...”. Tudo é projeção futura condicionada, nunca passado.
A banca arma uma troca de valor temporal: apresenta o futuro do pretérito como se fosse pretérito perfeito. O candidato que apenas reconhece a terminação “-ria” como algo do passado (por associação com o pretérito) cai na armadilha. A dica é sempre perguntar: a ação é certa, concluída, ou é hipotética, condicionada? Se for hipótese, é futuro do pretérito.
A banca explora a confusão entre o futuro do pretérito (hipótese) e o pretérito perfeito (fato concluído). A terminação “-ria” engana quem não domina o valor semântico dos tempos verbais.
Ao ver verbos terminados em “-ria”, teste com uma condição: “Se X acontecesse, Y faria Z”. Se a frase fizer sentido, é futuro do pretérito — hipótese, não passado.
O item afirma que as ações “foram iniciadas e finalizadas no passado”, mas o texto as apresenta como possibilidades futuras condicionadas. O futuro do pretérito não expressa passado concluído; expressa hipótese, condição, incerteza. Portanto, a afirmação está errada.
Gabarito: letra E (Errado).
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