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Questão de Português — Pronomes Relativos — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsPronomes Relativos
Código
ce396063
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEPLAN RR
Ano
2023
Cargo
APO ( )

A governabilidade refere-se à capacidade política de governar, que deriva da relação de legitimidade do Estado e do seu governo com a sociedade. Está presente quando a população legitima o exercício do poder pelo Estado. A legitimidade, nesse contexto, deve ser entendida como a aceitação do poder do governo ou do Estado pela sociedade.


Nesse sentido, os cidadãos e a cidadania organizada são a fonte ou a origem principal da governabilidade, ou seja, é a partir deles (e de sua capacidade de articulação em partidos, associações e demais instituições representativas) que surgem e se desenvolvem as condições para a governabilidade plena.


Vinculada à dimensão estatal, governabilidade diz respeito às condições sistêmicas e institucionais sob as quais se dá o exercício do poder, tais como as características do sistema político, a forma de governo, as relações entre os poderes, o sistema de intermediação de interesses. Representa, assim, um conjunto de atributos essenciais ao exercício do governo, sem os quais nenhum poder pode ser exercido.


Há três dimensões inerentes ao conceito de governabilidade: capacidade do governo de identificar problemas críticos e de formular políticas adequadas ao enfrentamento desses problemas, capacidade de mobilizar meios e recursos necessários à execução e à implantação das políticas públicas e capacidade de liderança do Estado, sem a qual as decisões se tornam ineficientes. A governabilidade, então, significa que o governo deve tomar decisões amparadas em um processo que inclua a participação dos diversos setores da sociedade, dos poderes constituídos, das instituições públicas e privadas e dos segmentos representativos da sociedade, para garantir que as escolhas atendam aos anseios da sociedade e contem com seu apoio na implementação de programas e projetos e na fiscalização dos serviços públicos.


Sob esse enfoque, significa a participação dos diversos setores da sociedade nos processos decisórios que dizem respeito às ações do poder público, uma vez que incorpora a articulação do aparelho estatal ao sistema político de uma sociedade, ampliando o leque possível e indispensável à legitimidade e ao suporte das ações governamentais em busca de sua eficácia.


Em resumo, governabilidade refere-se às condições do ambiente político em que se efetivam ou se devem efetivar as ações da administração, à base de legitimidade dos governos, à credibilidade e à imagem públicas da burocracia. Desse modo, o desafio da governabilidade consiste em conciliar os muitos interesses desses atores (na maioria, divergentes) e reuni-los em um objetivo comum (ou em vários objetivos comuns) a ser perseguido por todos. Assim, a capacidade de articular-se em alianças políticas e pactos sociais constitui-se em fator crítico para a viabilização dos objetivos do Estado. Essa tentativa de articulação que a governabilidade procura é uma forma de intermediação de interesses.

 

Thiago Antunes da Silva.

Conceitos e evolução da administração pública: o desenvolvimento do papel administrativo, 2017. Internet: <www.online.unisc.br> (com adaptações).

Texto CB1A1

 

No que concerne aos aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o próximo item.


No primeiro período do primeiro parágrafo, o pronome “que” retoma a expressão “capacidade política de governar”.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O pronome relativo “que” e seu antecedente no texto CB1A1

Gabarito: CERTO (C). No primeiro período do primeiro parágrafo, o pronome “que” retoma, sim, a expressão “capacidade política de governar”. A afirmação está correta porque o “que” é um pronome relativo que substitui o termo imediatamente anterior, iniciando uma oração adjetiva restritiva que caracteriza essa capacidade.

O comando da questão

A questão pede um julgamento sobre um aspecto linguístico do texto: a referência do pronome “que”. Isso é uma questão de coesão referencial — mais especificamente, de identificação do antecedente de um pronome relativo. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de análise gramatical aplicada ao texto. O comando é direto: verificar se a afirmação sobre o referente do pronome está correta.

O trecho em análise

O primeiro período do primeiro parágrafo é:

“A governabilidade refere-se à capacidade política de governar, que deriva da relação de legitimidade do Estado e do seu governo com a sociedade.”

Aqui, o pronome relativo “que” inicia a oração subordinada adjetiva “que deriva da relação de legitimidade...”. Para identificar o antecedente, basta perguntar: o que deriva da relação de legitimidade? A resposta é: a capacidade política de governar. Portanto, o “que” retoma exatamente a expressão “capacidade política de governar”.

A técnica para identificar o antecedente do pronome relativo

O pronome relativo “que” sempre se refere a um termo imediatamente anterior (ou próximo) na oração principal. A regra prática é substituir o “que” pelo termo que se supõe ser o antecedente e verificar se a frase faz sentido:

  • “A capacidade política de governar deriva da relação de legitimidade...” — faz sentido.

  • “A governabilidade deriva da relação de legitimidade...” — também faria sentido, mas o antecedente mais próximo e lógico é “capacidade política de governar”, pois é ela que “deriva” de algo.

Além disso, a oração adjetiva introduzida por “que” funciona como um adjunto adnominal do antecedente, restringindo ou explicando seu sentido. No caso, a oração “que deriva da relação de legitimidade” restringe o sentido de “capacidade política de governar”, especificando sua origem.

Por que a afirmação está correta

A banca afirma que o pronome “que” retoma “capacidade política de governar”. Isso está perfeitamente alinhado com a estrutura sintática do período. O pronome relativo substitui o antecedente para evitar repetição e conectar as orações, e aqui o antecedente é inequívoco: é a expressão “capacidade política de governar”.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de pronome relativo, sempre faça a substituição do “que” pelo suposto antecedente e veja se a oração resultante mantém o sentido. Se sim, o antecedente está correto.

Conclusão

A afirmativa está correta porque o pronome relativo “que” tem como antecedente a expressão “capacidade política de governar”, como se comprova pela substituição e pela lógica do período. Não há qualquer ambiguidade ou erro na referência.

Gabarito: CERTO (C).

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