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Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsSinônimos e Antônimos
Código
ce396107
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CBM TO
Ano
2023
Cargo
Sold ( )

As cidades são como os seres humanos: têm um corpo e têm uma alma. Talvez muitas almas, porque o corpo é um albergue onde moram muitas almas, todas diferentes em ideias e sentimentos, todas com a mesma cara. O corpo das cidades são as ruas, as praças, os carros, as lojas, os bancos, os escritórios, as fábricas, as coisas materiais. A alma, ao contrário, são os pensamentos e os sentimentos dos que nela moram. Há corpos perfeitos com almas feias e são como um violino Stradivarius em mãos de quem não gosta de música e não sabe tocar. Mas pode acontecer o contrário: um corpo tosco com alma bonita. Aí é como acontecia com as rabecas do querido Gramanni. Rabecas são violinos rústicos fabricados por artesãos desconhecidos. Mas o Gramanni era capaz de tocar Bach nas suas rabecas... O mesmo vale para as cidades: cidades bonitas por fora e com almas feias, cidades rústicas por fora com almas bonitas. Onde se podem encontrar as almas das cidades? Eu as encontro bonitas nas feiras, nas bancas de legumes e frutas, no mercadão, no sacolão. Esses são lugares onde acontecem reencontros felizes. Também na feira de artesanato, nos jardins onde há crianças, nos concertos... Mas elas aparecem assustadoras nas torcidas de futebol e no tráfego... Ah, o tráfego! É nele que a alma da cidade aparece mais nua. Pensei nisso na semana que passei em Portugal. Lembrei-me que há lugares onde os motoristas sabem que o pedestre tem sempre a preferência. Eles param para que o pedestre passe. Um amigo me contou de sua experiência em Munique: desceu da calçada, pôs os pés no asfalto e, para seu espanto, viu que todos os carros pararam para que ele atravessasse a rua. Sempre que paro meu carro para que o pedestre passe, percebo a surpresa no seu rosto. Não acredita. É preciso que eu faça um gesto com a mão para que ele se atreva.

 

Não é incomum ver um motorista acelerar o carro ao ver um pedestre atravessando a rua. Disseram-me que existe mesmo um video game cuja sensação está em atropelar os pedestres. As cidades voltarão a ser bonitas quando os motoristas compreenderem que o natural é andar a pé. Os pedestres devem ter sempre a preferência.

 

Rubem Alves. Cidades. In: Ostra feliz não faz pérola. São Paulo:

Editora Planeta do Brasil, 2008 (com adaptações).

Texto 2A1-I

   

Sem alteração da coerência das ideias do texto 2A1-I, a palavra “incomum”, no trecho “Não é incomum ver um motorista acelerar o carro ao ver um pedestre atravessando a rua”, poderia ser substituída por

  1. Acorriqueiro.
  2. Bbanal.
  3. Ctrivial.
  4. Destranho.
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GabaritoD — estranho.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinônimos e Antônimos: "incomum" no contexto

Gabarito: letra D. A palavra "incomum" poderia ser substituída por "estranho" sem alterar a coerência das ideias do texto, pois ambas expressam a ideia de algo que foge ao comum, ao esperado. A substituição é válida porque o trecho "Não é incomum ver um motorista acelerar o carro ao ver um pedestre atravessando a rua" descreve uma situação que, embora aconteça, é considerada anormal, contrária ao que deveria ser natural — e é exatamente esse o sentido de "estranho". As demais alternativas (corriqueiro, banal, trivial) são antônimas de "incomum", pois significam "comum, frequente, normal", o que inverteria o sentido do trecho.

O Comando

A questão pede uma substituição vocabular que preserve a coerência do texto. Isso significa que a palavra escolhida deve manter o mesmo sentido da original no contexto específico em que aparece. Não se trata de encontrar um sinônimo perfeito de dicionário, mas de verificar se a troca não altera a ideia que o autor quis transmitir naquele trecho.

O Texto e o Contexto

O texto de Rubem Alves discute a "alma" das cidades e critica comportamentos urbanos, especialmente no trânsito. O autor contrasta a atitude de motoristas que respeitam pedestres (como em Portugal e Munique) com a realidade brasileira, onde "não é incomum" ver motoristas acelerando para não dar passagem. A expressão "não é incomum" é uma dupla negação que significa "é comum, é frequente". No entanto, a palavra "incomum" isolada tem sentido de "raro, extraordinário, que foge ao normal". A substituição por "estranho" mantém essa ideia de algo que destoa do esperado, pois o autor considera que o motorista que acelera contra o pedestre age de forma anormal, contrária ao natural (que seria dar preferência ao pedestre).

A Técnica: Sinonímia e Antonímia em Contexto

Sinônimos são palavras com significados próximos, mas não idênticos; a substituição só é válida se no contexto o sentido for preservado. Antônimos são palavras com significados opostos. No trecho, "incomum" é um adjetivo que qualifica a ação de "ver um motorista acelerar". A dupla negação "não é incomum" equivale a "é comum", mas a palavra "incomum" sozinha carrega a ideia de exceção, anormalidade. "Estranho" também carrega essa ideia de algo que foge ao padrão, que causa estranheza. Já "corriqueiro", "banal" e "trivial" são sinônimos de "comum", ou seja, antônimos de "incomum". Se substituíssemos "incomum" por qualquer uma delas, a frase "Não é corriqueiro ver..." significaria "não é comum ver", o que inverteria completamente o sentido pretendido pelo autor, que afirma que essa cena é frequente.

Análise das Alternativas

"Incomum" no contexto
  • 1Sentido: foge ao comum/esperado
    • Sinônimo contextual: "estranho"
    • Antônimos: corriqueiro, banal, trivial
  • 2Dupla negação "não é incomum"
    • = "é comum/frequente"
    • Substituição por antônimo inverteria o sentido
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Corriqueiro" significa "frequente, habitual, comum". É antônimo de "incomum". Substituir "incomum" por "corriqueiro" na frase "Não é incomum ver..." resultaria em "Não é corriqueiro ver...", ou seja, "não é comum ver", o que contradiz o texto, que afirma que essa cena é frequente. A alternativa inverte o sentido do trecho.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Banal" também significa "comum, trivial, que não tem originalidade". É antônimo de "incomum". A substituição geraria "Não é banal ver...", que significa "não é comum ver", alterando a coerência e contrariando a ideia de que o comportamento é frequente. A alternativa inverte o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Trivial" é sinônimo de "comum, banal, corriqueiro". Assim como as anteriores, é antônimo de "incomum". A troca resultaria em "Não é trivial ver...", que significa "não é comum ver", invertendo o sentido e quebrando a coerência com o restante do texto, que critica a frequência desse comportamento. A alternativa inverte o sentido.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Estranho" significa "que foge ao comum, ao habitual, que causa estranheza". É um sinônimo contextual de "incomum", pois ambos expressam a ideia de anormalidade, exceção. No trecho, "Não é incomum ver..." significa "não é raro ver...", ou seja, é frequente, mas o autor considera essa frequência algo anormal, contrário ao natural (que seria dar preferência ao pedestre). "Estranho" capta exatamente essa ideia de algo que não deveria ser normal. A substituição por "estranho" mantém a coerência, pois a frase "Não é estranho ver..." continua expressando que essa cena é frequente e, ao mesmo tempo, anormal.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição vocabular, desconfie de sinônimos óbvios que, no contexto, podem ser antônimos. Teste sempre a substituição na frase original e veja se o sentido permanece o mesmo ou se inverte.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a dupla negação "não é incomum" para confundir: as alternativas A, B e C são sinônimos de "comum", que é o oposto de "incomum". O candidato desatento pode pensar que "corriqueiro" é sinônimo de "incomum" por associação com "não é incomum = é comum", mas a substituição direta de "incomum" por "corriqueiro" inverte o sentido.

Conclusão: A única alternativa que preserva o sentido de "incomum" no contexto é "estranho" (letra D). As demais são antônimas e inverteriam a ideia do texto. Lembre-se: sinônimo em contexto é aquele que mantém a coerência, não o que parece equivalente no dicionário.

Gabarito: letra D

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