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Questão de Português — Sujeito — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsSujeito
Código
ce396131
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ ES
Ano
2023
Cargo
AJ 02 ( )

Falar ou escrever sobre Antonio Candido é, para mim, extremamente difícil. A geração à qual pertenço não seria a mesma sem a sua presença e influência. Eu próprio não seria o mesmo se a vida não me pusesse em contato com Antonio Candido, com o seu carinho, a sua severidade íntegra, a sua modéstia e o seu orgulho intelectual — enfim, a sua personalidade de educador, que se irradia irresistível, como uma exigência de perfeição e de compromisso crítico. Uma existência fecunda, devotada ao estudo, ao cultivo do talento dos jovens, ao ensino, ao florescimento da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, à contestação socialista constante e à esperança de que o Brasil venceria, por meio dos mais humildes e dos trabalhadores, as tragédias de sua dependência e o subdesenvolvimento. Sem alarde, sempre esteve na vanguarda ousada, realizando tarefas simples e complexas, escondendo-se no anonimato, mas enfrentando, sem se perturbar, todos os riscos. Duas ditaduras e muitas incompreensões cercaram a sua atuação inconformista, pois escapava à sua posição na sociedade e ao controle das elites para servir às causas da justiça social, dos jovens e dos oprimidos.


Em sua carreira, percorreu três estações: a de agitador de ideias por meio dos ensaios jornalísticos; a de professor e pesquisador no campo da sociologia; a de professor de literatura comparada e do invento literário, na qual se notabilizou convertendo a crítica literária em forma de criação cultural e em ramo da literatura.


Escapou aos ismos, que circulavam nos ambientes acadêmicos, e forjou recursos complexos de explicação, integrativos e de síntese, que demarcam a obra da inteligência erudita e criadora, que, em outros tempos, se caracterizariam como a ciência da produção literária. Em nossos dias, de resistência ao positivismo e ao cientificismo, tal preocupação desvaneceu-se. O que não impede de trazê-la à baila, para que se possa conferir à razão como dar conta da categoria de saber a que chegou Antonio Candido, por seus méritos, sua capacidade de trabalho e seu espírito inventivo.


Florestan Fernandes. A contestação necessária. São Paulo: Expressão Popular, 2015, p. 107-108 (com adaptações).

Texto 20A2-I

 

Tendo como referência aspectos estruturais e linguísticos do texto 20A2-I, julgue o item que se segue.

 

No primeiro período do terceiro parágrafo, os sujeitos sintáticos das formas verbais “circulavam” e “demarcam” são correferentes.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sujeitos sintáticos de “circulavam” e “demarcam” — correferência?

Gabarito: ERRADO (E). Os sujeitos das formas verbais “circulavam” e “demarcam” não são correferentes: o sujeito de “circulavam” é “os ismos”, enquanto o de “demarcam” é “recursos complexos de explicação, integrativos e de síntese”. A afirmação do item é falsa porque atribui a ambos os verbos o mesmo referente, o que não se sustenta na estrutura do período.

“Escapou aos ismos, que circulavam nos ambientes acadêmicos, e forjou recursos complexos de explicação, integrativos e de síntese, que demarcam a obra da inteligência erudita e criadora”

A citação mostra dois pronomes relativos “que” com antecedentes distintos: o primeiro retoma “ismos” (sujeito de “circulavam”); o segundo retoma “recursos complexos de explicação, integrativos e de síntese” (sujeito de “demarcam”). Logo, os sujeitos são diferentes — não há correferência.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento Certo/Errado sobre um aspecto sintático do texto: a correferência entre os sujeitos de dois verbos. Isso não é uma questão de interpretação de sentido, mas de análise sintática — é preciso identificar, dentro do período, qual termo exerce a função de sujeito de cada verbo e comparar os referentes. A técnica central é: localize o verbo, pergunte “quem?” pratica a ação e confira se o termo encontrado é o mesmo para os dois verbos.

A estrutura do período

O primeiro período do terceiro parágrafo é:

“Escapou aos ismos, que circulavam nos ambientes acadêmicos, e forjou recursos complexos de explicação, integrativos e de síntese, que demarcam a obra da inteligência erudita e criadora”

Temos dois verbos no plural: “circulavam” e “demarcam”. Cada um é introduzido por um pronome relativo “que”, que retoma um antecedente específico:

  • “que circulavam” → o “que” retoma “ismos” (os ismos circulavam nos ambientes acadêmicos).

  • “que demarcam” → o “que” retoma “recursos complexos de explicação, integrativos e de síntese” (esses recursos demarcam a obra).

Como os antecedentes são diferentes, os sujeitos são diferentes. A correferência exigiria que ambos os verbos tivessem o mesmo sujeito — o que não ocorre.

A armadilha da banca

A pegadinha está em o candidato ler o período rapidamente e supor que, por haver dois “que” em sequência, ambos retomam o mesmo termo. Mas cada pronome relativo tem seu próprio antecedente, e é exatamente isso que a questão testa. A banca explora a troca de referente: quem não identifica o antecedente de cada “que” tende a marcar “Certo”, achando que os sujeitos são os mesmos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na leitura superficial — dois “que” próximos parecem retomar o mesmo termo, mas cada um tem antecedente próprio. Identifique o referente de cada pronome relativo antes de julgar.

Análise da alternativa

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que os sujeitos de “circulavam” e “demarcam” são correferentes é falsa. Como demonstrado, o sujeito de “circulavam” é “ismos” e o de “demarcam” é “recursos complexos de explicação, integrativos e de síntese”. São referentes distintos, portanto não há correferência. A alternativa erra ao trocar o referente de um dos pronomes relativos, tratando-os como se apontassem para o mesmo termo.

Alternativa E — ✅ Correta

A afirmativa é falsa, e é exatamente isso que a alternativa E reconhece. Os sujeitos não são correferentes, pois cada verbo tem um sujeito próprio, retomado por pronomes relativos com antecedentes diferentes. A alternativa E está correta ao negar a correferência.

Conclusão

A questão exige análise sintática precisa: identificar o antecedente de cada pronome relativo e verificar se os sujeitos coincidem. Como os referentes são distintos, o item é ERRADO. A regra de ouro: todo pronome relativo retoma um termo específico — nunca assuma que dois “que” apontam para o mesmo lugar sem conferir.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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