Adjunto adverbial de tempo no texto CG1A1-I
Gabarito: letra C. O segmento “depois de tantos meses de desesperança” exerce função sintática de adjunto adverbial de tempo, pois indica quando o céu escureceu bonito — ou seja, após um longo período de seca. A passagem que ancora essa leitura está no segundo parágrafo: “E vendo o céu escurecer bonito, depois de tantos meses de desesperança, os compadres diziam que eu lhes levara o inverno nas malas.” A locução prepositiva “depois de” introduz uma circunstância temporal, respondendo à pergunta “quando?”.
O comando da questão
O enunciado pede que se identifique o segmento que exerce a função de adjunto adverbial de tempo. Isso é uma questão de análise sintática — não de interpretação de sentido global do texto. O foco está em reconhecer a função do termo dentro da oração, e não em compreender a tese do autor. Para resolver, é preciso saber que o adjunto adverbial é o termo que modifica o verbo, o adjetivo ou o advérbio, indicando circunstância (tempo, lugar, modo, causa etc.). A pergunta-chave para o adjunto adverbial de tempo é “quando?”.
O texto e o movimento argumentativo
O texto de Rachel de Queiroz narra a chegada de uma chuva inesperada no Nordeste, após um longo período de seca. No segundo parágrafo, a autora descreve o momento em que vê o céu escurecer e os compadres atribuem a ela a vinda da chuva. É exatamente nesse trecho que aparece a expressão “depois de tantos meses de desesperança”, que localiza temporalmente a ação de “ver o céu escurecer”. A expressão não caracteriza um substantivo (não é adjunto adnominal), não completa o sentido de um verbo (não é objeto), mas sim acrescenta uma circunstância de tempo ao verbo “ver”.
A técnica que decide
Para identificar um adjunto adverbial de tempo, pergunte ao verbo: quando? No trecho, “vendo o céu escurecer bonito” — quando? Depois de tantos meses de desesperança. A resposta é uma locução adverbial de tempo, introduzida pela locução prepositiva “depois de”. Essa é a prova sintática: o termo modifica o verbo, indicando o momento em que a ação ocorre. As demais alternativas falham porque exercem outras funções: “precoce” e “tardio” são adjetivos (adjuntos adnominais), “o inverno nas malas” é objeto direto, e “um século” é parte de uma locução adverbial de tempo, mas o segmento isolado “um século” não é o adjunto — o adjunto é “há exatamente um século”.
Alternativa A — ❌ Incorreta
“precoce” é um adjetivo que caracteriza o substantivo “feijão” no último parágrafo: “Talvez feijão, desse precoce que dá em dois meses.” Ele exerce função de adjunto adnominal, pois qualifica o substantivo, e não de adjunto adverbial. Não indica tempo, mas uma qualidade do feijão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“o inverno nas malas” é o objeto direto do verbo “levar” na oração “os compadres diziam que eu lhes levara o inverno nas malas”. O núcleo “inverno” recebe a ação de “levar”, e “nas malas” é adjunto adverbial de lugar. O segmento como um todo não é adjunto adverbial de tempo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“depois de tantos meses de desesperança” é uma locução adverbial de tempo. Ela modifica o verbo “ver” (vendo o céu escurecer), indicando quando isso aconteceu: após meses de desesperança. A pergunta “quando?” é respondida exatamente por esse segmento. Veja o trecho:
“E vendo o céu escurecer bonito, depois de tantos meses de desesperança, os compadres diziam que eu lhes levara o inverno nas malas.”
A locução prepositiva “depois de” introduz a circunstância temporal, confirmando a função de adjunto adverbial de tempo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“um século” aparece em “há exatamente um século”, que é uma locução adverbial de tempo. No entanto, o segmento isolado “um século” é apenas o núcleo dessa locução, funcionando como complemento do verbo “haver” (no sentido de tempo decorrido). A função de adjunto adverbial é exercida pela locução inteira “há exatamente um século”, não pelo segmento isolado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“tardio” é um adjetivo que caracteriza o substantivo “inverno” no último parágrafo: “Mas ninguém espere muito de um inverno assim tardio.” Ele exerce função de adjunto adnominal, pois qualifica o substantivo, e não de adjunto adverbial. Não indica tempo, mas uma característica do inverno.
Fechamento
A questão testa a capacidade de distinguir a função sintática dos termos. A chave é sempre perguntar: o termo modifica o verbo (adjunto adverbial), caracteriza um substantivo (adjunto adnominal) ou completa o sentido de um verbo (objeto)? No caso, “depois de tantos meses de desesperança” responde a “quando?” e modifica o verbo, sendo, portanto, adjunto adverbial de tempo.
Gabarito: letra C.