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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
ce396155
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Boa Vista
Ano
2023
Cargo
GCM (Boa Vista)

Em Roraima, atualmente, há centenas de sítios arqueológicos conhecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), muitos deles já cadastrados noSistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG), banco de dados utilizado pelo referido instituto, no qual são inseridas informações relativas aos sítios arqueológicos identificados. Entretanto, ainda há uma grande quantidade de sítios arqueológicos cujas localizações são imprecisas ou desconhecidas, motivo pelo qual são desenvolvidos projetos de recadastramento/georreferenciamento e sinalização. Essas ações, além de assegurarem uma maior precisão às informações dos sítios já conhecidos, contribuem para que novos sítios sejam identificados e, assim, cadastrados.

 

As informações sobre os sítios arqueológicos chegam ao conhecimento do IPHAN por meio da própria comunidade, especialmente das comunidades indígenas, e também por meio dos projetos ligados ao licenciamento ambiental.

 

As datações arqueológicas obtidas para o estado de Roraima remontam ao período pré-colonial e também ao pré-histórico, como é o caso dos sítios Arara Vermelha (em São Luiz do Anauá), Pedra Pintada (Pacaraima) e Ruínas do Forte São Joaquim do Rio Branco (Bonfim).

 

O sítio Arara Vermelha, também conhecido como Pedra do Sol, é um abrigo sob rocha com um conjunto diversificado de gravuras rupestres (marcas realizadas por pessoas nas superfícies das rochas com ferramentas feitas de pedra retirada de matéria rochosa), em que predominam temáticas abstrato-geométricas, sendo as zoomorfas (formas de animais) e as antropomorfas (formas humanas) encontradas em menor quantidade. O sítio é uma importante fonte de estudo para a arqueologia amazônica por ser um dos poucos locais conhecidos na região onde há gravuras em abrigo, associadas a um depósito sedimentar com alto potencial arqueológico e bem preservado.

 

Internet: <www.gov.br> (com adaptações).

Texto CG1A1-I

 

A correção gramatical e o sentido do texto CG1A1-I seriam mantidos caso a forma verbal “há”, em “há gravuras em abrigo”, fosse substituída por

  1. Apodem haver.
  2. Btinham.
  3. Cexistiu.
  4. Dexistem
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GabaritoD — existem

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "há" por "existem": a concordância que decide

Gabarito: letra D. A substituição de "há" por "existem" mantém a correção gramatical e o sentido, porque o verbo "existir" é pessoal e deve concordar com o sujeito plural "gravuras em abrigo". No trecho original, "há" é o verbo haver com sentido de existir — impessoal, invariável — e "gravuras" é objeto direto; ao trocar por "existem", "gravuras" passa a ser sujeito, e o verbo flexiona no plural. A passagem que ancora a resposta está no 4º parágrafo: "há gravuras em abrigo, associadas a um depósito sedimentar".

O comando: o que a banca pede

A questão é de reescritura com manutenção de sentido e correção gramatical. O verbo "substituída" no enunciado indica que você deve testar cada alternativa no lugar de "há" e verificar duas coisas: (1) a frase continua gramaticalmente correta e (2) o sentido permanece o mesmo. Não basta a palavra ser sinônima — ela precisa se encaixar na estrutura sintática do trecho.

O texto: onde mora a resposta

O trecho relevante é o último parágrafo, que descreve o sítio Arara Vermelha:

"O sítio é uma importante fonte de estudo para a arqueologia amazônica por ser um dos poucos locais conhecidos na região onde há gravuras em abrigo, associadas a um depósito sedimentar com alto potencial arqueológico e bem preservado."

Aqui, "há" = "existem". O sujeito lógico é "gravuras em abrigo" (plural). No original, como o verbo é impessoal, não há sujeito; o termo "gravuras" é objeto direto. Na reescrita com "existem", a estrutura muda: "gravuras" vira sujeito e o verbo concorda no plural.

A técnica: a regra que decide

Verbo HAVER (sentido de existir): é impessoal — não tem sujeito, fica sempre na 3ª pessoa do singular. Ex.: Há muitos sítios em Roraima. ("muitos sítios" é objeto direto).

Verbo EXISTIR: é pessoal — tem sujeito e concorda com ele em número e pessoa. Ex.: Existem muitos sítios em Roraima. ("muitos sítios" é sujeito).

Locução verbal com HAVER: quando o verbo "haver" (impessoal) entra em locução, ele transmite a impessoalidade ao verbo auxiliar — ou seja, o auxiliar também fica no singular. Ex.: Pode haver gravuras. (correto) / Podem haver gravuras. (errado).

Locução verbal com EXISTIR: o verbo "existir" é pessoal, então o auxiliar concorda com o sujeito. Ex.: Podem existir gravuras. (correto) / Pode existir gravuras. (errado).

A pegadinha da banca está exatamente aí: quem decora "haver não varia" pode achar que "podem haver" está certo, mas a regra da locução é diferente — o auxiliar varia quando o verbo principal é pessoal (existir), e não varia quando o principal é impessoal (haver).

Análise das alternativas

Verbo "haver" (existir)
  • 1Impessoal
    • Sem sujeito
    • Sempre 3ª singular
    • Em locução: auxiliar fica singular
      • "pode haver"
      • "podem haver"
  • 2Verbo "existir"
    • Pessoal
      • Tem sujeito
      • Concorda com o sujeito
      • Em locução: auxiliar concorda
        • "podem existir"
        • "pode existir"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"podem haver" — Errada. Em locução verbal, o verbo "haver" (impessoal) transmite a impessoalidade ao auxiliar "podem", que deveria ficar no singular: "pode haver". A forma "podem haver" viola a concordância. Além disso, o sentido de "haver" como existir é mantido, mas a gramática falha. Erro: contradiz a regra de concordância em locução com verbo impessoal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"tinham" — Errada. O verbo "ter" no sentido de existir é impessoal (equivalente a "haver"), então deveria ser "tinha" (singular). Além disso, "tinham" muda o tempo verbal para pretérito imperfeito, alterando o sentido temporal do texto, que está no presente. Erro: troca de tempo verbal e concordância incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"existiu" — Errada. O verbo "existir" é pessoal e deve concordar com o sujeito "gravuras" (plural): "existiram". Além disso, "existiu" está no pretérito perfeito, alterando o tempo verbal — o texto fala de uma característica atual do sítio. Erro: concordância de número e tempo verbal incorretos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"existem" — Correta. O verbo "existir" concorda com o sujeito plural "gravuras em abrigo": existem gravuras. O sentido de existência é mantido, e o tempo presente é preservado. A reescrita fica: "onde existem gravuras em abrigo". Perfeita do ponto de vista gramatical e semântico.

Fechamento

A regra de ouro: verbo "haver" no sentido de existir é impessoal (singular); verbo "existir" é pessoal (concorda com o sujeito). Em locução, o auxiliar segue a natureza do verbo principal. Teste sempre a substituição na frase e confira se a concordância e o tempo verbal se mantêm.

NÃO CAIA NESSA!

Ao substituir "há" por outro verbo, pergunte: "quem pratica a ação?" Se não houver sujeito (haver), fica no singular; se houver sujeito (existir), concorde com ele. E desconfie de "podem haver" — é a pegadinha clássica da banca.

Gabarito: letra D.

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