Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Advérbio — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsAdvérbio
Código
ce396186
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Recife
Ano
2023
Cargo
Prof II( )

O Brasil é um dos países com maior proporção de alunos matriculados em cursos de formação de professores, mas com um dos mais baixos índices de interesse na profissão. Para especialistas, isso mostra que a docência se torna opção pela facilidade em ingressar no ensino superior, pelas baixas mensalidades e pela alternativa de cursos a distância — não pela vocação.


Estudos internacionais mostram que um bom professor é um dos fatores que mais influenciam na aprendizagem. Os dados são de pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que traçou o perfil de quem estuda para ser professor na América Latina e no Caribe. Enquanto, no Brasil, 20% dos universitários estão em cursos como licenciatura e pedagogia, na América Latina são 10% e, em países desenvolvidos, 8%.


Em compensação, só 5% dos jovens brasileiros dizem querer ser professores quando estão no ensino médio. E, apesar da grande quantidade de alunos matriculada em cursos de licenciatura e pedagogia no Brasil, faltam docentes para lecionar disciplinas específicas em áreas de ciências exatas e da natureza.


Na Coreia do Sul, por exemplo, 21% se interessam pela profissão e só 7% ingressam, de fato, na universidade, porque há muita concorrência e maior seleção. No Chile e no México, os dois índices são mais próximos: cerca de 7% se interessam pelo magistério e menos de 15% cursam pedagogia ou licenciatura.


“Muitos alunos concluintes do ensino médio entram em programas de formação de professores para conseguir um título”, diz o economista chefe da divisão de educação no BID, Gregory Elacqua. Ele afirma que isso não é bom para a educação.


“A gente atrai as pessoas mais vulneráveis e que lá na frente vão enfrentar o desafio de educar crianças vulneráveis também”, diz a diretora de políticas públicas do Instituto Península, que atua na área de formação de professores, Mariana Breim. “Se é este público que está procurando a docência, temos de abraçá-lo e fazê-lo se apaixonar por ela”, completa. Os dados mostram que 71% dos estudantes de pedagogia e licenciatura no Brasil são mulheres, índice semelhante ao verificado em outros países latinos.


Internet: <noticias.uol.com.br> (com adaptações).

Texto 8A1-I

 

Julgue o item seguinte, relativo à classificação gramatical de palavras, à pontuação e à sintaxe de concordância e regência no texto 8A1-I.


A palavra “muita” (primeiro período do quarto parágrafo), que expressa intensidade, pertence à classe gramatical dos advérbios.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação gramatical de "muita" no texto

Gabarito: letra E (Errado). A palavra "muita" no trecho "há muita concorrência" não é advérbio, mas pronome indefinido (adjetivo indefinido), pois acompanha e modifica o substantivo "concorrência". A afirmação de que "muita" pertence à classe dos advérbios contradiz a função que a palavra exerce no texto, como se lê no quarto parágrafo.

O comando da questão

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre a classificação gramatical da palavra "muita" no primeiro período do quarto parágrafo. O enunciado afirma que "muita" expressa intensidade e, por isso, seria advérbio. A tarefa é verificar se essa classificação está correta no contexto específico do texto — não em abstrato. Isso exige analisar a função sintático-semântica da palavra na frase em que ocorre.

O texto e a passagem decisiva

No quarto parágrafo, lê-se:

"Na Coreia do Sul, por exemplo, 21% se interessam pela profissão e só 7% ingressam, de fato, na universidade, porque há muita concorrência e maior seleção."

A palavra "muita" está diretamente ligada ao substantivo "concorrência", formando com ele um sintagma nominal. Ela acompanha o substantivo, indicando quantidade de forma vaga/indefinida — função típica de pronome indefinido (ou adjetivo indefinido, conforme a nomenclatura). Não está modificando verbo, adjetivo ou outro advérbio, que é o papel exclusivo do advérbio.

A regra que decide

Advérbio é a palavra invariável que modifica o sentido de verbo, adjetivo ou outro advérbio, acrescentando circunstância (modo, tempo, intensidade, etc.). Quando uma palavra modifica um substantivo, ela não é advérbio — é adjetivo ou pronome (adjetivo).

No trecho, "muita" poderia ser substituída por "grande" ou "intensa" ("há grande concorrência"), o que confirma sua função adjetiva. Se fosse advérbio, modificaria um verbo ("correu muito"), um adjetivo ("muito bonita") ou outro advérbio ("muito rapidamente") — nenhum desses casos ocorre aqui.

A banca explora uma confusão clássica: a palavra "muito" (e suas variações "muita", "muitos", "muitas") pode ser advérbio quando invariável e modifica verbo/adjetivo/advérbio, mas é pronome indefinido quando varia em gênero e número e acompanha um substantivo. No texto, "muita" varia (feminino singular) e acompanha "concorrência" — logo, é pronome indefinido, não advérbio.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na ambiguidade da palavra "muito/muita", que pode ser advérbio ou pronome indefinido. A armadilha é classificar pela ideia de "intensidade" sem verificar o que a palavra modifica no contexto. A variação de gênero/número e a presença de um substantivo logo após são as pistas decisivas.

Análise do item

1O que modifica?
Substantivo "concorrência"
Forma sintagma nominal
2Características
Varia em gênero/número
Equivale a "grande"
3Classificação
Pronome indefinido (adjetivo indefinido)
Não é advérbio
4Advérbio (para contrastar)
Invariável
Modifica verbo, adjetivo ou advérbio
Ex.: "correu muito", "muito bonita"
"Muita" no texto
LEVELsoulevel.com.br
"Muita" no texto: O que modifica? (Substantivo "concorrência", Forma sintagma nominal); Características (Varia em gênero/número, Equivale a "grande"); Classificação (Pronome indefinido (adjetivo indefinido), Não é advérbio); Advérbio (para contrastar) (Invariável, Modifica verbo, adjetivo ou advérbio, Ex.: "correu muito", "muito bonita")

Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação está errada porque "muita" não é advérbio no contexto. No trecho "há muita concorrência", a palavra:

  • varia em gênero e número (muita/muitas/muito/muitos) — advérbio é invariável;

  • acompanha o substantivo "concorrência", formando com ele um sintagma nominal;

  • equivale a "grande" ("há grande concorrência"), o que revela função adjetiva.

Portanto, "muita" é pronome indefinido (adjetivo indefinido), e não advérbio. A ideia de "intensidade" que o enunciado menciona é apenas semântica (indica quantidade elevada), mas a classe gramatical se define pela função na frase, não pelo sentido isolado.

Conclusão

A questão ensina uma lição central da morfologia: a classe gramatical de uma palavra só se determina no contexto. "Muita" pode ser advérbio em "Ela estuda muita rápido" (invariável, modifica advérbio), mas no texto é pronome indefinido porque acompanha o substantivo "concorrência". Sempre que a banca afirmar que uma palavra é advérbio, pergunte: o que ela modifica? Se modificar substantivo, não é advérbio.

Gabarito: letra E (Errado).

Link permanente: /questoes/ce396186