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Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsOrações Subordinadas Adjetivas
Código
ce396193
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Recife
Ano
2023
Cargo
Prof II( )

Os mediadores de leitura são aquelas pessoas que estendem pontes entre os livros e os leitores, ou seja, que criam as condições para fazer com que seja possível que um livro e um leitor se encontrem. A experiência de encontrar os livros certos nos momentos certos da vida, esses livros que nos fascinam e que nos vão transformando em leitores paulatinamente, não tem uma rota única nem uma metodologia específica; por isso, os mediadores de leitura não são fáceis de definir. No entanto, basta lembrar como descobrimos, nos primeiros anos da vida, esses livros que deixaram rastros em nossa infância e, talvez, aparecerão nítidas algumas figuras que foram nossos mediadores de leitura: esses adultos íntimos que deram vida às páginas de um livro, essas vozes que liam para nós, essas mãos e esses rostos que nos apresentavam os mundos possíveis e as emoções dos livros.


Os mediadores de leitura, consequentemente, não estão somente na escola, mas no lar, nas bibliotecas e nos espaços não convencionais, como os parques, os hospitais e as ludotecas, entre outros lugares. Durante a primeira infância, quando a criança não lê sozinha, a leitura é um trabalho em parceria e o adulto é quem vai dando sentido a essas páginas que, para o bebê, não seriam nada, sem sua presença e sua voz. Então, os primeiros mediadores de leitura são os pais, as mães, os avós e os educadores da primeira infância e, aos poucos, à medida que as crianças se aproximam da língua escrita, vão se somando outros professores, a exemplo dos bibliotecários, dos livreiros e dos diversos adultos que acompanham a leitura das crianças.


Não é fácil reduzir o trabalho do mediador de leitura a um manual de funções. Seu ofício essencial é ler de muitas formas possíveis: em primeiro lugar, para si mesmo, porque um mediador de leitura é um leitor sensível e perspicaz, que se deixa tocar pelos livros, que desfruta e que sonha em compartilhá-los com outras pessoas. Em segundo lugar, um mediador cria rituais, momentos e atmosferas propícias para facilitar os encontros entre livros e leitores. Às vezes, pode fazer a hora do conto e ler em voz alta uma ou várias histórias a um grupo, mas, outras vezes, propicia leituras íntimas e solitárias ou encontros em pequenos grupos. Assim, em certas ocasiões, conversa ou recomenda algum livro; em outras, permanece em silêncio ou se oculta para deixar que livro e leitor conversem.


Por isso, além de livros, um mediador de leitura lê seus leitores: quem são, o que sonham e o que temem, e quais são esses livros que podem criar pontes com suas perguntas, com seus momentos vitais e com essa necessidade de construir sentido que nos impulsiona a ler, desde o começo e ao longo da vida.


Internet:<https://www.ceale.fae.ufmg.br/> (com adaptações).

Texto 8A2-I

 

Julgue o item a seguir, referentes às estruturas linguísticas do texto 8A2-I.

 

No segundo período do primeiro parágrafo, as orações “que nos fascinam e que nos vão transformando em leitores paulatinamente” são classificadas como adjetivas explicativas, pois qualificam e explicam o termo antecedente, “esses livros”.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação das orações subordinadas adjetivas: restritivas × explicativas

Gabarito: ERRADO (E). As orações “que nos fascinam e que nos vão transformando em leitores paulatinamente” não são adjetivas explicativas, mas sim restritivas, pois restringem o sentido do antecedente “esses livros”, indicando quais livros são capazes de fascinar e transformar o leitor. O critério decisivo é a ausência de vírgulas: orações adjetivas explicativas vêm separadas por vírgulas, o que não ocorre no trecho. Como se lê no primeiro parágrafo:

“esses livros que nos fascinam e que nos vão transformando em leitores paulatinamente”

A ausência de pontuação entre o substantivo e as orações é a pista formal que as classifica como restritivas.

O comando

A questão pede um julgamento (Certo/Errado) sobre a classificação sintática de duas orações introduzidas pelo pronome relativo “que”. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática aplicada ao texto: é preciso identificar a função das orações em relação ao termo antecedente e aplicar a regra que distingue restritivas de explicativas.

O texto

O trecho analisado está no segundo período do primeiro parágrafo: “A experiência de encontrar os livros certos nos momentos certos da vida, esses livros que nos fascinam e que nos vão transformando em leitores paulatinamente, não tem uma rota única...”. O autor fala de “esses livros” — um grupo específico, já delimitado pelo contexto (os livros certos, que deixam rastros). As orações “que nos fascinam” e “que nos vão transformando” especificam quais livros são esses: não qualquer livro, mas aqueles que têm esse efeito. Essa especificação é típica de oração restritiva.

A técnica que decide

A distinção entre restritiva e explicativa é formal e semântica:

  • Restritiva: restringe o sentido do antecedente, delimitando um subconjunto. Não é separada por vírgulas. Ex.: “Os alunos que estudam passam.” (só os que estudam).

  • Explicativa: explica uma característica já conhecida ou acrescenta uma informação acessória sobre todo o antecedente. É separada por vírgulas. Ex.: “Os alunos, que estudam, passam.” (todos estudam).

No trecho, não há vírgula entre “esses livros” e “que nos fascinam”. Se houvesse, a leitura seria: “esses livros, que nos fascinam e que nos vão transformando...”, o que indicaria que todos os livros referidos fascinam e transformam — valor explicativo. Sem a vírgula, a oração restringe: apenas os livros que têm essa propriedade é que são “esses livros”. Portanto, a classificação correta é restritiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “qualificar” e “explicar”. Toda oração adjetiva qualifica o antecedente; o que distingue a explicativa é a pontuação e o fato de a informação ser acessória, não restritiva. A ausência de vírgulas no trecho desmonta a classificação proposta.

Análise do item

Orações subordinadas adjetivas
  • 1Restritivas
    • Restringem o sentido do antecedente
    • Sem vírgulas
    • Ex.: "Os alunos que estudam passam."
  • 2Explicativas
    • Explicam característica de todo o antecedente
    • Com vírgulas
    • Ex.: "Os alunos, que estudam, passam."
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Item — ❌ Errado

A afirmação de que as orações são explicativas está incorreta. O trecho não apresenta vírgulas separando as orações do antecedente, o que é a marca formal das restritivas. Além disso, semanticamente, as orações delimitam quais livros são “esses livros” — os que fascinam e transformam —, e não acrescentam uma qualidade já sabida de todos eles. A banca tentou fazer o candidato acreditar que “qualificar e explicar” bastaria para classificar como explicativa, mas o critério decisivo é a restrição de sentido + ausência de pontuação.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar orações adjetivas, pergunte: “há vírgula separando a oração do antecedente?”. Se sim, é explicativa; se não, é restritiva. E teste o sentido: retire a oração — se o sentido do antecedente mudar (ficar genérico), é restritiva.

Conclusão: o item está ERRADO, pois as orações são restritivas, não explicativas. A ausência de vírgulas e o valor de especificação do antecedente são os dois pilares que sustentam a classificação correta.

Gabarito: E (Errado).

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