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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
ce396205
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PM SC
Ano
2023
Cargo
Of ( )

Texto 1A9-I

A situação carcerária é uma das questões mais complexas da realidade social brasileira. O retrato das prisões no Brasil desafia o sistema de justiça penal, a política criminal e a política de segurança pública. O equacionamento de seus problemas exige, necessariamente, o envolvimento dos três Poderes da República, em todos os níveis da Federação, além de se relacionar diretamente com o que a sociedade espera do Estado como agente de pacificação social.

Diante dessa complexidade, parece acertado descartar qualquer solução que se apresente como uma panaceia, seja no âmbito legislativo, seja no administrativo, seja no judicial. No entanto, isso não significa que nada possa ser feito. Ao contrário, a magnitude do problema exige que os operadores jurídicos, os gestores públicos e os legisladores intensifiquem seus esforços na busca conjunta de soluções e estratégias inteligentes, e não reducionistas, aptas a nos conduzir à construção de horizontes mais alentadores.

Os problemas do sistema penitenciário que se concretizam em nosso país devem nos conduzir a profundas reflexões, sobretudo em uma conjuntura em que o perfil das pessoas presas é majoritariamente de jovens negros, de baixa escolaridade e de baixa renda. Além da necessidade de construção de vagas para o sistema prisional, é preciso analisar a “qualidade” das prisões efetuadas e o perfil das pessoas que têm sido encarceradas, para que seja possível problematizar a “porta de entrada” e as práticas de gestão dos serviços penais, desde a baixa aplicação de medidas cautelares e de alternativas penais até a organização das diversas rotinas do cotidiano das unidades prisionais.

A necessária busca por alternativas penais tão ou mais eficazes que o encarceramento é um desafio de alta complexidade que depende de estreita articulação entre os órgãos do sistema de justiça criminal. Nesse sentido, têm sido extremamente interessantes os resultados da implantação das audiências de custódia, objeto de acordo de cooperação entre o Ministério da Justiça e o Conselho Nacional de Justiça, que consistem na garantia da rápida apresentação da pessoa presa a um juiz no caso de prisão em flagrante. Na audiência, são ouvidas as manifestações do Ministério Público, da Defensoria Pública ou do advogado da pessoa presa. Além de analisar a legalidade e a necessidade da prisão, o juiz pode verificar eventuais ocorrências de tortura ou de maus-tratos.

A humanização das condições carcerárias depende da promoção de um modelo intersetorial de políticas públicas de saúde, de educação, de trabalho, de cultura, de esporte, de assistência social e de acesso à justiça. Para que esses serviços alcancem as pessoas que se encontram nos presídios brasileiros, as políticas devem ser implementadas pelos gestores estaduais especializados nas diferentes temáticas sociais governamentais. Já se sabe que é inadequado o modelo de “instituição total”, que desafia unicamente o gestor prisional a improvisar arranjos de serviços para o ambiente intramuros, de forma frágil e desconectada das políticas sociais do Estado. Esse passo parece ser decisivo para reconhecermos, de fato, a pessoa privada de liberdade e o egresso como sujeitos de direitos.

Tatiana W. de Moura e Natália C. T. Ribeiro. Levantamento nacional de informações penitenciárias (INFOPEN). Ministério da Justiça, 2014 (com adaptações).

 

No texto 1A9-I, o segmento “de soluções e estratégias inteligentes” (último período do segundo parágrafo) exerce a mesma função sintática que

  1. A“do Estado” (final do primeiro parágrafo).
  2. B“à construção de horizontes mais alentadores” (final do segundo parágrafo).
  3. C“das políticas sociais do Estado” (penúltimo período do último parágrafo).
  4. D“de estreita articulação” (primeiro período do quarto parágrafo).
  5. E“a improvisar arranjos de serviços” (penúltimo período do último parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “das políticas sociais do Estado” (penúltimo período do último parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de "de soluções e estratégias inteligentes"

Gabarito: letra C. O segmento "de soluções e estratégias inteligentes" exerce a função de complemento nominal, assim como "das políticas sociais do Estado" (alternativa C). A prova está na estrutura: "busca de soluções e estratégias inteligentes" — o substantivo abstrato "busca" exige um complemento regido pela preposição "de" para completar seu sentido. O mesmo ocorre em "desconectada das políticas sociais do Estado": o adjetivo "desconectada" pede complemento preposicionado, formando um complemento nominal. As demais alternativas exercem outras funções, como veremos.

O comando e o método

A questão pede que você identifique a mesma função sintática de um segmento destacado. Isso é uma questão de sintaxe — não de interpretação. O caminho é: (1) identificar a função do segmento no texto; (2) testar cada alternativa, verificando se o trecho exerce a mesma função, considerando o termo a que se liga e a preposição que o introduz.

A função do segmento destacado

No trecho "a magnitude do problema exige que os operadores jurídicos, os gestores públicos e os legisladores intensifiquem seus esforços na busca de soluções e estratégias inteligentes", o segmento "de soluções e estratégias inteligentes" completa o sentido do substantivo "busca". Como "busca" é um substantivo abstrato (derivado do verbo "buscar"), o termo que o complementa é um complemento nominal. A preposição "de" é exigida pela regência do nome "busca".

Complemento nominal × adjunto adnominal

A pegadinha clássica é confundir complemento nominal com adjunto adnominal. Ambos podem ser introduzidos pela preposição "de", mas há diferenças cruciais:

Critério

Complemento nominal

Adjunto adnominal

Termo a que se liga

Substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio

Substantivo (concreto ou abstrato)

Valor semântico

Paciente (recebe a ação)

Agente (pratica a ação)

Exemplo

"busca de soluções" (soluções são o alvo da busca)

"a busca do governo" (o governo busca)

No segmento destacado, "soluções e estratégias" são o alvo da busca, não o agente. Portanto, é complemento nominal.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

O segmento "do Estado" (final do primeiro parágrafo) exerce função de adjunto adnominal. No trecho "o que a sociedade espera do Estado como agente de pacificação social", "do Estado" indica o agente da expectativa — é o Estado que é esperado. Não completa o sentido de um nome abstrato como paciente; por isso, não é complemento nominal. Erro: troca de conceito (adjunto adnominal × complemento nominal).

Alternativa B — ❌ Incorreta

O segmento "à construção de horizontes mais alentadores" (final do segundo parágrafo) exerce função de objeto indireto. No trecho "aptas a nos conduzir à construção de horizontes mais alentadores", o termo completa o sentido do verbo "conduzir" (conduzir a algo), sendo regido pela preposição "a". É um complemento verbal, não nominal. Erro: troca de conceito (objeto indireto × complemento nominal).

Alternativa C — ✅ Correta

O segmento "das políticas sociais do Estado" (penúltimo período do último parágrafo) exerce função de complemento nominal. No trecho "de forma frágil e desconectada das políticas sociais do Estado", o adjetivo "desconectada" exige um complemento regido pela preposição "de" (desconectada de algo). Assim como "busca de soluções", "desconectada das políticas" é um complemento nominal — o termo completa o sentido de um nome (adjetivo) com valor passivo. Gabarito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O segmento "de estreita articulação" (primeiro período do quarto parágrafo) exerce função de adjunto adnominal. No trecho "depende de estreita articulação entre os órgãos", "de estreita articulação" completa o sentido do verbo "depender" (depender de algo), sendo um objeto indireto. A preposição "de" é exigida pela regência verbal, não nominal. Erro: troca de conceito (objeto indireto × complemento nominal).

Alternativa E — ❌ Incorreta

O segmento "a improvisar arranjos de serviços" (penúltimo período do último parágrafo) exerce função de complemento nominal? Não. No trecho "desafia unicamente o gestor prisional a improvisar arranjos de serviços", o termo "a improvisar arranjos de serviços" completa o sentido do verbo "desafiar" (desafiar alguém a fazer algo), sendo um objeto indireto (ou complemento relativo). A preposição "a" é exigida pela regência verbal. Erro: troca de conceito (objeto indireto × complemento nominal).

Conclusão

A alternativa C é a única que apresenta um complemento nominal, assim como o segmento destacado. A banca explora a confusão entre complemento nominal e adjunto adnominal, e entre complemento nominal e objeto indireto. Para acertar, identifique o termo a que o segmento se liga: se for um nome (substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio) e tiver valor passivo, é complemento nominal; se for um verbo, é objeto indireto; se for um substantivo com valor ativo, é adjunto adnominal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora colocar termos preposicionados que parecem complemento nominal, mas são objeto indireto (como "de estreita articulação") ou adjunto adnominal (como "do Estado"). Sempre pergunte: a que classe gramatical o termo se liga? Se for verbo, é objeto; se for nome, pode ser complemento nominal ou adjunto adnominal.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir complemento nominal de adjunto adnominal, troque o termo por um pronome: se puder ser substituído por "disso" (com valor passivo), é complemento nominal; se por "seu" (com valor ativo), é adjunto adnominal. Ex.: "busca de soluções" → "busca disso" (complemento nominal); "busca do governo" → "sua busca" (adjunto adnominal).

Gabarito: letra C.

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