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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
ce396207
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PM SC
Ano
2023
Cargo
Of ( )

Texto 1A9-I

 

A situação carcerária é uma das questões mais complexas da realidade social brasileira. O retrato das prisões no Brasil desafia o sistema de justiça penal, a política criminal e a política de segurança pública. O equacionamento de seus problemas exige, necessariamente, o envolvimento dos três Poderes da República, em todos os níveis da Federação, além de se relacionar diretamente com o que a sociedade espera do Estado como agente de pacificação social.

 

Diante dessa complexidade, parece acertado descartar qualquer solução que se apresente como uma panaceia, seja no âmbito legislativo, seja no administrativo, seja no judicial. No entanto, isso não significa que nada possa ser feito. Ao contrário, a magnitude do problema exige que os operadores jurídicos, os gestores públicos e os legisladores intensifiquem seus esforços na busca conjunta de soluções e estratégias inteligentes, e não reducionistas, aptas a nos conduzir à construção de horizontes mais alentadores.

 

Os problemas do sistema penitenciário que se concretizam em nosso país devem nos conduzir a profundas reflexões, sobretudo em uma conjuntura em que o perfil das pessoas presas é majoritariamente de jovens negros, de baixa escolaridade e de baixa renda. Além da necessidade de construção de vagas para o sistema prisional, é preciso analisar a “qualidade” das prisões efetuadas e o perfil das pessoas que têm sido encarceradas, para que seja possível problematizar a “porta de entrada” e as práticas de gestão dos serviços penais, desde a baixa aplicação de medidas cautelares e de alternativas penais até a organização das diversas rotinas do cotidiano das unidades prisionais.

 

A necessária busca por alternativas penais tão ou mais eficazes que o encarceramento é um desafio de alta complexidade que depende de estreita articulação entre os órgãos do sistema de justiça criminal. Nesse sentido, têm sido extremamente interessantes os resultados da implantação das audiências de custódia, objeto de acordo de cooperação entre o Ministério da Justiça e o Conselho Nacional de Justiça, que consistem na garantia da rápida apresentação da pessoa presa a um juiz no caso de prisão em flagrante. Na audiência, são ouvidas as manifestações do Ministério Público, da Defensoria Pública ou do advogado da pessoa presa. Além de analisar a legalidade e a necessidade da prisão, o juiz pode verificar eventuais ocorrências de tortura ou de maus-tratos.

 

A humanização das condições carcerárias depende da promoção de um modelo intersetorial de políticas públicas de saúde, de educação, de trabalho, de cultura, de esporte, de assistência social e de acesso à justiça. Para que esses serviços alcancem as pessoas que se encontram nos presídios brasileiros, as políticas devem ser implementadas pelos gestores estaduais especializados nas diferentes temáticas sociais governamentais. Já se sabe que é inadequado o modelo de “instituição total”, que desafia unicamente o gestor prisional a improvisar arranjos de serviços para o ambiente intramuros, de forma frágil e desconectada das políticas sociais do Estado. Esse passo parece ser decisivo para reconhecermos, de fato, a pessoa privada de liberdade e o egresso como sujeitos de direitos.

 

Tatiana W. de Moura e Natália C. T. Ribeiro. Levantamento nacional de informações penitenciárias (INFOPEN). Ministério da Justiça, 2014 (com adaptações).

 

Assinale a opção em que o termo destacado do texto 1A9-I exerce a função sintática de adjunto adverbial que exprime circunstância de lugar.

  1. A“três Poderes da República” (terceiro período do primeiro parágrafo)
  2. B“do sistema penitenciário” (primeiro período do terceiro parágrafo)
  3. C‘porta de entrada’ (último período do terceiro parágrafo)
  4. D“nos presídios brasileiros” (segundo período do quinto parágrafo)
  5. E“nas diferentes temáticas sociais governamentais” (segundo período do quinto parágrafo)
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GabaritoD — “nos presídios brasileiros” (segundo período do quinto parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de adjunto adverbial de lugar

Gabarito: letra D. O termo "nos presídios brasileiros" exerce função de adjunto adverbial de lugar, pois indica o local onde as pessoas se encontram, modificando o verbo "encontram". Como se lê no quinto parágrafo: "Para que esses serviços alcancem as pessoas que se encontram nos presídios brasileiros, as políticas devem ser implementadas..." — a expressão responde à pergunta "onde?" em relação ao verbo, caracterizando a circunstância de lugar.

O comando pede que você identifique, entre os termos destacados, aquele que funciona como adjunto adverbial de lugar. Isso é uma questão de análise sintática aplicada ao texto: você precisa reconhecer a função de cada termo no contexto em que aparece, não apenas decorar definições. A banca quer que você distinga o adjunto adverbial de outros termos acessórios (adjunto adnominal, aposto) e de termos integrantes (complemento nominal).

O texto trata da situação carcerária brasileira e das políticas necessárias para enfrentá-la. No quinto parágrafo, o autor defende a humanização das condições carcerárias por meio de um modelo intersetorial de políticas públicas. A passagem decisiva é:

"Para que esses serviços alcancem as pessoas que se encontram nos presídios brasileiros, as políticas devem ser implementadas pelos gestores estaduais..."

Aqui, "nos presídios brasileiros" responde à pergunta "onde?" em relação ao verbo "encontram": as pessoas se encontram em algum lugar — nos presídios. Essa é a função típica do adjunto adverbial de lugar: modificar o verbo, acrescentando uma circunstância espacial.

Para resolver a questão, é essencial dominar a diferença entre adjunto adverbial e adjunto adnominal. O adjunto adverbial modifica o verbo, o adjetivo ou o advérbio, indicando circunstância (tempo, lugar, modo, causa, etc.). Já o adjunto adnominal acompanha um substantivo, caracterizando-o ou determinando-o, e pode ser um artigo, pronome, numeral, adjetivo ou locução adjetiva. No caso de locuções preposicionadas, a distinção se faz pelo valor: se a expressão indica posse, origem, agente (quem pratica a ação), é adjunto adnominal; se indica circunstância (lugar, tempo, modo), é adjunto adverbial.

A pegadinha da banca está em alternativas que parecem indicar lugar, mas na verdade caracterizam um substantivo (adjunto adnominal). Por exemplo, "nas diferentes temáticas sociais governamentais" modifica o substantivo "gestores" (gestores especializados em quê? em diferentes temáticas), portanto é adjunto adnominal, não adverbial. Já "nos presídios brasileiros" modifica o verbo "encontram", indicando onde, logo é adjunto adverbial de lugar.

Termos acessórios
  • 1Adjunto adnominal
    • Caracteriza o substantivo
    • Responde: qual? de quem? que tipo?
    • Ex.: "três Poderes da República"
  • 2Adjunto adverbial
    • Modifica verbo, adjetivo ou advérbio
    • Indica circunstância (lugar, tempo, modo)
    • Responde: onde? quando? como?
    • Ex.: "nos presídios brasileiros"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O termo "três Poderes da República" exerce função de adjunto adnominal, pois caracteriza o substantivo "Poderes" (três = numeral, da República = locução adjetiva). Não há circunstância de lugar; é uma especificação do substantivo. A banca tenta confundir com adjunto adverbial, mas aqui o termo não modifica verbo algum.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O termo "do sistema penitenciário" é adjunto adnominal do substantivo "problemas" (problemas do sistema penitenciário). Indica a que se refere o substantivo, não uma circunstância de lugar. A locução preposicionada tem valor de posse/origem, típico de adjunto adnominal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A expressão "porta de entrada" está entre aspas, indicando uso metafórico. No contexto, "problematizar a 'porta de entrada'" refere-se ao processo de ingresso no sistema prisional, não a um lugar físico. Não exerce função de adjunto adverbial de lugar; é um termo que funciona como objeto direto do verbo "problematizar".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, "nos presídios brasileiros" modifica o verbo "encontram", indicando o lugar onde as pessoas estão. É um adjunto adverbial de lugar. A passagem "as pessoas que se encontram nos presídios brasileiros" comprova a função: a pergunta "onde se encontram?" é respondida pela expressão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O termo "nas diferentes temáticas sociais governamentais" é adjunto adnominal do substantivo "gestores" (gestores especializados em diferentes temáticas). A locução preposicionada caracteriza o substantivo, não modifica verbo. Não há circunstância de lugar; é uma especificação de área de atuação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura adjunto adnominal e adjunto adverbial. A alternativa E parece indicar lugar, mas na verdade caracteriza o substantivo "gestores". A alternativa D é a única que modifica o verbo, indicando onde.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir, pergunte: o termo modifica o verbo (adjunto adverbial) ou caracteriza o substantivo (adjunto adnominal)? Se responde a "onde?", "quando?", "como?" em relação ao verbo, é adverbial. Se responde a "qual?", "de quem?", "que tipo de?" em relação ao substantivo, é adnominal.

Conclusão: a única alternativa em que o termo destacado exerce função de adjunto adverbial de lugar é a letra D, pois "nos presídios brasileiros" indica o local onde as pessoas se encontram, modificando o verbo "encontram". As demais são adjuntos adnominais ou termos com outra função. Gabarito: letra D.

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