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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsCrase
Código
ce396225
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
DATAPREV
Ano
2023
Cargo
Ana Proc ( )
        A cibersegurança, embora seja um tema há muito discutido em âmbito global, é um campo relativamente novo no Brasil. No entanto, tem ganhado destaque por conta da intensa migração de dados para ambientes em nuvem e da interconexão praticamente global de dispositivos na Internet. A proliferação de dispositivos conectados à Internet, desde eletrodomésticos até equipamentos industriais, aumentou consideravelmente a superfície de ataque, transformando o cenário de riscos. O que antes parecia ficção científica, como geladeiras ou medidores de pressão de gasodutos conectados à rede de computadores, agora é uma realidade tangível.
        Entretanto, a adoção apressada de tecnologias conectadas à Internet muitas vezes ocorre sem a devida atenção à segurança. Essa falta de consideração em relação à cibersegurança pode expor empresas a riscos substanciais, pois a falta de preparação e avaliação da superfície de ataque pode permitir que brechas sejam exploradas por agentes maliciosos.
        Uma das principais questões, quando se fala em cibersegurança, é a de que não existe uma “bala de prata”, ou seja, uma solução única para todas as falhas que podem ocorrer. Cada organização possui características, riscos e necessidades distintos, o que exige a criação de soluções personalizadas para mitigar ameaças específicas.
         Nesse sentido, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) desempenhou um papel significativo no cenário de cibersegurança ao estabelecer diretrizes para a prevenção de vazamentos e a proteção de dados. Empresas são agora obrigadas a adotar medidas proativas para evitar incidentes de segurança e garantir a privacidade dos dados. O investimento em cibersegurança deve ser entendido como um seguro de carro: deve-se investir na prevenção para minimizar os danos de um eventual incidente. 

Internet: <economiasc.com> (com adaptações).
Julgue o item que segue, com base nas ideias, no vocabulário e na estruturação linguística do texto precedente.   É facultativo o emprego do sinal indicativo de crase no vocábulo “a” presente no trecho “pode expor empresas a riscos substanciais” (segundo período do segundo parágrafo).
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em "expor empresas a riscos": preposição sem artigo — crase proibida

Gabarito: ERRADO (E). O emprego do sinal indicativo de crase no vocábulo "a" em "pode expor empresas a riscos substanciais" não é facultativo — é proibido. A crase exige a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)"; no trecho, o "a" é apenas a preposição exigida pelo verbo "expor" (quem expõe, expõe algo a algo), e o termo seguinte, "riscos substanciais", é masculino plural, portanto não admite artigo feminino — sem artigo, não há o que fundir, e a crase não pode ocorrer. A regra que decide é a da crase proibida diante de palavra masculina, como se vê no trecho do texto: "pode expor empresas a riscos substanciais".

O comando: gramática aplicada ao texto

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre um ponto de gramática no contexto: se o uso da crase no "a" destacado é facultativo. Isso muda a resolução: não se trata de interpretar ideias, mas de aplicar a regra de crase ao trecho específico e verificar se a afirmação do enunciado é verdadeira ou falsa. O comando "é facultativo" é a tese a ser testada — e ela falha porque o caso nem sequer admite crase.

O texto: onde mora a resposta

O trecho analisado está no segundo parágrafo: "Essa falta de consideração em relação à cibersegurança pode expor empresas a riscos substanciais". A resposta não depende do sentido global do texto (cibersegurança, LGPD, superfície de ataque), mas da estrutura sintática local: o verbo "expor" rege a preposição "a" (expor algo a algo), e o complemento "riscos substanciais" é um sintagma nominal masculino plural. É exatamente essa combinação que define a crase.

A técnica: crase = preposição + artigo (ou pronome) feminino

A crase é a fusão de duas vogais idênticas: a preposição "a" + o artigo feminino "a/as" (ou o "a" de pronomes demonstrativos/relativos). Para haver crase, é preciso que o termo seguinte admita o artigo feminino. No trecho:

  • "expor empresas a riscos substanciais" — o "a" é só preposição (exigida pelo verbo "expor");

  • "riscos substanciais" é masculino plural — não aceita "as";

  • logo, não há "a + as", não há fusão, e a crase é proibida.

A banca tenta confundir o candidato com a palavra "facultativo". Crase facultativa só existe em três casos clássicos: antes de nome próprio feminino ("refiro-me a/à Maria"), antes de pronome possessivo feminino singular ("refiro-me a/à minha amiga") e na locução "até a" ("foi até a/à praia"). Nenhum desses ocorre no trecho — "riscos" é substantivo masculino, não nome próprio nem possessivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa o termo "facultativo" para sugerir que há duas possibilidades corretas (com ou sem crase). Mas o caso é de crase proibida: diante de palavra masculina, o acento grave não pode ser empregado. A armadilha é trocar "proibido" por "facultativo".

1Obrigatória
Preposição "a" + artigo feminino
Ex.: "vou à escola"
2Facultativa
Nome próprio feminino
Pronome possessivo feminino singular
Locução "até a"
3Proibida
Palavra masculina
Verbo + "a" preposição sem artigo
Ex.: "expor a riscos"
Crase
LEVELsoulevel.com.br
Crase: Obrigatória (Preposição "a" + artigo feminino, Ex.: "vou à escola"); Facultativa (Nome próprio feminino, Pronome possessivo feminino singular, Locução "até a"); Proibida (Palavra masculina, Verbo + "a" preposição sem artigo, Ex.: "expor a riscos")

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que o emprego da crase é facultativo está errada. Facultativo significa que o uso do acento grave é opcional, ou seja, tanto "a" quanto "à" estariam corretos. No trecho "pode expor empresas a riscos substanciais", isso não ocorre: "riscos" é palavra masculina, e a crase diante de palavra masculina é proibida (não há artigo feminino "as" para fundir com a preposição "a"). Escrever "expor empresas à riscos substanciais" seria um erro grave de concordância e de crase. A alternativa contradiz a regra ao classificar como facultativo um caso de crase proibida.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação de que não é facultativo o emprego da crase está correta. No trecho, o "a" é apenas a preposição exigida pelo verbo "expor" (quem expõe, expõe algo a algo), e o termo seguinte, "riscos substanciais", é masculino plural, não admitindo o artigo feminino "as". Sem a fusão preposição + artigo, não há crase — e o acento grave é proibido, não facultativo. A banca pede a negação da tese do enunciado, e é exatamente isso que a alternativa E faz.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se há crase, substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se na troca aparecer "ao" (ex.: "expor empresas ao risco"), há crase; se aparecer apenas "a" (ex.: "expor empresas a riscos"), não há. No trecho, "a riscos" vira "ao risco"? Não — vira "aos riscos"? Também não: o correto é "a riscos", sem artigo, logo sem crase.

Gabarito: letra E (ERRADO). A crase no trecho é proibida, não facultativa — a banca trocou o conceito para testar se o candidato domina a diferença entre os casos de crase obrigatória, facultativa e proibida.

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