Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce396225
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- DATAPREV
- Ano
- 2023
- Cargo
- Ana Proc ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO (E). O emprego do sinal indicativo de crase no vocábulo "a" em "pode expor empresas a riscos substanciais" não é facultativo — é proibido. A crase exige a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)"; no trecho, o "a" é apenas a preposição exigida pelo verbo "expor" (quem expõe, expõe algo a algo), e o termo seguinte, "riscos substanciais", é masculino plural, portanto não admite artigo feminino — sem artigo, não há o que fundir, e a crase não pode ocorrer. A regra que decide é a da crase proibida diante de palavra masculina, como se vê no trecho do texto: "pode expor empresas a riscos substanciais".
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre um ponto de gramática no contexto: se o uso da crase no "a" destacado é facultativo. Isso muda a resolução: não se trata de interpretar ideias, mas de aplicar a regra de crase ao trecho específico e verificar se a afirmação do enunciado é verdadeira ou falsa. O comando "é facultativo" é a tese a ser testada — e ela falha porque o caso nem sequer admite crase.
O trecho analisado está no segundo parágrafo: "Essa falta de consideração em relação à cibersegurança pode expor empresas a riscos substanciais". A resposta não depende do sentido global do texto (cibersegurança, LGPD, superfície de ataque), mas da estrutura sintática local: o verbo "expor" rege a preposição "a" (expor algo a algo), e o complemento "riscos substanciais" é um sintagma nominal masculino plural. É exatamente essa combinação que define a crase.
A crase é a fusão de duas vogais idênticas: a preposição "a" + o artigo feminino "a/as" (ou o "a" de pronomes demonstrativos/relativos). Para haver crase, é preciso que o termo seguinte admita o artigo feminino. No trecho:
"expor empresas a riscos substanciais" — o "a" é só preposição (exigida pelo verbo "expor");
"riscos substanciais" é masculino plural — não aceita "as";
logo, não há "a + as", não há fusão, e a crase é proibida.
A banca tenta confundir o candidato com a palavra "facultativo". Crase facultativa só existe em três casos clássicos: antes de nome próprio feminino ("refiro-me a/à Maria"), antes de pronome possessivo feminino singular ("refiro-me a/à minha amiga") e na locução "até a" ("foi até a/à praia"). Nenhum desses ocorre no trecho — "riscos" é substantivo masculino, não nome próprio nem possessivo.
A banca usa o termo "facultativo" para sugerir que há duas possibilidades corretas (com ou sem crase). Mas o caso é de crase proibida: diante de palavra masculina, o acento grave não pode ser empregado. A armadilha é trocar "proibido" por "facultativo".
A afirmação de que o emprego da crase é facultativo está errada. Facultativo significa que o uso do acento grave é opcional, ou seja, tanto "a" quanto "à" estariam corretos. No trecho "pode expor empresas a riscos substanciais", isso não ocorre: "riscos" é palavra masculina, e a crase diante de palavra masculina é proibida (não há artigo feminino "as" para fundir com a preposição "a"). Escrever "expor empresas à riscos substanciais" seria um erro grave de concordância e de crase. A alternativa contradiz a regra ao classificar como facultativo um caso de crase proibida.
A afirmação de que não é facultativo o emprego da crase está correta. No trecho, o "a" é apenas a preposição exigida pelo verbo "expor" (quem expõe, expõe algo a algo), e o termo seguinte, "riscos substanciais", é masculino plural, não admitindo o artigo feminino "as". Sem a fusão preposição + artigo, não há crase — e o acento grave é proibido, não facultativo. A banca pede a negação da tese do enunciado, e é exatamente isso que a alternativa E faz.
Para testar se há crase, substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se na troca aparecer "ao" (ex.: "expor empresas ao risco"), há crase; se aparecer apenas "a" (ex.: "expor empresas a riscos"), não há. No trecho, "a riscos" vira "ao risco"? Não — vira "aos riscos"? Também não: o correto é "a riscos", sem artigo, logo sem crase.
Gabarito: letra E (ERRADO). A crase no trecho é proibida, não facultativa — a banca trocou o conceito para testar se o candidato domina a diferença entre os casos de crase obrigatória, facultativa e proibida.
Link permanente: /questoes/ce396225