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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
ce396241
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TC DF
Ano
2023
Cargo
AACE ( )

Texto CB1A1-I

 

A governança pública é discutida em torno de determinados pressupostos sobre componentes estruturais como gestão, equidade, transparência, responsabilidade corporativa, accountability (prestação de contas) e legalidade do setor público. Esses elementos são considerados necessários ao desenvolvimento das sociedades, segundo os modelos idealizados por organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), e pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).


Sob a ótica da ciência política, a governança pública está associada a uma mudança de gestão política, tendendo, cada vez mais, à autogestão nos campos social, econômico e político, como também a uma nova composição de formas de gestão. Complementarmente, a governança relaciona-se a fatores como tomada de decisões gerenciais, desempenho, controle, com direcionamento global para o órgão ou a entidade, e necessidade de prestação de contas para seus controladores.


Nesse sentido, o conceito de accountability é pautado na relação de interesse do Estado e nas necessidades do cidadão. Assim, a accountability é plena quando as informações públicas de prestação de contas dos governantes, auditadas pelos órgãos de controles internos e externos, geram confiança a uma sociedade participativa das decisões públicas.


O grau de accountability de uma burocracia deve ser explicado pelas dimensões do macroambiente da administração pública: a textura política e institucional da sociedade, os valores, os costumes tradicionais partilhados na cultura, a história, o desenvolvimento político na trajetória para tornar as burocracias responsáveis, a baixa contribuição dos diversos esforços de reformas da administração pública e a precariedade dos controles formais.


Blênio Cezar Severo Peixe et al. Governança pública e accountability: uma análise bibliométrica das publicações científicas nacionais e internacionais. 2018. Internet: <redalyc.org> (com adaptações).

Julgue o próximo item, referente aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I.

 

No trecho “uma sociedade participativa das decisões públicas” (final do terceiro parágrafo), a substituição do vocábulo “das” por nas prejudicaria a correção gramatical e os sentidos originais do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência nominal: “participativa das decisões” × “participativa nas decisões”

Gabarito: ERRADO (E). A substituição de “das” por “nas” em “uma sociedade participativa das decisões públicas” não prejudica a correção gramatical nem os sentidos originais — ambas as construções são gramaticalmente corretas e semanticamente equivalentes. O vocábulo “participativa” admite tanto a regência com a preposição “de” (participativa de algo) quanto com a preposição “em” (participativa em algo), sem alteração de sentido. A banca tenta fazer o candidato acreditar que há uma regência única e fixa, mas o adjetivo aceita as duas.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento sobre aspectos linguísticos — mais especificamente, sobre regência nominal e manutenção de sentido em uma substituição vocabular. A tarefa é dupla: verificar se a troca mantém (1) a correção gramatical e (2) os sentidos originais. Para resolver, é preciso conhecer a regência do adjetivo “participativo” e testar se a preposição trocada produz alguma mudança semântica relevante.

O trecho e a regência de “participativo”

No texto, lê-se:

“a accountability é plena quando as informações públicas de prestação de contas dos governantes, auditadas pelos órgãos de controles internos e externos, geram confiança a uma sociedade participativa das decisões públicas.”

A expressão “participativa das decisões públicas” é formada pelo adjetivo “participativa” + a preposição “de” (contraída com o artigo “as” → “das”) + o substantivo “decisões”. A regência nominal de “participativo” não é exclusiva: o adjetivo admite tanto “participativo de” quanto “participativo em”. Exemplos correntes: “aluno participativo das aulas” e “aluno participativo nas aulas” — ambas as formas são aceitas pela norma culta e veiculam o mesmo sentido de “que participa, que toma parte”.

A troca de “das” por “nas” apenas substitui a preposição “de” pela preposição “em” (contraída com o artigo “as” → “nas”). Como o adjetivo aceita as duas, a frase continua gramaticalmente correta. E o sentido? “Participativa das decisões” e “participativa nas decisões” expressam exatamente a mesma ideia: uma sociedade que participa das decisões públicas. Não há mudança semântica relevante — apenas uma variação de regência igualmente legítima.

A técnica que decide

A pegadinha da banca é sugerir que a regência de “participativo” é fixa e que qualquer alteração quebraria a construção. Mas a regência nominal não é um fato absoluto: muitos nomes admitem mais de uma preposição sem mudança de sentido. O candidato deve testar a substituição perguntando: (1) a nova preposição é compatível com o nome? (2) o sentido muda? Se ambas as respostas forem “sim, é compatível” e “não, não muda”, a substituição é válida.

Aqui, “participativo” aceita “de” e “em” — logo, a troca é correta e mantém o sentido. A afirmativa do item, portanto, é falsa: a substituição não prejudica a correção nem os sentidos.

1"de" (participativo das decisões)
Correta
Mesmo sentido
2"em" (participativo nas decisões)
Correta
Mesmo sentido
3Conclusão
Substituição válida
Prejudica correção/sentido (errado)
Regência de "participativo"
LEVELsoulevel.com.br
Regência de "participativo": "de" (participativo das decisões) (Correta, Mesmo sentido); "em" (participativo nas decisões) (Correta, Mesmo sentido); Conclusão (Substituição válida, Prejudica correção/sentido (errado))

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a substituição “prejudicaria a correção gramatical e os sentidos originais”. Isso contradiz o texto e a norma: como demonstrado, “participativa nas decisões” é construção gramaticalmente correta e semanticamente equivalente a “participativa das decisões”. A banca tenta fazer o candidato acreditar em uma regência única e fixa, mas o adjetivo admite as duas preposições. O erro aqui é de generalização indevida: transformar uma possibilidade de regência em regra absoluta.

Conclusão

A substituição de “das” por “nas” é perfeitamente válida: mantém a correção gramatical e o sentido original. O item está errado.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar substituições de preposição, pergunte-se sempre: o nome/verbo admite a nova preposição? O sentido muda? Se a resposta for “sim” e “não”, a troca é correta. Desconfie de itens que afirmam que uma regência é única sem base no texto.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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