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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsCrase
Código
ce396242
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TC DF
Ano
2023
Cargo
ACE ( )

Hoje, como outrora, o riso tem uma multidão de significações possíveis, que vão da zombaria sarcástica que exclui à complexidade amigável que censura. Ele pode ser bom, mau ou neutro. Como fenômeno natural, o riso parece ter evoluído pouco, a não ser no sentido de ter-se adquirido maior controle do espírito. Nós rimos mais baixo e de maneira menos desenfreada que nossos ancestrais, o que não surpreende ninguém.


Contudo, além dessas alterações de forma superficial, foi o lugar do riso, na vida e na sociedade, que mudou, assim como o discurso sobre o riso, a maneira como ele é interpretado, analisado, percebido. O fato de lhe terem consagrado numerosos tratados, em todas as épocas, demonstra, ao menos, que todas as sociedades lhe conferiram um lugar importante, e a maneira como ele foi percebido é reveladora das grandes variações de mentalidade.


Ao contrário do que sempre se escuta, os motivos de hilaridade quase não mudaram. Rimos hoje quase das mesmas coisas que antigamente. As técnicas variaram, mas sempre rimos para zombar de nós, para acalmar nosso medo, para manifestar nossa simpatia, para reforçar nossos vínculos e para excluir. O simples enunciado dos motivos mostra que o riso é plural. Os risos são muito diferentes e sempre o foram.


Georges Minois. História do riso e do escárnio. Tradução de

Maria Elena Ortiz Assumpção. São Paulo: Editora UNESP, 2003, p. 629-630 (com adaptações).

Texto CB1A1-I

 

Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item que se segue.


É obrigatório o emprego do acento indicativo de crase no termo “à” em “à complexidade amigável” (primeiro período do texto).

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase obrigatória em “à complexidade amigável”

Gabarito: CERTO. O acento grave em “à” é obrigatório porque há a fusão da preposição a (exigida pelo verbo “censurar”, que rege “a”) com o artigo definido feminino a que antecede o substantivo “complexidade”. Como se lê no primeiro período do texto: “da zombaria sarcástica que exclui à complexidade amigável que censura” — o verbo “censurar” pede complemento com a preposição “a” (“censurar a algo/alguém”), e “complexidade” é palavra feminina que admite o artigo “a”. Logo, a + a = à, crase obrigatória.

O comando

A questão pede que se julgue a obrigatoriedade do acento grave. Isso exige verificar se, no contexto, ocorrem simultaneamente a preposição “a” e o artigo feminino “a”. Não basta saber a regra geral de crase; é preciso analisar a regência do verbo e o gênero do substantivo.

O texto e a estrutura

No trecho, a expressão “à complexidade amigável” integra a locução “da zombaria sarcástica que exclui à complexidade amigável que censura”. O verbo “censurar” é transitivo indireto nesse uso: quem censura, censura a algo. O termo regido é “complexidade amigável”, núcleo feminino singular, que aceita o artigo definido “a”. Portanto, temos:

  • Preposição “a” (exigida por “censurar”)

  • Artigo “a” (que determina “complexidade”)

  • Fusão: a + a = à

Essa é a estrutura clássica de crase obrigatória, como em “assistir à novela” (assistir a + a novela).

A técnica que decide

Para confirmar a crase, use o teste da troca por palavra masculina: se, ao substituir o termo feminino por um masculino, aparecer “ao”, há crase. Veja: “censura ao comportamento amigável” — aparece “ao”, logo, no feminino, deve haver “à”. Esse teste é infalível e resolve a questão sem depender de decoreba.

Por que as alternativas

  • C) CertoCorreta. Como demonstrado, a crase é obrigatória.

  • E) ErradoIncorreta. A afirmação de que a crase não é obrigatória contradiz a análise sintática: há preposição + artigo, configurando crase obrigatória.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa ideia de que “à” poderia ser apenas preposição, sem artigo. Mas o substantivo “complexidade” está determinado (não é uso genérico), e o verbo “censurar” exige a preposição. Quem não analisa a regência erra.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que a questão perguntar sobre crase, faça o teste da troca por palavra masculina. Se aparecer “ao”, a crase é obrigatória.

Gabarito: CERTO.

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