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Questão de Português — Pronomes Demonstrativos — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsPronomes Demonstrativos
Código
ce396259
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PM PA
Ano
2023
Cargo
Alun Of ( )

Texto CB1A1-I

 

É importante não confundir juízos de valor com julgamentos moralizadores. Todos fazemos juízos de valor sobre as qualidades que admiramos na vida; por exemplo, podemos valorizar a honestidade, a liberdade ou a paz. Os juízos de valor refletem o que acreditamos ser melhor para a vida. Fazemos julgamentos moralizadores de pessoas e comportamentos que estão em desacordo com nossos juízos de valor; por exemplo, “A violência é ruim; pessoas que matam outras são más”. Se tivéssemos sido criados falando uma linguagem que facilitasse exprimir compaixão, teríamos aprendido a articular diretamente nossas necessidades e nossos valores, em vez de insinuarmos que algo é ou está errado quando eles não são atendidos. Por exemplo, em vez de “A violência é ruim”, poderíamos dizer: “Tenho medo do uso da violência para resolver conflitos; valorizo a resolução de conflitos por outros meios”.

 

A relação entre linguagem e violência é tema das pesquisas de O. J. Harvey, professor de psicologia na Universidade do Colorado. Ele tomou amostras aleatórias de obras literárias de países mundo afora e tabulou a frequência das palavras que classificam e julgam as pessoas. Seu estudo constata elevada correlação entre o uso frequente dessas palavras e a incidência de violência. Não me surpreende saber que existe consideravelmente menos violência em culturas nas quais as pessoas pensam em termos das necessidades humanas do que em outras nas quais as pessoas se rotulam de “boas” ou “más” e acreditam que as “más” merecem ser punidas. Em 75% dos programas exibidos nos horários em que existe maior probabilidade de as crianças americanas estarem assistindo à TV, o herói ou mata pessoas, ou as espanca. Os telespectadores (a quem se ensinou que os maus merecem castigo) sentem prazer em ver essa violência.

 

Na raiz de grande parte ou talvez de toda violência — verbal, psicológica ou física, entre familiares, tribos ou nações —, está um tipo de pensamento que atribui a causa do conflito ao fato de os adversários estarem errados, assim como a correspondente incapacidade de pensar em si mesmos ou nos outros em termos de vulnerabilidade — o que a pessoa pode estar sentindo, temendo, ansiando, do que pode estar sentindo falta, e assim por diante.

Marshall Rosenberg. Comunicação não violenta. Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006, p. 34-35 (com adaptações).

 

A respeito das relações de coesão estabelecidas no texto CB1A1-I, julgue os itens a seguir.

 

I No penúltimo período do primeiro parágrafo, a forma pronominal “eles” retoma “nossas necessidades e nossos valores”.

 

II No quarto período do segundo parágrafo, o vocábulo “outras” refere-se a “necessidades humanas”.

 

III No último parágrafo, o vocábulo “outros” reporta-se a “adversários”.

 

Assinale a opção correta.

  1. AApenas o item I está certo.
  2. BApenas o item II está certo.
  3. CApenas os itens I e III estão certos.
  4. DApenas os itens II e III estão certos.
  5. ETodos os itens estão certos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Apenas o item I está certo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: retomada de pronomes no texto

Gabarito: letra A. Apenas o item I está correto. O pronome “eles” retoma, de fato, “nossas necessidades e nossos valores” — como se lê no penúltimo período do primeiro parágrafo. Os itens II e III erram o referente: “outras” retoma “culturas” (e não “necessidades humanas”), e “outros” retoma “meios” (e não “adversários”). A banca troca o termo retomado, uma armadilha clássica de coesão.

O comando

A questão pede que você julgue a relação de coesão — ou seja, identifique a que termo cada pronome se refere. Isso é tarefa de compreensão (a informação está no texto), não de inferência. Você não precisa deduzir nada: basta voltar ao trecho e ver qual palavra foi retomada. O verbo “retoma” no enunciado já indica o caminho: procure o antecedente de cada pronome.

O texto e a técnica

O texto trata da diferença entre juízos de valor e julgamentos moralizadores, e da relação entre linguagem e violência. Para resolver, você precisa dominar a coesão referencial anafórica: quando um pronome retoma algo já dito, ele substitui um termo anterior. A técnica é simples: substitua o pronome pelo candidato a antecedente e veja se a frase continua fazendo sentido. Se fizer, é o referente; se não, é pegadinha.

Vamos aplicar nos três itens.

Item I — ✅ Correto

“...em vez de insinuarmos que algo é ou está errado quando eles não são atendidos.”

O pronome “eles” está no plural e se refere a algo que pode ser “atendido”. No trecho anterior, o autor fala de “nossas necessidades e nossos valores” — são eles que podem ser atendidos ou não. Substitua: “quando nossas necessidades e nossos valores não são atendidos”. Faz sentido. Portanto, o item I está correto.

Item II — ❌ Incorreto

“...existe consideravelmente menos violência em culturas nas quais as pessoas pensam em termos das necessidades humanas do que em outras nas quais as pessoas se rotulam de ‘boas’ ou ‘más’...”

O vocábulo “outras” é um pronome indefinido que retoma “culturas” — não “necessidades humanas”. A estrutura comparativa “em culturas... do que em outras” deixa claro: “outras” = “outras culturas”. A banca tenta confundir com “necessidades humanas”, que aparece logo antes, mas o paralelismo sintático desfaz a dúvida. Item incorreto.

Item III — ❌ Incorreto

“...a correspondente incapacidade de pensar em si mesmos ou nos outros em termos de vulnerabilidade — o que a pessoa pode estar sentindo, temendo, ansiando, do que pode estar sentindo falta, e assim por diante.”

O vocábulo “outros” refere-se a “meios”? Não. Na verdade, “outros” retoma “pessoas” (ou “adversários” em sentido amplo), mas o item afirma que se reporta a “adversários”. O texto diz “pensar em si mesmos ou nos outros” — “outros” são as outras pessoas, não especificamente “adversários”. A banca troca o termo: “adversários” aparece no início do parágrafo, mas o pronome retoma “pessoas” (implícito). Item incorreto.

Conclusão

Apenas o item I está correto. A pegadinha da banca é trocar o referente — em II, “outras” não é “necessidades humanas”, mas “culturas”; em III, “outros” não é “adversários”, mas “pessoas”. Para acertar, sempre substitua o pronome pelo candidato a antecedente e veja se a frase mantém o sentido. Essa é a técnica que separa quem acerta de quem chuta.

Gabarito: letra A — apenas o item I está certo.

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