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Questão de Português — Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsTermos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva)
Código
ce396266
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PM PA
Ano
2023
Cargo
Alun Of ( )

Texto CB1A1-I

 

É importante não confundir juízos de valor com julgamentos moralizadores. Todos fazemos juízos de valor sobre as qualidades que admiramos na vida; por exemplo, podemos valorizar a honestidade, a liberdade ou a paz. Os juízos de valor refletem o que acreditamos ser melhor para a vida. Fazemos julgamentos moralizadores de pessoas e comportamentos que estão em desacordo com nossos juízos de valor; por exemplo, “A violência é ruim; pessoas que matam outras são más”. Se tivéssemos sido criados falando uma linguagem que facilitasse exprimir compaixão, teríamos aprendido a articular diretamente nossas necessidades e nossos valores, em vez de insinuarmos que algo é ou está errado quando eles não são atendidos. Por exemplo, em vez de “A violência é ruim”, poderíamos dizer: “Tenho medo do uso da violência para resolver conflitos; valorizo a resolução de conflitos por outros meios”.

A relação entre linguagem e violência é tema das pesquisas de O. J. Harvey, professor de psicologia na Universidade do Colorado. Ele tomou amostras aleatórias de obras literárias de países mundo afora e tabulou a frequência das palavras que classificam e julgam as pessoas. Seu estudo constata elevada correlação entre o uso frequente dessas palavras e a incidência de violência. Não me surpreende saber que existe consideravelmente menos violência em culturas nas quais as pessoas pensam em termos das necessidades humanas do que em outras nas quais as pessoas se rotulam de “boas” ou “más” e acreditam que as “más” merecem ser punidas. Em 75% dos programas exibidos nos horários em que existe maior probabilidade de as crianças americanas estarem assistindo à TV, o herói ou mata pessoas, ou as espanca. Os telespectadores (a quem se ensinou que os maus merecem castigo) sentem prazer em ver essa violência.

Na raiz de grande parte ou talvez de toda violência — verbal, psicológica ou física, entre familiares, tribos ou nações —, está um tipo de pensamento que atribui a causa do conflito ao fato de os adversários estarem errados, assim como a correspondente incapacidade de pensar em si mesmos ou nos outros em termos de vulnerabilidade — o que a pessoa pode estar sentindo, temendo, ansiando, do que pode estar sentindo falta, e assim por diante.

Marshall Rosenberg. Comunicação não violenta. Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006, p. 34-35 (com adaptações).

 

Assinale a opção que apresenta uma forma verbal que, no texto CB1A1-I, rege complemento direto e complemento indireto.

  1. A“atribui” (último parágrafo)
  2. B“refletem” (terceiro período do primeiro parágrafo)
  3. C“constata” (terceiro período do segundo parágrafo)
  4. D“pensar” (último parágrafo)
  5. E“está” (último parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “atribui” (último parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transitividade verbal: identificando o verbo bitransitivo

Gabarito: letra A. O verbo “atribui” é o único que rege dois complementos: um objeto direto (“a causa do conflito”) e um objeto indireto (“ao fato de os adversários estarem errados”). A pista está no último parágrafo: “um tipo de pensamento que atribui a causa do conflito ao fato de os adversários estarem errados”. O verbo “atribuir” exige “atribuir algo a alguém/algo” — por isso é transitivo direto e indireto (bitransitivo).

O comando

A questão pede que você identifique, no texto, a forma verbal que rege complemento direto e complemento indireto simultaneamente. Isso é uma questão de sintaxe (transitividade verbal), não de interpretação de sentido. Você precisa analisar a regência de cada verbo destacado: quantos complementos ele exige e se esses complementos vêm com ou sem preposição.

O texto

O texto trata da relação entre linguagem e violência, defendendo que juízos de valor (diferentes de julgamentos moralizadores) e uma comunicação baseada em necessidades reduzem a violência. No último parágrafo, o autor afirma que a raiz da violência está em um tipo de pensamento que atribui a causa do conflito ao fato de os adversários estarem errados. É exatamente nesse trecho que mora o verbo bitransitivo.

A técnica

Para resolver, você deve:

  1. Localizar cada verbo no texto.

  2. Perguntar: “quem pratica a ação?” (sujeito) e “o quê?” / “a quem?” (complementos).

  3. Verificar se há preposição obrigatória antes do complemento.

Verbo bitransitivo (VTDI): exige dois complementos — um sem preposição (objeto direto) e outro com preposição (objeto indireto). Ex.: “dar um presente a alguém” → “um presente” (OD), “a alguém” (OI).

No caso de “atribui”:

“...um tipo de pensamento que atribui a causa do conflito ao fato de os adversários estarem errados...”

  • Sujeito: “um tipo de pensamento”

  • Objeto direto: “a causa do conflito” (o quê?)

  • Objeto indireto: “ao fato de os adversários estarem errados” (a quê?)

A preposição “a” (contraída com “o” em “ao”) marca o objeto indireto. Portanto, “atribui” é transitivo direto e indireto.

Análise das alternativas

Verbo bitransitivo (VTDI)
  • 1Exige 2 complementos
    • Objeto direto (sem preposição)
    • Objeto indireto (com preposição)
  • 2Ex.: "atribuir algo a alguém"
    • OD: a causa do conflito
    • OI: ao fato de os adversários estarem errados
  • 3Cuidado: adjunto adverbial ≠ OI
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, “atribui” rege objeto direto (“a causa do conflito”) e objeto indireto (“ao fato de os adversários estarem errados”). É o único verbo da lista com dois complementos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“refletem” é transitivo direto: “Os juízos de valor refletem o que acreditamos ser melhor para a vida.” O complemento “o que acreditamos ser melhor para a vida” é objeto direto (sem preposição). Não há objeto indireto. Erro: o verbo não é bitransitivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“constata” é transitivo direto: “Seu estudo constata elevada correlação entre o uso frequente dessas palavras e a incidência de violência.” O complemento “elevada correlação...” é objeto direto. A expressão “entre o uso...” é um adjunto adverbial (de relação), não um objeto indireto. Erro: confundir adjunto adverbial com objeto indireto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“pensar” aparece como verbo transitivo indireto (rege a preposição “em”): “a correspondente incapacidade de pensar em si mesmos ou nos outros”. O complemento “em si mesmos ou nos outros” é objeto indireto. Não há objeto direto. Erro: o verbo é apenas transitivo indireto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“está” é verbo de ligação (ou intransitivo, dependendo da análise): “Na raiz de grande parte ou talvez de toda violência... está um tipo de pensamento”. O termo “na raiz...” é adjunto adverbial de lugar (ou predicativo, se considerar verbo de ligação). Não há objeto direto nem indireto. Erro: verbo de ligação não rege complementos verbais.

Conclusão

A única forma verbal que rege dois complementos (um direto e um indireto) é “atribui”. As demais ou são transitivas diretas, ou transitivas indiretas, ou verbos de ligação. Gabarito: letra A.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar um verbo bitransitivo, pergunte “o quê?” (OD) e “a quem?” / “a quê?” (OI). Se houver preposição obrigatória antes do segundo complemento, é objeto indireto. Cuidado com adjuntos adverbiais que parecem complementos!

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