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Questão de Português — Adjunto adnominal x Complemento Nominal — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsAdjunto adnominal x Complemento Nominal
Código
ce396271
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SESI SP
Ano
2023
Cargo
PEB ( )

Se a origem da linguagem é atravessada por grandes mistérios e ainda está longe de uma convincente abordagem científica (se é que ela será possível um dia, considerando-se a inexistência absoluta de dados), as coisas não são mais fáceis na abordagem de outras faces da linguagem verbal.

 

Uma observação fria da realidade deixa claro quão difícil é analisar cientificamente qualquer uma das muitas manifestações históricas da linguagem verbal — as diferentes línguas das sociedades humanas. Os linguistas, que são os estudiosos que se dedicam profissionalmente a essa tarefa, sabem disso muito bem porque se deparam continuamente com as inesgotáveis complexidades estruturais e funcionais das línguas.

 

Para se ter uma ideia dessa complexidade, basta lembrar que qualquer língua é uma realidade estrutural infinita. O número de sons da fala de que se serve uma língua é finito (em torno de três dezenas). O número de suas palavras (ainda que imenso) é finito (calcula-se que uma língua como o português tenha algo em torno de meio milhão de palavras). O número de regras com as quais organizamos os enunciados é também finito (embora não tenhamos ainda ideia clara de sua quantidade).

 

Apesar disso tudo, o número de enunciados possíveis em uma língua qualquer é infinito, ou seja, a língua é uma organização tal que nos permite fazer uso infinito de meios finitos.

 

Diante desse quadro, poderíamos supor que, sendo finitos os meios estruturais, bastaria que eles fossem descritos para alcançarmos uma apresentação científica completa de uma língua. No entanto, as coisas não são tão simples assim. Primeiro, porque a língua não se esgota em sua estrutura. Para analisá-la adequadamente, temos de considerar também seu funcionamento social.

 

Segundo, porque nenhuma língua é uma estrutura homogênea e uniforme. Qualquer língua se multiplica a tal ponto em inúmeras variedades, que muitos chegam a dizer que atrás de um nome — português, por exemplo — se escondem, de fato, muitas “línguas”. Qualquer língua é sempre, portanto, uma realidade plural e heterogênea.

 

Carlos Alberto Faraco. Linguagem escrita e alfabetização. São Paulo: Contexto, 2012 (com adaptações).

Texto 11A2

   

Assinale a opção que apresenta a expressão que exerce a função de complemento nominal no texto 11A2.

  1. A“da linguagem verbal”
  2. B“da fala”
  3. C“de sua quantidade”
  4. D“em sua estrutura”
  5. E“seu funcionamento social”
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “de sua quantidade”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Complemento nominal no texto 11A2

Gabarito: letra C. A expressão “de sua quantidade” exerce a função de complemento nominal, pois completa o sentido do substantivo abstrato “ideia”, com valor passivo (a quantidade é o alvo da ideia). Como se lê no 3º parágrafo: “O número de regras com as quais organizamos os enunciados é também finito (embora não tenhamos ainda ideia clara de sua quantidade)”. O termo preposicionado “de sua quantidade” é exigido pelo nome “ideia” e sobre ele recai a ação de “ter ideia” — é o paciente, não o agente.

O comando

A questão pede que você identifique a expressão que exerce a função de complemento nominal no texto. Isso é uma tarefa de análise sintática — não de interpretação de sentido, mas de reconhecimento da função de um termo dentro da oração. Você precisa saber a definição de complemento nominal e aplicá-la a cada alternativa, verificando se o termo preposicionado completa um nome (substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio) com valor passivo.

O texto

O texto de Carlos Alberto Faraco discute a complexidade da linguagem verbal. No 3º parágrafo, o autor afirma que o número de sons, palavras e regras de uma língua é finito, mas o número de enunciados possíveis é infinito. A passagem-chave para a questão é:

“O número de regras com as quais organizamos os enunciados é também finito (embora não tenhamos ainda ideia clara de sua quantidade)”.

Aqui, “ideia” é um substantivo abstrato (estado, conceito) e “de sua quantidade” é um termo preposicionado que o completa, com sentido passivo: a quantidade é o alvo da ideia, não o agente. Isso caracteriza o complemento nominal.

A técnica que decide

O complemento nominal é o termo preposicionado que completa o sentido de um substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio, sempre com valor passivo (é o alvo, o paciente da ação expressa pelo nome). Já o adjunto adnominal, quando preposicionado, tem valor ativo (é o agente, o possuidor) e se liga a substantivos concretos ou abstratos.

No caso de “ideia clara de sua quantidade”, o termo “de sua quantidade” não é um simples especificador: ele é exigido pelo nome “ideia” (quem tem ideia, tem ideia de algo) e sobre ele recai a ação de “ter ideia”. É o paciente. Por isso, é complemento nominal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão clássica entre adjunto adnominal e complemento nominal. A alternativa A (“da linguagem verbal”) parece atraente porque é uma locução adjetiva, mas ela tem valor ativo (a linguagem verbal é o agente, o possuidor), não passivo. A pegadinha está em reconhecer o valor semântico do termo, não apenas a presença da preposição.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir, pergunte: o termo preposicionado é o agente (quem pratica a ação) ou o paciente (quem sofre a ação)? Se for paciente, é complemento nominal; se for agente, é adjunto adnominal. No caso, “de sua quantidade” é o alvo da ideia — paciente.

Alternativa A — ❌ Incorreta

“da linguagem verbal” — No trecho “outras faces da linguagem verbal”, o termo “da linguagem verbal” é um adjunto adnominal, pois tem valor ativo: a linguagem verbal é o agente, o possuidor das faces. Não é exigido pelo nome “faces” (quem tem faces, não tem faces de algo no sentido de complemento). É uma locução adjetiva que especifica o substantivo concreto “faces”.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“da fala” — No trecho “O número de sons da fala de que se serve uma língua”, o termo “da fala” é um adjunto adnominal, pois tem valor ativo: a fala é o agente, o possuidor dos sons. Não é exigido pelo nome “sons” (quem tem sons, não tem sons de algo no sentido de complemento). É uma locução adjetiva que especifica o substantivo concreto “sons”.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“de sua quantidade” — No trecho “embora não tenhamos ainda ideia clara de sua quantidade”, o termo “de sua quantidade” é um complemento nominal, pois completa o sentido do substantivo abstrato “ideia”, com valor passivo: a quantidade é o alvo da ideia. É exigido pelo nome “ideia” (quem tem ideia, tem ideia de algo).

Alternativa D — ❌ Incorreta

“em sua estrutura” — No trecho “a língua não se esgota em sua estrutura”, o termo “em sua estrutura” é um adjunto adverbial, pois indica o lugar (figurado) onde a língua não se esgota. Não completa o sentido de um nome, mas sim do verbo “esgotar-se”. Não é preposicionado ligado a um substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio com valor passivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“seu funcionamento social” — No trecho “temos de considerar também seu funcionamento social”, o termo “seu funcionamento social” é o objeto direto do verbo “considerar”. Não é preposicionado e não completa o sentido de um nome. É um sintagma nominal que funciona como complemento verbal, não nominal.

Conclusão: a única expressão que exerce a função de complemento nominal no texto é “de sua quantidade”, pois completa o sentido do substantivo abstrato “ideia” com valor passivo. As demais alternativas são adjuntos adnominais (A e B), adjunto adverbial (D) ou objeto direto (E).

Gabarito: letra C

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