Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsOrações Subordinadas Substantivas
Código
ce396289
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2023
Cargo
Vest ( )

O uso de novas marcas de gênero na língua portuguesa como decorrência de um ativismo social aplicado à linguagem nos convida a uma análise. Há registro de diversos movimentos relacionados à busca de usos alternativos aos aceitos oficialmente. Até recentemente, esses movimentos tinham como foco principal a adoção de usos que conferissem à língua do Brasil uma identidade própria. O ativismo atual preocupa-se menos com estrangeirismos e mais com aspectos ligados às questões de gênero.

 

Examinemos os usos de “@”, “x”, “e” como desinências para identificar conjuntos de pessoas de diferentes gêneros, em substituição ao plural masculino, previsto nas normas gramaticais. Segundo essas normas, basta que haja um elemento masculino para que o plural seja masculino. Ao nos referirmos a um coletivo em que haja pelo menos uma pessoa do gênero masculino, escrevemos: Nossas saudações a todos. Nos usos do ativismo, temos: Nossas saudações a “tod@s”, “todxs”, “todes” e, mais recentemente, “tods”. Do ponto de vista da funcionalidade da língua, os dois primeiros, assim como o último, não se mostram viáveis no caso de sua produção oral, fato que nos leva a supor que seu uso, enquanto perdurar, continuará restrito ao contexto da escrita. O terceiro (“e”) não apresenta essa limitação. Para uso amplo, tanto na fala quanto na escrita, parece-nos, então, que só ele tenha alguma perspectiva de incorporação à língua portuguesa.

 

Marcelo Correia e Castro. TODAS, TODES, TODOS, TODS, TODXS,
TOD@S: ativismo social, gênero e usos da língua. In: Revista Ciência
Hoje,
julho 2021. Internet: <www.cienciahoje.org.br> (com adaptações).

Com relação às ideias e aos aspectos gramaticais do texto anterior, julgue o item e faça o que se pede no item, que é do tipo C.

 

A oração “que haja um elemento masculino” funciona como o complemento direto da forma verbal “basta”.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática da oração substantiva: sujeito ou objeto direto?

Gabarito: letra E (Errado). A oração “que haja um elemento masculino” não funciona como complemento direto do verbo “basta”; ela exerce a função de sujeito (sujeito oracional). O verbo “bastar”, no contexto, é intransitivo — não pede objeto — e a oração que o segue é o sujeito que completa seu sentido. Como se lê no texto: “Segundo essas normas, basta que haja um elemento masculino para que o plural seja masculino.”

O comando

A questão é de julgamento (Certo/Errado) sobre um aspecto gramatical do texto: a função sintática de uma oração subordinada substantiva. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de análise sintática — você precisa identificar a relação entre a oração e o verbo da oração principal. O verbo é “basta”; a oração é “que haja um elemento masculino”. A pergunta é: essa oração é objeto direto ou outra coisa?

O texto e a estrutura

No trecho, o autor explica a regra gramatical do plural masculino: “basta que haja um elemento masculino para que o plural seja masculino”. A oração “que haja um elemento masculino” está subordinada ao verbo “basta”. Para classificar, precisamos saber a transitividade de “bastar”.

“Bastar” é verbo intransitivo — não exige complemento (objeto). O que “basta” é algo; esse algo é o sujeito. Na construção “basta que...”, a oração “que...” é o sujeito do verbo. Veja a equivalência: “Basta isso.” — “isso” é sujeito. Logo, “que haja um elemento masculino” é sujeito oracional (oração subordinada substantiva subjetiva).

A técnica que decide

Para testar se uma oração é objeto direto, substitua-a por “isso” e veja se o verbo pede complemento: “Quero isso” (objeto direto). No caso: “Basta isso” — “isso” é sujeito, não objeto. O verbo “bastar” não é transitivo direto; ele é intransitivo. Portanto, a oração não pode ser objeto direto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você confundir a função da oração substantiva. Muitos candidatos, ao verem “que” após um verbo, já pensam em objeto direto. Mas o verbo “bastar” é intransitivo — a oração é sujeito. Sempre teste a transitividade do verbo antes de classificar.

Oração subordinada substantiva
  • 1Subjetiva (sujeito)
    • "Basta que haja..."
    • Verbo intransitivo
    • Substituição: "Basta isso"
  • 2Objetiva direta (objeto)
    • Verbo transitivo direto
    • Substituição: "Quero isso"
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que a oração é complemento direto está errada. O verbo “basta” é intransitivo; não há objeto direto. A oração “que haja um elemento masculino” exerce função de sujeito do verbo “basta”. Isso se comprova pela substituição: “Basta isso” — “isso” é sujeito. A alternativa contradiz a estrutura sintática do período.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação é falsa — por isso o gabarito é Errado. A oração “que haja um elemento masculino” é sujeito oracional (oração subordinada substantiva subjetiva), e não objeto direto. O verbo “bastar” é intransitivo, não pede complemento. A banca pede o julgamento: como a afirmação está incorreta, a resposta é Errado.

Conclusão: a chave da questão é a transitividade verbal. Antes de classificar uma oração como objeto direto, pergunte: o verbo pede complemento? “Bastar” não pede — logo, a oração é sujeito. Gabarito: letra E (Errado).

Link permanente: /questoes/ce396289