Na obra Ritmo de outono — número 30, de Jackson Pollock, o artista utiliza a técnica de gotejamento, a qual só é possível com tinta esmaltada, que é mais viscosa que o óleo sobre tela, ou seja, possui uma textura mais líquida (o óleo sobre tela é uma tinta pastosa). Essa propriedade deve-se à presença de resinas, plastificantes e outros componentes na formulação do esmalte. Entre os solventes utilizados nas tintas esmaltadas, encontra-se o álcool isopropílico, que pode causar alergia quando em contato com a pele humana, bem como prejudicar a fauna, a flora e ambientes aquáticos. Quando derramada no solo, essa substância pode percolar (atravessar o solo) e atingir o lençol freático, contaminando-o. As resinas utilizadas nessas tintas incluem os polímeros plásticos, responsáveis pelas características do filme após a secagem, tais como brilho e aderência. Entre elas destaca-se a nitrocelulose. Os plastificantes, por sua vez, auxiliam na maleabilidade da película formada, impedindo a formação de rachaduras. Um dos plastificantes mais utilizados é a cânfora, um produto natural obtido das folhas da planta medicinal canforeira e amplamente utilizado como plastificante da nitrocelulose.
Considerando a obra Ritmo de outono — número 30, de Jackson Pollock, e o texto apresentado, julgue o item a seguir.
No primeiro período do texto, o emprego da expressão “a qual” é motivada pela regência do adjetivo “possível”.
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O emprego de “a qual” no primeiro período
Gabarito: ERRADO. A expressão “a qual” não é motivada pela regência do adjetivo “possível”, mas sim pela função sintática de sujeito que o pronome relativo exerce dentro da oração subordinada adjetiva. No trecho, “a qual” retoma “técnica de gotejamento” e funciona como sujeito do verbo “é”, não como complemento regido por “possível”.
O comando
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação gramatical: o motivo do emprego de “a qual”. Isso é uma questão de análise sintática — precisamos identificar a função do pronome relativo na oração que ele introduz, e não apenas decorar que “a qual” é um pronome relativo. A banca quer saber se você entende por que o autor escolheu essa forma.
O texto
No primeiro período, lemos:
“Na obra Ritmo de outono — número 30, de Jackson Pollock, o artista utiliza a técnica de gotejamento, a qual só é possível com tinta esmaltada...”
A oração “a qual só é possível com tinta esmaltada” é uma subordinada adjetiva explicativa (separada por vírgula), que caracteriza “técnica de gotejamento”. O pronome relativo “a qual” retoma esse substantivo feminino singular.
A técnica que decide
A regra é: o pronome relativo “o qual/a qual/os quais/as quais” concorda em gênero e número com o antecedente, mas a forma (com ou sem preposição) depende da função sintática que ele exerce na oração adjetiva. Se o relativo for sujeito ou objeto direto, não há preposição; se for objeto indireto, complemento nominal etc., virá preposicionado.
No trecho, “a qual” exerce função de sujeito do verbo “é” (predicado nominal: “é possível”). O adjetivo “possível” não rege preposição — ele é o predicativo do sujeito, e o sujeito é “a qual”. A regência do adjetivo “possível” não exige preposição alguma; quem exige preposição seria um termo como “possível de” (raro) ou “possível a” (em outras construções), o que não ocorre aqui.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir regência nominal com função sintática do pronome relativo. O aluno que decora “a qual = pronome relativo” sem analisar a função cai na armadilha. A pergunta certa é: “que função ‘a qual’ exerce na oração?” — e a resposta é sujeito, não complemento regido por “possível”.
Pronome relativo "a qual"
1Função sintática
Sujeito (sem preposição)
Objeto direto (sem preposição)
Objeto indireto (com preposição)
Complemento nominal (com preposição)
2No trecho
Retoma "técnica de gotejamento"
Sujeito de "é possível"
Não é regência de "possível"
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Análise da assertiva
A afirmação diz que o emprego de “a qual” é motivado pela regência do adjetivo “possível”. Isso está errado por dois motivos:
“Possível” não rege preposição — é um adjetivo que, no predicado nominal, tem como núcleo o verbo “ser” e como predicativo o próprio adjetivo. Não há complemento nominal exigido por ele.
“A qual” é sujeito — se fosse regido por “possível”, seria necessário uma preposição (ex.: “a qual de algo é possível”), o que não existe no texto.
A forma “a qual” (em vez de “que”) é escolhida por clareza e ênfase, mas a motivação gramatical é a função de sujeito, não a regência de “possível”.
Conclusão
A assertiva está errada porque confunde dois conceitos: a regência do adjetivo “possível” (que não exige complemento) com a função sintática do pronome relativo (que é sujeito). Para acertar questões assim, analise sempre a função do pronome relativo na oração que ele introduz — pergunte: “ele é sujeito? objeto? complemento?” — e só então decida se há preposição.