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Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsOrações Subordinadas Adjetivas
Código
ce396305
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2023
Cargo
Vest ( )

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Jackson Pollock. Ritmo de Outono – número 30.

   

Na obra Ritmo de outono — número 30, de Jackson Pollock, o artista utiliza a técnica de gotejamento, a qual só é possível com tinta esmaltada, que é mais viscosa que o óleo sobre tela, ou seja, possui uma textura mais líquida (o óleo sobre tela é uma tinta pastosa). Essa propriedade deve-se à presença de resinas, plastificantes e outros componentes na formulação do esmalte. Entre os solventes utilizados nas tintas esmaltadas, encontra-se o álcool isopropílico, que pode causar alergia quando em contato com a pele humana, bem como prejudicar a fauna, a flora e ambientes aquáticos. Quando derramada no solo, essa substância pode percolar (atravessar o solo) e atingir o lençol freático, contaminando-o. As resinas utilizadas nessas tintas incluem os polímeros plásticos, responsáveis pelas características do filme após a secagem, tais como brilho e aderência. Entre elas destaca-se a nitrocelulose. Os plastificantes, por sua vez, auxiliam na maleabilidade da película formada, impedindo a formação de rachaduras. Um dos plastificantes mais utilizados é a cânfora, um produto natural obtido das folhas da planta medicinal canforeira e amplamente utilizado como plastificante da nitrocelulose.

Considerando a obra Ritmo de outono — número 30, de Jackson Pollock, e o texto apresentado, julgue o item a seguir.

 

No primeiro período do texto, o emprego da expressão “a qual” é motivada pela regência do adjetivo “possível”.

 

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  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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O emprego de “a qual” no primeiro período

Gabarito: ERRADO. A expressão “a qual” não é motivada pela regência do adjetivo “possível”, mas sim pela função sintática de sujeito que o pronome relativo exerce dentro da oração subordinada adjetiva. No trecho, “a qual” retoma “técnica de gotejamento” e funciona como sujeito do verbo “é”, não como complemento regido por “possível”.

O comando

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação gramatical: o motivo do emprego de “a qual”. Isso é uma questão de análise sintática — precisamos identificar a função do pronome relativo na oração que ele introduz, e não apenas decorar que “a qual” é um pronome relativo. A banca quer saber se você entende por que o autor escolheu essa forma.

O texto

No primeiro período, lemos:

“Na obra Ritmo de outono — número 30, de Jackson Pollock, o artista utiliza a técnica de gotejamento, a qual só é possível com tinta esmaltada...”

A oração “a qual só é possível com tinta esmaltada” é uma subordinada adjetiva explicativa (separada por vírgula), que caracteriza “técnica de gotejamento”. O pronome relativo “a qual” retoma esse substantivo feminino singular.

A técnica que decide

A regra é: o pronome relativo “o qual/a qual/os quais/as quais” concorda em gênero e número com o antecedente, mas a forma (com ou sem preposição) depende da função sintática que ele exerce na oração adjetiva. Se o relativo for sujeito ou objeto direto, não há preposição; se for objeto indireto, complemento nominal etc., virá preposicionado.

No trecho, “a qual” exerce função de sujeito do verbo “é” (predicado nominal: “é possível”). O adjetivo “possível” não rege preposição — ele é o predicativo do sujeito, e o sujeito é “a qual”. A regência do adjetivo “possível” não exige preposição alguma; quem exige preposição seria um termo como “possível de” (raro) ou “possível a” (em outras construções), o que não ocorre aqui.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir regência nominal com função sintática do pronome relativo. O aluno que decora “a qual = pronome relativo” sem analisar a função cai na armadilha. A pergunta certa é: “que função ‘a qual’ exerce na oração?” — e a resposta é sujeito, não complemento regido por “possível”.

Pronome relativo "a qual"
  • 1Função sintática
    • Sujeito (sem preposição)
    • Objeto direto (sem preposição)
    • Objeto indireto (com preposição)
    • Complemento nominal (com preposição)
  • 2No trecho
    • Retoma "técnica de gotejamento"
    • Sujeito de "é possível"
    • Não é regência de "possível"
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Análise da assertiva

A afirmação diz que o emprego de “a qual” é motivado pela regência do adjetivo “possível”. Isso está errado por dois motivos:

  1. “Possível” não rege preposição — é um adjetivo que, no predicado nominal, tem como núcleo o verbo “ser” e como predicativo o próprio adjetivo. Não há complemento nominal exigido por ele.

  2. “A qual” é sujeito — se fosse regido por “possível”, seria necessário uma preposição (ex.: “a qual de algo é possível”), o que não existe no texto.

A forma “a qual” (em vez de “que”) é escolhida por clareza e ênfase, mas a motivação gramatical é a função de sujeito, não a regência de “possível”.

Conclusão

A assertiva está errada porque confunde dois conceitos: a regência do adjetivo “possível” (que não exige complemento) com a função sintática do pronome relativo (que é sujeito). Para acertar questões assim, analise sempre a função do pronome relativo na oração que ele introduz — pergunte: “ele é sujeito? objeto? complemento?” — e só então decida se há preposição.

Gabarito: ERRADO.

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