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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396318
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEPLAN RR
Ano
2023
Cargo
APO ( )

A governabilidade refere-se à capacidade política de governar, que deriva da relação de legitimidade do Estado e do seu governo com a sociedade. Está presente quando a população legitima o exercício do poder pelo Estado. A legitimidade, nesse contexto, deve ser entendida como a aceitação do poder do governo ou do Estado pela sociedade.


Nesse sentido, os cidadãos e a cidadania organizada são a fonte ou a origem principal da governabilidade, ou seja, é a partir deles (e de sua capacidade de articulação em partidos, associações e demais instituições representativas) que surgem e se desenvolvem as condições para a governabilidade plena.


Vinculada à dimensão estatal, governabilidade diz respeito às condições sistêmicas e institucionais sob as quais se dá o exercício do poder, tais como as características do sistema político, a forma de governo, as relações entre os poderes, o sistema de intermediação de interesses. Representa, assim, um conjunto de atributos essenciais ao exercício do governo, sem os quais nenhum poder pode ser exercido.


Há três dimensões inerentes ao conceito de governabilidade: capacidade do governo de identificar problemas críticos e de formular políticas adequadas ao enfrentamento desses problemas, capacidade de mobilizar meios e recursos necessários à execução e à implantação das políticas públicas e capacidade de liderança do Estado, sem a qual as decisões se tornam ineficientes. A governabilidade, então, significa que o governo deve tomar decisões amparadas em um processo que inclua a participação dos diversos setores da sociedade, dos poderes constituídos, das instituições públicas e privadas e dos segmentos representativos da sociedade, para garantir que as escolhas atendam aos anseios da sociedade e contem com seu apoio na implementação de programas e projetos e na fiscalização dos serviços públicos.


Sob esse enfoque, significa a participação dos diversos setores da sociedade nos processos decisórios que dizem respeito às ações do poder público, uma vez que incorpora a articulação do aparelho estatal ao sistema político de uma sociedade, ampliando o leque possível e indispensável à legitimidade e ao suporte das ações governamentais em busca de sua eficácia.


Em resumo, governabilidade refere-se às condições do ambiente político em que se efetivam ou se devem efetivar as ações da administração, à base de legitimidade dos governos, à credibilidade e à imagem públicas da burocracia. Desse modo, o desafio da governabilidade consiste em conciliar os muitos interesses desses atores (na maioria, divergentes) e reuni-los em um objetivo comum (ou em vários objetivos comuns) a ser perseguido por todos. Assim, a capacidade de articular-se em alianças políticas e pactos sociais constitui-se em fator crítico para a viabilização dos objetivos do Estado. Essa tentativa de articulação que a governabilidade procura é uma forma de intermediação de interesses.

 

Thiago Antunes da Silva.

Conceitos e evolução da administração pública: o desenvolvimento do papel administrativo, 2017. Internet: <www.online.unisc.br> (com adaptações).

Texto CB1A1

 

No que concerne aos aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o próximo item.

 

No quarto parágrafo do texto, o período “A governabilidade, então, significa que o governo deve tomar decisões amparadas em um processo que inclua a participação dos diversos setores da sociedade” poderia ser reescrito da seguinte forma, o que manteria a correção gramatical e os sentidos textuais: A governabilidade, assim, significa que o governo tomará decisões respaldadas em um processo que prescinda da participação dos diversos setores da sociedade.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de Frases: a troca de “incluir” por “prescindir” inverte o sentido

Gabarito: ERRADO (E). A reescrita proposta não mantém os sentidos textuais porque substitui o verbo “incluir” por “prescindir”, que tem sentido oposto — o texto afirma que as decisões devem contar com a participação da sociedade, enquanto a reescrita diz que essa participação é dispensável. Além disso, a troca de “deve tomar” por “tomará” altera a modalidade de obrigação para uma mera previsão futura. A passagem que sustenta o veredito está no quarto parágrafo: “o governo deve tomar decisões amparadas em um processo que inclua a participação dos diversos setores da sociedade”.

O comando: o que a banca pede

A questão é de reescrita de frases — o enunciado pergunta se a nova redação “manteria a correção gramatical e os sentidos textuais”. Isso significa que você deve testar dois critérios: (1) a gramática (concordância, regência, tempo verbal) e (2) o sentido (a informação veiculada). Aqui, o erro está no sentido: a reescrita contradiz o texto original. Não é uma questão de inferência nem de compreensão literal — é uma questão de paráfrase fiel: a reescrita deve dizer a mesma coisa, com outras palavras, sem acrescentar, suprimir ou inverter nada.

O texto: o que o autor afirma

O texto define governabilidade e, no quarto parágrafo, afirma que ela “significa que o governo deve tomar decisões amparadas em um processo que inclua a participação dos diversos setores da sociedade”. A palavra-chave é incluir: a participação é parte essencial do processo decisório. O autor reforça isso no parágrafo seguinte: “significa a participação dos diversos setores da sociedade nos processos decisórios”. Portanto, a ideia central é que a participação é obrigatória e desejável.

A técnica: como testar a reescrita

Para resolver, compare termo a termo a reescrita com o original, perguntando: “o sentido mudou?”. Veja as duas mudanças cruciais:

  1. “inclua” → “prescinda”: “prescindir de” significa dispensar, abrir mão de. O original diz que o processo deve incluir a participação; a reescrita diz que o processo pode dispensar a participação. São antônimos — a reescrita inverte completamente a tese do texto.

  1. “deve tomar” → “tomará”: “deve tomar” expressa obrigação (modalidade deôntica); “tomará” expressa futuro do presente, indicando uma ação que ocorrerá, sem o valor de obrigatoriedade. Isso também altera o sentido, embora o erro principal seja a troca de “incluir” por “prescindir”.

A banca adora esse tipo de pegadinha: trocar um verbo por outro que parece parecido, mas tem sentido oposto. A dica é: desconfie de palavras que invertem a lógica — “incluir” vira “prescindir”, “com” vira “sem”, “todos” vira “nenhum”.

Análise da assertiva

Reescrita de frases
  • 1Critérios
    • Correção gramatical
    • Sentidos textuais
  • 2Erro da assertiva
    • "inclua" → "prescinda"
      • Antônimos (inverte a tese)
    • "deve tomar" → "tomará"
      • Obrigação vira previsão futura
  • 3Técnica de resolução
    • Comparar termo a termo
    • Desconfiar de palavras que invertem a lógica
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Assertiva — ❌ ERRADO

A reescrita proposta não mantém os sentidos textuais. O texto original afirma:

“o governo deve tomar decisões amparadas em um processo que inclua a participação dos diversos setores da sociedade”

A reescrita diz:

“o governo tomará decisões respaldadas em um processo que prescinda da participação dos diversos setores da sociedade”

A troca de “inclua” por “prescinda” é decisiva: incluir = fazer parte; prescindir = dispensar. São antônimos. O texto defende a participação como condição da governabilidade; a reescrita a descarta. Isso é uma contradição com o texto, não uma paráfrase. Além disso, a mudança de “deve tomar” para “tomará” retira o valor de obrigação — o governo não apenas “deve”, mas “tomará” decisões, o que enfraquece a ideia de dever. Portanto, a assertiva está errada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o verbo “incluir” por “prescindir”, que tem sentido oposto, e ainda altera o tempo verbal de “deve tomar” para “tomará”, mudando a modalidade de obrigação para mera previsão futura. Fique atento a trocas de vocábulos que invertem a lógica do texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, sublinhe os verbos e os conectivos — são eles que carregam o sentido. Pergunte: “a nova redação diz a mesma coisa?”. Se um verbo foi trocado por um antônimo, a resposta é não.

Conclusão: a reescrita não mantém os sentidos textuais, pois inverte a relação entre governabilidade e participação social. Portanto, o item está ERRADO.

Gabarito: letra E

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