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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce396406
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ CE
Ano
2023
Cargo
TJ ( )

Texto CG1A1-I

 

Nem mais como tema literário serve ainda esse assunto de seca. Já cansou quem escreve, cansou quem lê e cansou principalmente quem o sofre. Parece mesmo que cansou o próprio Deus Nosso Senhor, pois que afinal, repetindo um gesto sucedido há exatamente um século (o último diz a tradição que foi em 1851), contra todos os cálculos, contra todas as experiências, ultrapassando os otimismos mais alucinados, fez começar um inverno no Nordeste durante a primeira quinzena de abril.

 

Eu estava lá. Assisti mais uma vez à mágica transformação do deserto em jardim do paraíso. E vendo o céu escurecer bonito, depois de tantos meses de desesperança, os compadres diziam que eu lhes levara o inverno nas malas. O fato é que, durante a viagem de ida, enquanto o “Constellation” da Panair voava por cima do colchão compacto de nuvens carregadas de água, me dava uma vontade desesperada de rebocá-las todas, lá para onde tanta falta faziam, levá-las como rebanho de golfinhos prisioneiros e despejá-las em cheio sobre os serrotes do Quixadá.

 

Pois choveu. Encheram-se os açudes, as várzeas deram nado, os rios subiram de barreira a barreira.

 

Mas ninguém espere muito de um inverno assim tardio. Já se agradece de joelhos o pasto aparentemente garantido, o gado salvo. Mas não se espera que haja milho. Talvez feijão, desse precoce que dá em dois meses. E o algodão aguenta, provavelmente. Nada mais.

 

Rachel de Queiroz. Choveu! (com adaptações).

Com base nas ideias do texto CG1A1-I, conclui-se que a afirmação inicial de que “Nem mais como tema literário serve ainda esse assunto de seca” justifica-se pelo fato de que
  1. ADeus finalmente fez chover no Nordeste.
  2. Ba seca no Nordeste tornou-se assunto banal.
  3. Co inverno começou no Nordeste.
  4. Da seca no Nordeste acabou.
  5. Eas lavouras no Nordeste finalmente prosperaram.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — a seca no Nordeste tornou-se assunto banal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A justificativa da afirmação inicial sobre a seca como tema literário

Gabarito: letra B. A afirmação de que “Nem mais como tema literário serve ainda esse assunto de seca” justifica-se porque a seca tornou-se assunto banal, ou seja, perdeu a força de mobilizar escritores e leitores. A passagem que ancora essa leitura está no primeiro parágrafo: “Já cansou quem escreve, cansou quem lê e cansou principalmente quem o sofre.” O verbo “cansou” indica esgotamento, saturação — exatamente o sentido de banalização que a alternativa B captura.

O comando da questão pede uma conclusão a partir das ideias do texto: não se trata de localizar uma informação literal, mas de inferir a justificativa para uma afirmação inicial. A banca quer que o candidato perceba a relação de causa e consequência entre o cansaço generalizado e a perda de relevância do tema. É uma questão de interpretação, não de mera recorrência — a resposta não está escrita palavra por palavra, mas é dedução direta e obrigatória do que o texto afirma.

O texto de Rachel de Queiroz narra a chegada de uma chuva tardia no Nordeste, mas o ponto central do primeiro parágrafo é o esgotamento do tema da seca. A autora enumera quem está cansado: quem escreve, quem lê e, principalmente, quem sofre. Esse cansaço é a razão pela qual o assunto “nem mais como tema literário serve”. A alternativa B traduz esse esgotamento como “assunto banal” — uma paráfrase legítima, pois “banal” significa justamente o que perdeu o interesse por ser repetitivo e comum.

A técnica para resolver é simples: pergunte-se qual é a causa apontada pelo texto para a afirmação inicial. O texto não diz que a seca acabou, nem que as lavouras prosperaram, nem que Deus fez chover como justificativa — esses são fatos narrados, mas não a razão do cansaço. A causa está explícita na sequência: “Já cansou quem escreve, cansou quem lê e cansou principalmente quem o sofre.” O cansaço é a banalização. As demais alternativas confundem consequência (choveu, as lavouras vão bem) com causa (o tema cansou).

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece fatos verdadeiros do texto (choveu, inverno começou, lavouras prosperam) como se fossem a justificativa, mas a justificativa é o cansaço — a banalização do tema. Não confunda o que aconteceu com o porquê da afirmação.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de causa e consequência, sublinhe o conector ou a expressão que indica a relação. Aqui, a ausência de conector explícito é compensada pela sequência lógica: afirmação + justificativa. Leia o parágrafo como um todo, não a frase isolada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a justificativa é “Deus finalmente fez chover no Nordeste”. O texto realmente narra a chuva: “fez começar um inverno no Nordeste durante a primeira quinzena de abril”. Porém, isso é um fato posterior à afirmação inicial, não a sua causa. A afirmação “Nem mais como tema literário serve” é anterior à chuva e se justifica pelo cansaço, não pela chuva. A alternativa extrapola ao transformar um evento narrado em justificativa da tese inicial.

Alternativa B — ✅ Correta

A alternativa afirma que a justificativa é “a seca no Nordeste tornou-se assunto banal”. O texto sustenta isso ao dizer: “Já cansou quem escreve, cansou quem lê e cansou principalmente quem o sofre.” O verbo “cansou” indica saturação, esgotamento — o tema perdeu a novidade e o interesse, tornando-se banal. A alternativa é uma paráfrase fiel da ideia central do primeiro parágrafo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a justificativa é “o inverno começou no Nordeste”. O texto narra: “fez começar um inverno no Nordeste durante a primeira quinzena de abril”. Novamente, é um fato narrado, não a causa da afirmação inicial. A alternativa contradiz a lógica do texto: a afirmação inicial é sobre o tema literário, não sobre o clima. O inverno é consequência da chuva, não justificativa do cansaço.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a justificativa é “a seca no Nordeste acabou”. O texto não afirma que a seca acabou; ele narra uma chuva tardia, mas ressalva: “Mas ninguém espere muito de um inverno assim tardio.” A seca não acabou, apenas houve uma trégua. A alternativa extrapola ao afirmar um fim definitivo que o texto não sustenta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a justificativa é “as lavouras no Nordeste finalmente prosperaram”. O texto diz: “Já se agradece de joelhos o pasto aparentemente garantido, o gado salvo. Mas não se espera que haja milho. Talvez feijão, desse precoce que dá em dois meses. E o algodão aguenta, provavelmente. Nada mais.” Ou seja, as lavouras não prosperaram plenamente; há apenas uma expectativa moderada. A alternativa contradiz o texto ao afirmar prosperidade total, quando o texto é cauteloso e limitado.

Conclusão: a única alternativa que expressa a justificativa da afirmação inicial é a letra B, pois traduz o cansaço generalizado como banalização do tema. As demais confundem fatos narrados com a causa da tese. Lembre-se: em questões de causa e consequência, a causa é o que explica a afirmação, não o que acontece depois.

Gabarito: letra B

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