Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2023
Português›Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce396445
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
AGER MT
Ano
2023
Cargo
Ana Adm ( )
Ouvir é um sentido e uma das ações humanas mais básicas e elementares na comunicação. Essa ação é bastante relevante quando se trata de responsividade e prestação de contas no âmbito da gestão pública. Na discussão sobre o modelo ideal de ouvidoria pública, a transparência, a autonomia e a promoção da participação e do controle social são centrais. Assim, para que as ouvidorias públicas cumpram seu papel no fortalecimento da democracia participativa e no aperfeiçoamento da gestão pública, é fundamental que os ouvidores exerçam suas atribuições com autonomia e independência.
O desenvolvimento das estruturas burocráticas do Estado gerou a necessidade de proteção de direitos dos cidadãos contra usos e abusos do poder público. A inexistência de controle efetivo e de penalidades aplicáveis aos serviços públicos enfraquece os ideais democráticos, limitando a influência dos cidadãos no funcionamento e na fiscalização das instituições do Estado e os expondo aos riscos potenciais da burocracia. Portanto, a autonomia das ouvidorias públicas está relacionada ao provimento de estruturas que possibilitem a prestação de contas à sociedade, com o objetivo de expor os erros governamentais e ativar o funcionamento das agências horizontais. Dessa forma, a ouvidoria tem o papel não de se contrapor ao órgão ou à entidade na defesa do cidadão, mas de garantir que a demanda da cidadania seja considerada e tratada, à luz das garantias constitucionais e legais, atuando no sentido de recomendar adequações necessárias ao efetivo funcionamento da administração pública.
Michelle Vieira Fernandez et alii. Ouvidoria como instrumento de participação, controle e avaliação de políticas públicas de saúde no Brasil. Physis: Revista de Saúde Coletiva, n.º 31, 2021 (com adaptações).
Texto CB1A1-I
No segundo período do segundo parágrafo do texto CB1A1-I, o vocábulo “os”, em “os expondo”, remete a
A“controle” e “penalidades”.
B“funcionamento” e “fiscalização”.
C“serviços públicos”.
D“ideais democráticos”.
E“cidadãos”.
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GabaritoE — “cidadãos”.
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Coesão referencial: o pronome “os” em “os expondo”
Gabarito: letra E. No trecho “os expondo”, o pronome oblíquo “os” retoma “cidadãos”, como se comprova pela leitura do período: a inexistência de controle efetivo e de penalidades “limita a influência dos cidadãos no funcionamento e na fiscalização das instituições do Estado e os expondo aos riscos potenciais da burocracia”. Quem é exposto aos riscos? Os cidadãos. A alternativa E é a única que identifica corretamente o referente anafórico.
O comando pede uma tarefa de compreensão gramatical contextualizada: identificar o referente de um pronome. Não se trata de inferir nada além do texto, mas de rastrear a cadeia coesiva. A técnica é simples: substitua o pronome pelo termo candidato e veja se a frase mantém o sentido e a lógica. Se “os” = “cidadãos”, temos “expondo os cidadãos aos riscos” — perfeito. Se “os” = “serviços públicos”, teríamos “expondo os serviços públicos aos riscos”, o que não faz sentido no contexto, pois quem sofre os riscos da burocracia são as pessoas, não os serviços.
No segundo parágrafo, o autor desenvolve a tese de que a falta de controle efetivo e de penalidades enfraquece a democracia e limita a influência dos cidadãos. A oração “e os expondo aos riscos potenciais da burocracia” é coordenada à anterior, compartilhando o mesmo objeto: os cidadãos. A estrutura é: “A inexistência de controle efetivo e de penalidades [...] limitando a influência dos cidadãos [...] e os expondo”. O pronome “os” é um pronome pessoal oblíquo de terceira pessoa do plural, que funciona como objeto direto do verbo “expondo”. Para identificar o referente, basta perguntar: “expondo quem?”. A resposta é “os cidadãos”.
A coesão referencial é o mecanismo que evita a repetição de termos, utilizando pronomes, sinônimos ou elipses para retomar informações já mencionadas. Quando o pronome retoma um termo anterior, temos uma anáfora. Nesse caso, “os” é anafórico, pois se refere a “cidadãos”, que aparece antes no texto. A banca explora a proximidade: os termos “controle”, “penalidades”, “funcionamento”, “fiscalização”, “serviços públicos” e “ideais democráticos” estão próximos ao pronome, mas não são o alvo da retomada. O teste da substituição é infalível: “expondo os cidadãos” faz sentido; “expondo os serviços públicos” não.
NÃO CAIA NESSA!
A banca coloca termos que aparecem na mesma oração, mas que não são o referente lógico. O candidato pode ser tentado a escolher “serviços públicos” ou “ideais democráticos” por estarem próximos, mas a análise sintática e semântica mostra que o pronome retoma “cidadãos”.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o referente de um pronome, faça a substituição mental: “expondo quem?”. Se a frase ficar coerente, é o referente. Desconfie de termos que estão apenas próximos, mas não fazem sentido com o verbo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Controle” e “penalidades” são os agentes da ação, não os pacientes. O texto diz que a inexistência de controle e penalidades “limita a influência dos cidadãos” e “os expondo”. Quem é exposto? Os cidadãos, não o controle ou as penalidades. A alternativa troca o referente por termos que aparecem no início da oração, mas que não são o objeto da ação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Funcionamento” e “fiscalização” são substantivos abstratos que se referem às instituições do Estado. O pronome “os” não pode retomá-los, pois seriam “expondo o funcionamento e a fiscalização aos riscos”, o que não faz sentido. A alternativa extrapola ao escolher termos que estão na mesma oração, mas que não são o alvo da ação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Serviços públicos” é um termo que aparece no texto, mas não é o referente. Se “os” = “serviços públicos”, teríamos “expondo os serviços públicos aos riscos”, o que é ilógico, pois os riscos da burocracia afetam as pessoas, não os serviços. A alternativa contradiz o sentido do texto, que fala em proteger os cidadãos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Ideais democráticos” é um conceito abstrato que não pode ser “exposto aos riscos”. O texto diz que a inexistência de controle “enfraquece os ideais democráticos”, mas quem é exposto aos riscos são os cidadãos. A alternativa troca o referente por um termo que está no mesmo parágrafo, mas que não é o objeto da ação.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O pronome “os” retoma “cidadãos”, como se vê no trecho: “limitando a influência dos cidadãos no funcionamento e na fiscalização das instituições do Estado e os expondo aos riscos potenciais da burocracia”. A substituição “expondo os cidadãos aos riscos” é perfeita e mantém o sentido. A alternativa identifica corretamente o referente anafórico.
Conclusão: a questão testa a habilidade de rastrear a cadeia coesiva. O pronome “os” é anafórico e retoma “cidadãos”. As demais alternativas apresentam termos que estão próximos, mas que não são o referente lógico. Gabarito: letra E.