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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce396486
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Fortaleza
Ano
2023
Cargo
ATM ( )

Responsabilidade fiscal combina com responsabilidade social?


Quando analistas do mercado financeiro e economistas ditos “ortodoxos” referem-se à necessidade de haver responsabilidade fiscal, parece, à primeira vista, que estão se referindo à necessidade de o Estado não realizar gastos (ou abrir mão de receitas públicas) de modo descontrolado, eleitoreiro e ineficiente, aumentando aceleradamente a dívida pública (em proporção do PIB) sem um planejamento econômico- orçamentário de médio e longo prazo. Se fosse somente isso, se fossem somente essas as suas preocupações, não haveria muita polêmica, visto que os políticos e os economistas que questionam a visão do mercado financeiro também concordam com esses parâmetros para qualificar a responsabilidade fiscal.


O problema está em alguns diagnósticos e causalidades evocados pelos economistas porta-vozes do mercado financeiro, que podemos sintetizar em duas ideias centrais.


A primeira ideia central é a de que a economia brasileira apresentaria historicamente um sério “risco fiscal”, suficiente para tirar o sono daqueles que compram títulos da dívida pública. Exatamente por esse grave risco fiscal, argumenta o economista ortodoxo, é que haveria a necessidade de o Banco Central manter a taxa de juros reais nas alturas, colocando o Brasil quase sempre na posição de país com a maior taxa de juros reais no mundo. Os maiores juros reais do mundo seriam uma espécie de prêmio exigido de modo justo e justificado pelos “investidores” que emprestam seus recursos ao governo: maior risco, maior incerteza, maior prêmio — uma simples e sadia “lei do mercado”.


A segunda ideia central é a de que a inflação decorreria de um excesso de demanda na economia. Não adianta apresentar dados objetivos indicando que, em muitos casos, a inflação é gerada por choques de oferta que nada têm a ver com excesso de demanda. A partir desse diagnóstico imutável (e imune aos fatos) de que a inflação — ou o risco de inflação — seria sempre um problema de excesso de demanda, os porta-vozes do mercado estão sempre cobrando do governo que colabore para a redução da demanda e modere seus gastos (exceto o gasto com os juros da dívida pública), e estão sempre cobrando do Banco Central que aumente a taxa básica de juros diante de qualquer tipo de sinal de pressão inflacionária, pois o aumento dos juros causa refluxo da demanda — demissões, queda nos investimentos — e esse refluxo da demanda combateria eficazmente a inflação.


Podemos agora formular com precisão: o mercado financeiro não vê antagonismo entre responsabilidade fiscal e responsabilidade social porque, em sua visão, a primeira é sempre uma pré- condição para a segunda. Como o mercado financeiro sempre vê um risco fiscal significativo na economia brasileira, nunca estará satisfeito com o nível de responsabilidade fiscal demonstrado pelo governo, nunca achará que já estamos em condições de avançar com segurança nas tarefas sociais e sempre tachará de “populista” ou “demagógica” qualquer alternativa que signifique abandonar esse beco sem saída ao qual o país foi condenado nas últimas décadas.


Internet: <anima.pucminas.br> (com adaptações).

Texto CG1A1-I

 

No que se refere a aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue o próximo item.


No terceiro período do quinto parágrafo, o segmento “e imune aos fatos”, inserido entre parênteses, reitera o significado do termo anterior “imutável”.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reiteração ou acréscimo? O sentido de “imune aos fatos”

Gabarito: ERRADO (E). O segmento “e imune aos fatos”, inserido entre parênteses, não reitera o significado de “imutável”; ele acrescenta uma qualidade nova ao diagnóstico: além de ser imutável, ele é imune aos fatos, ou seja, não se deixa abalar por eles. A reiteração exigiria que o segundo termo apenas retomasse, com outras palavras, a ideia já expressa — o que não ocorre aqui.

O comando pede que você julgue uma afirmação sobre o texto: se o trecho entre parênteses “reitera o significado do termo anterior”. Isso é uma questão de coesão referencial e de semântica contextual: precisamos verificar se há relação de sinonímia (reiteração) ou de acréscimo de informação.

No texto, lemos:

“A partir desse diagnóstico imutável (e imune aos fatos) de que a inflação — ou o risco de inflação — seria sempre um problema de excesso de demanda...”

A palavra “imutável” significa “que não muda”, “fixo”. Já “imune aos fatos” significa “que não é afetado pelos fatos”, “que resiste a eles”. São ideias próximas, mas não equivalentes: algo pode ser imutável sem ser imune aos fatos (pode mudar por influência externa), e algo pode ser imune aos fatos sem ser imutável (pode mudar por outros motivos). O autor usa os dois para caracterizar o diagnóstico dos economistas ortodoxos: ele é fixo e, além disso, não se deixa abalar por evidências contrárias. Há, portanto, um acréscimo de sentido, não uma mera repetição.

A banca explora a armadilha da sinonímia imperfeita: como “imutável” e “imune aos fatos” parecem andar juntas no contexto, o candidato pode achar que são sinônimas. Mas reiterar é retomar com palavras equivalentes; aqui, há uma progressão — o segundo termo adiciona uma característica nova.

1Reiteração
Retoma com sinônimo
Mesma ideia
2Acréscimo
Adiciona qualidade nova
Progressão de sentido
3Caso do texto
"Imutável" = fixo
"Imune aos fatos" = não se abala
Não são sinônimos
Relação entre termos
LEVELsoulevel.com.br
Relação entre termos: Reiteração (Retoma com sinônimo, Mesma ideia); Acréscimo (Adiciona qualidade nova, Progressão de sentido); Caso do texto ("Imutável" = fixo, "Imune aos fatos" = não se abala, Não são sinônimos)

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que “imune aos fatos” reitera “imutável”. Isso não se sustenta: reiterar seria usar um sinônimo ou uma expressão que retomasse exatamente a mesma ideia. “Imune aos fatos” não é sinônimo de “imutável”; é uma qualidade complementar. O texto não diz que o diagnóstico é imutável porque é imune aos fatos, nem que as duas expressões significam a mesma coisa. Há uma relação de acréscimo, não de reiteração. Portanto, a alternativa está errada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E (Errado) é a correta, pois a afirmação do item é falsa. O trecho “e imune aos fatos” não reitera “imutável”; ele acrescenta uma informação nova. A banca pede que você marque a opção que nega a afirmação — e é exatamente isso que a letra E faz.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na falsa sinonímia: como “imutável” e “imune aos fatos” aparecem juntas e ambas têm conotação negativa, o candidato pode achar que são equivalentes. Mas reiterar exige identidade de sentido, e aqui há acréscimo.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre reiteração, pergunte: “o segundo termo poderia substituir o primeiro sem mudar o sentido?”. Se a resposta for não, não há reiteração — há acréscimo ou especificação.

Conclusão: a questão testa a distinção entre reiteração (retomada por sinonímia) e acréscimo (adição de nova informação). Como “imune aos fatos” não é sinônimo de “imutável”, o item está errado.

Gabarito: letra E

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