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Questão de Português — Figuras de Linguagem — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
ce396495
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Pref Recife
Ano
2023
Cargo
Prof II( )

Os mediadores de leitura são aquelas pessoas que estendem pontes entre os livros e os leitores, ou seja, que criam as condições para fazer com que seja possível que um livro e um leitor se encontrem. A experiência de encontrar os livros certos nos momentos certos da vida, esses livros que nos fascinam e que nos vão transformando em leitores paulatinamente, não tem uma rota única nem uma metodologia específica; por isso, os mediadores de leitura não são fáceis de definir. No entanto, basta lembrar como descobrimos, nos primeiros anos da vida, esses livros que deixaram rastros em nossa infância e, talvez, aparecerão nítidas algumas figuras que foram nossos mediadores de leitura: esses adultos íntimos que deram vida às páginas de um livro, essas vozes que liam para nós, essas mãos e esses rostos que nos apresentavam os mundos possíveis e as emoções dos livros.


Os mediadores de leitura, consequentemente, não estão somente na escola, mas no lar, nas bibliotecas e nos espaços não convencionais, como os parques, os hospitais e as ludotecas, entre outros lugares. Durante a primeira infância, quando a criança não lê sozinha, a leitura é um trabalho em parceria e o adulto é quem vai dando sentido a essas páginas que, para o bebê, não seriam nada, sem sua presença e sua voz. Então, os primeiros mediadores de leitura são os pais, as mães, os avós e os educadores da primeira infância e, aos poucos, à medida que as crianças se aproximam da língua escrita, vão se somando outros professores, a exemplo dos bibliotecários, dos livreiros e dos diversos adultos que acompanham a leitura das crianças.


Não é fácil reduzir o trabalho do mediador de leitura a um manual de funções. Seu ofício essencial é ler de muitas formas possíveis: em primeiro lugar, para si mesmo, porque um mediador de leitura é um leitor sensível e perspicaz, que se deixa tocar pelos livros, que desfruta e que sonha em compartilhá-los com outras pessoas. Em segundo lugar, um mediador cria rituais, momentos e atmosferas propícias para facilitar os encontros entre livros e leitores. Às vezes, pode fazer a hora do conto e ler em voz alta uma ou várias histórias a um grupo, mas, outras vezes, propicia leituras íntimas e solitárias ou encontros em pequenos grupos. Assim, em certas ocasiões, conversa ou recomenda algum livro; em outras, permanece em silêncio ou se oculta para deixar que livro e leitor conversem.


Por isso, além de livros, um mediador de leitura lê seus leitores: quem são, o que sonham e o que temem, e quais são esses livros que podem criar pontes com suas perguntas, com seus momentos vitais e com essa necessidade de construir sentido que nos impulsiona a ler, desde o começo e ao longo da vida.


Internet:<https://www.ceale.fae.ufmg.br/> (com adaptações).

Texto 8A2-I

 

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto 8A2-I, julgue o item que se segue.


No trecho “esses adultos íntimos que deram vida às páginas de um livro, essas vozes que liam para nós, essas mãos e esses rostos que nos apresentavam os mundos possíveis e as emoções dos livros” (último período do primeiro parágrafo), há presença da figura de linguagem denominada metonímia.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Metonímia em "mãos e rostos": a parte pelo todo

Gabarito: CERTO (C). O trecho citado apresenta metonímia, pois emprega "mãos" e "rostos" — partes do corpo humano — para designar os próprios mediadores de leitura, pessoas inteiras. Essa é a clássica relação de parte pelo todo, uma das formas mais comuns de metonímia, como se lê no trecho: "essas mãos e esses rostos que nos apresentavam os mundos possíveis e as emoções dos livros".

O comando: reconhecer a figura de linguagem

A questão pede que você julgue se há metonímia no trecho destacado. Não se trata de interpretar o sentido global do texto, mas de identificar um recurso expressivo — uma figura de palavra. Para isso, é preciso saber a definição de metonímia e aplicá-la ao trecho, verificando se há uma substituição de um termo por outro com relação de proximidade.

O texto: quem são os mediadores

O texto define os mediadores de leitura como pessoas que "estendem pontes entre os livros e os leitores". No primeiro parágrafo, o autor lembra as figuras que atuaram como mediadores na infância: "esses adultos íntimos que deram vida às páginas de um livro, essas vozes que liam para nós, essas mãos e esses rostos que nos apresentavam os mundos possíveis e as emoções dos livros".

Observe que o autor não repete "adultos" ou "pessoas" — ele usa partes dessas pessoas (vozes, mãos, rostos) para se referir a elas por inteiro. É exatamente isso que caracteriza a metonímia.

A técnica: o que é metonímia e como reconhecê-la

Metonímia é a figura de linguagem em que se substitui um termo por outro, havendo entre eles uma relação de proximidade ou contiguidade — não de semelhança (isso seria metáfora). As relações mais comuns são:

  • parte pelo todo (ou todo pela parte);

  • autor pela obra ("li Machado de Assis");

  • marca pelo produto ("tomei um Nescau");

  • continente pelo conteúdo ("bebeu um copo").

No trecho, "mãos" e "rostos" são partes do corpo que representam as pessoas (os mediadores). Não há comparação implícita (metáfora), nem exagero (hipérbole), nem atribuição de características humanas a seres inanimados (personificação). A relação é de contiguidade física: a parte está contida no todo.

"essas mãos e esses rostos que nos apresentavam os mundos possíveis e as emoções dos livros"

Aqui, quem apresenta os mundos possíveis são as pessoas (os mediadores), não literalmente as mãos ou os rostos. O autor usa essas partes para evocar a presença humana, criando uma imagem vívida e afetiva. Isso é metonímia.

Por que as outras figuras não se aplicam

  • Metáfora: exigiria uma comparação implícita entre elementos de universos distintos (ex.: "a vida é um palco"). Aqui, "mãos" e "rostos" não são comparados a outra coisa; são usados no lugar de "pessoas".

  • Catacrese: é uma metáfora cristalizada pelo uso (ex.: "braço da cadeira"). Não é o caso.

  • Sinestesia: mistura de sensações de sentidos diferentes (ex.: "perfume doce e quente"). Não ocorre.

  • Personificação: atribui características humanas a seres inanimados. Aqui, as partes do corpo são humanas, mas representam pessoas — não há personificação.

Conclusão

A afirmação está correta: o trecho apresenta metonímia, especificamente a relação de parte pelo todo. A banca explora o reconhecimento dessa figura em um contexto literário, em que o autor usa "mãos" e "rostos" para se referir aos mediadores de leitura.

1Substituição por proximidade
Parte pelo todo
Autor pela obra
Marca pelo produto
Continente pelo conteúdo
2No trecho
"Mãos" e "rostos" = partes
Representam as pessoas (mediadores)
3Não é
Metáfora (comparação implícita)
Catacrese (metáfora cristalizada)
Sinestesia (mistura de sentidos)
Personificação (seres inanimados)
Metonímia
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Metonímia: Substituição por proximidade (Parte pelo todo, Autor pela obra, Marca pelo produto, Continente pelo conteúdo); No trecho ("Mãos" e "rostos" = partes, Representam as pessoas (mediadores)); Não é (Metáfora (comparação implícita), Catacrese (metáfora cristalizada), Sinestesia (mistura de sentidos), Personificação (seres inanimados))
PEGA ESSA DICA!

Para identificar metonímia, pergunte: "há substituição de um termo por outro com relação de proximidade?" Se sim, é metonímia. Se houver comparação implícita, é metáfora.

Gabarito: CERTO (C).

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