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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce396514
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SERPRO
Ano
2023
Cargo
Ana ( )

Em 1898, Nikola Tesla impressionou quem assistiu à sua apresentação na Feira Electrical Exhibition, que aconteceu no (então recém-inaugurado) Madison Square Garden, em Nova York.


Em uma piscina, o cientista colocou um barco em miniatura — que, de repente, começou a se mover sozinho. A plateia, boquiaberta, logo o indagou sobre o feito. Tesla disse que havia equipado o barco com um “sistema inteligente”, capaz de responder, inclusive, a comandos de direção.


As pessoas, então, gritaram para que a miniatura navegasse para frente, para o lado, para trás… E o barquinho obedeceu, como se estivesse “ouvindo” as ordens. Mentira. Tesla estava comandando tudo à distância. Cortesia de sua invenção: o primeiro sistema de controle remoto via ondas de rádio.


Hoje, claro, ninguém cairia no truque do barquinho. Mas, naquela época, quase ninguém conhecia as propriedades da radiotransmissão — a primeira transmissão transatlântica, feita pelo italiano Guglielmo Marconi, havia acontecido apenas um ano antes, em 1897. Tesla, assim como Marconi, foi um dos precursores desse campo de estudo, que revolucionou o modo como nos comunicamos.


Rafael Battaglia. Internet: <https://super.abril.com.br/cultura> (com adaptações).

Texto

   

Com base nas ideias do texto, julgue os itens a seguir.


De acordo com as informações do texto, a plateia que assistia à apresentação de Tesla ficou impressionada com o movimento do barco em miniatura na piscina por acreditar que ele obedecia ao comando de vozes.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A crença da plateia no barco de Tesla

Gabarito: CERTO. A afirmação está correta porque o texto mostra que a plateia, ao ver o barco se mover e obedecer aos gritos, acreditou que ele respondia às vozes — e só depois o narrador revela que era controle remoto. A passagem decisiva é: “As pessoas, então, gritaram para que a miniatura navegasse para frente, para o lado, para trás… E o barquinho obedeceu, como se estivesse ‘ouvindo’ as ordens.” A expressão “como se” indica uma aparência, uma crença da plateia, que é desfeita logo em seguida com o “Mentira”.

O comando pede que você julgue se o item está de acordo com as informações do texto — ou seja, é uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções ou acréscimos. Aqui, porém, há uma camada sutil: o texto afirma explicitamente que a plateia ficou impressionada e que o barco “obedeceu” aos gritos, mas o que ela acreditava está implícito na expressão “como se”. O item captura exatamente essa crença implícita, que é autorizada pelo texto.

O texto narra a apresentação de Tesla em 1898, na qual ele impressionou o público com um barco que se movia sozinho. A chave está nos parágrafos 2 e 3: a plateia, “boquiaberta”, pergunta como o feito foi realizado; Tesla fala em “sistema inteligente”; as pessoas gritam ordens e o barco obedece, “como se estivesse ‘ouvindo’ as ordens”. A expressão “como se” é crucial: ela introduz uma comparação hipotética, uma aparência, não uma realidade. A plateia acreditava que o barco obedecia às vozes — e era exatamente essa crença que a impressionava. O narrador, então, quebra a ilusão com o “Mentira” e explica que Tesla comandava tudo à distância.

A técnica para resolver é: localize a passagem que descreve a reação da plateia e verifique se o item corresponde a ela. O item diz que a plateia ficou impressionada “por acreditar que ele obedecia ao comando de vozes”. O texto sustenta isso em dois momentos: (1) “A plateia, boquiaberta, logo o indagou sobre o feito” — mostra a impressão; (2) “E o barquinho obedeceu, como se estivesse ‘ouvindo’ as ordens” — mostra a crença. A palavra “como se” é o vestígio linguístico que autoriza a leitura de que a plateia acreditava na obediência às vozes. Sem ela, o item seria uma extrapolação; com ela, é uma inferência ancorada no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a diferença entre o que a plateia acreditava (implícito, marcado por “como se”) e o que realmente acontecia (controle remoto, explícito no final). O candidato apressado pode achar que o item é falso porque “o barco não obedecia às vozes”, mas o item não diz isso — diz que a plateia acreditava que obedecia. A crença é o ponto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife as expressões modalizadoras e comparativas (“como se”, “parecia”, “achava”, “supunha”). Elas marcam o que é aparência/crença e o que é realidade — e a banca adora cobrar essa distinção.

  1. 1Plateia boquiaberta
  2. 2Grita ordens ao barco
  3. 3Barco obedece "como se" ouvisse
  4. 4Narrador revela: controle remoto
LEVEL · soulevel.com.br

Item — ✅ CERTO

A afirmação é verdadeira frente ao texto. Vejamos a prova em duas etapas:

  1. A plateia ficou impressionada: o texto diz “A plateia, boquiaberta, logo o indagou sobre o feito”. “Boquiaberta” é a expressão da impressão.

  1. A plateia acreditava que o barco obedecia às vozes: o texto diz “As pessoas, então, gritaram para que a miniatura navegasse para frente, para o lado, para trás… E o barquinho obedeceu, como se estivesse ‘ouvindo’ as ordens”. A locução “como se” instaura uma comparação hipotética: o barco parecia ouvir, e a plateia agia como se ele ouvisse. Essa é a crença implícita que o item captura.

O narrador, em seguida, desfaz a ilusão: “Mentira. Tesla estava comandando tudo à distância.” Mas isso não contradiz o item — apenas revela que a crença da plateia era equivocada. O item não afirma que o barco realmente obedecia às vozes; afirma que a plateia acreditava nisso. E essa crença está textualmente marcada.

Conclusão: o item é CERTO porque a impressão da plateia e sua crença na obediência às vozes estão ancoradas no texto, respectivamente em “boquiaberta” e em “como se estivesse ‘ouvindo’ as ordens”. A revelação posterior do controle remoto não invalida a crença — apenas mostra que ela era falsa. Gabarito: CERTO.

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