Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2023
Português›Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce396528
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMPREL
Ano
2023
Cargo
Ana Sist ( )
É perigoso nos distrairmos com uma fantasia utópica ou apocalíptica possibilitada pela inteligência artificial (IA), que promete ou um futuro “florescente” ou um futuro “potencialmente catastrófico”. Essa ilusão, que infla as capacidades dos sistemas automatizados e os antropomorfiza, induz as pessoas a pensar que existe um ser senciente por trás das mídias sintéticas. Isso seduz as pessoas a não apenas confiarem acriticamente em sistemas como o ChatGPT, mas também a lhes atribuírem erroneamente a capacidade de agir. A responsabilização propriamente dita não cabe aos artefatos tecnológicos, mas a seus construtores.
O que precisamos é de regulamentação que imponha transparência a essa tecnologia digital. Isso deve ficar sempre claro quando nos deparamos com mídias sintéticas, e as organizações que constroem esses sistemas também deveriam ser obrigadas a documentar e a divulgar os dados de treinamento e as arquiteturas de modelo. Além disso, o ônus de criar instrumentos seguros de uso dessas tecnologias deveria recair sobre as empresas que constroem e implantam sistemas generativos, o que significa que os construtores desses sistemas deveriam ser responsabilizados pelos resultados produzidos por seus produtos.
A corrida atual rumo a “experimentos de IA” cada vez maiores não é um caminho predeterminado no qual a nossa única escolha é o quão rápido devemos correr, mas uma série de decisões impulsionadas pelo lucro. As ações e as escolhas das corporações devem ser moldadas por regulamentação que proteja os direitos e os interesses das pessoas. O foco da nossa preocupação não deveriam ser as “poderosas mentes digitais” imaginárias. Em vez disso, deveríamos focar nas práticas de exploração muito reais e muito presentes das empresas que afirmam construí-las.
Timnit Gebru et al. Papagaios estocásticos: o pedido de moratória para a IA e os riscos em jogo. Internet: <ihu.unisinos.br> (com adaptações).
Texto
Assinale a opção em que a proposta de reescrita do trecho “mas também a lhes atribuírem” (terceiro período do primeiro parágrafo) é gramaticalmente correta e coerente com as ideias do texto.
Aentretanto a atribuírem àquelas
Bembora a atribuam aqueles
Ccomo também a atribuírem a eles
Dquanto à atribuírem a estes
Econtudo a atribuírem àqueles
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GabaritoC — como também a atribuírem a eles
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita de trecho com coesão referencial e conectivo aditivo
Gabarito: letra C. A reescrita correta é "como também a atribuírem a eles", pois preserva a correlação aditiva "não apenas... como também" do trecho original e mantém o pronome "eles" retomando "sistemas como o ChatGPT" (os artefatos tecnológicos), exatamente como o pronome "lhes" faz no texto. As demais opções ou trocam o conectivo por outro de valor semântico diferente (adversativo, concessivo), ou usam pronomes demonstrativos que apontam para referentes incorretos, ou apresentam erro de regência/concordância.
O comando pede uma reescrita gramaticalmente correta e coerente com as ideias do texto. Isso significa que a proposta deve: (1) manter o sentido original do trecho, (2) respeitar a norma culta, e (3) preservar a referência coesiva — o pronome deve continuar apontando para o mesmo termo. Não se trata de interpretar o texto, mas de avaliar se a paráfrase é fiel e bem-formada.
No trecho original, "mas também a lhes atribuírem" integra a estrutura correlativa "não apenas... mas também", que expressa adição (soma de duas ações: confiar e atribuir). O pronome "lhes" é um oblíquo que retoma "sistemas como o ChatGPT" — os artefatos aos quais as pessoas atribuem erroneamente a capacidade de agir. Veja a passagem:
"Isso seduz as pessoas a não apenas confiarem acriticamente em sistemas como o ChatGPT, mas também a lhes atribuírem erroneamente a capacidade de agir."
A reescrita ideal deve manter essa correlação aditiva e o referente (os sistemas/artefatos). A opção C faz exatamente isso: "como também" é a segunda parte da correlação "não apenas... como também", e "a eles" retoma "sistemas como o ChatGPT" (masculino plural), com a preposição "a" exigida pela regência de "atribuir" (atribuir algo a alguém).
A técnica para resolver: identifique o conectivo e o referente do pronome. O conectivo define a relação lógica (adição, oposição, concessão); o pronome deve apontar para o mesmo termo do original. Teste cada alternativa perguntando: o conectivo mantém a adição? O pronome retoma "sistemas"? A regência está correta?
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura conectivos de valores diferentes (adversativos "entretanto"/"contudo", concessivo "embora") e pronomes demonstrativos que deslocam o referente ("àquelas", "aqueles", "estes"). A tentação é escolher uma opção que "soa bem" sem conferir se o conectivo e o pronome cumprem o mesmo papel do original.
Reescrita correta
1Conectivo aditivo
"não apenas... como também"
Mantém a adição
2Referente do pronome
"sistemas como o ChatGPT"
"a eles" (masculino plural)
3Gramática
Infinitivo "atribuírem"
Preposição "a" (regência)
4Erros das demais
Conectivo adversativo ("entretanto", "contudo")
Conectivo concessivo ("embora")
Pronome demonstrativo deslocado
"àquelas", "aqueles", "estes"
Crase indevida antes de verbo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"entretanto a atribuírem àquelas" — O conectivo "entretanto" é adversativo (oposição), mas o original é aditivo ("mas também"). Além disso, "àquelas" (feminino plural) não retoma "sistemas" (masculino plural), e sim algo distante e feminino — quebra a coesão referencial. Erro: troca do conectivo (oposição no lugar de adição) + referente incorreto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"embora a atribuam aqueles" — O conectivo "embora" é concessivo (ressalva), não aditivo. Além disso, "aqueles" (pronome demonstrativo) não funciona como objeto indireto com a preposição "a" exigida por "atribuir" — falta a preposição. A forma "atribuam" (presente do subjuntivo) também não mantém o paralelismo com "confiarem" (infinitivo). Erro: conectivo concessivo + regência inadequada + quebra de paralelismo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"como também a atribuírem a eles" — Mantém a correlação aditiva "não apenas... como também", preserva o infinitivo "atribuírem" (paralelo a "confiarem"), e "a eles" retoma corretamente "sistemas como o ChatGPT" (masculino plural), com a preposição "a" exigida por "atribuir". É a única que preserva sentido, coesão e gramática.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"quanto à atribuírem a estes" — "Quanto a" é uma locução que introduz assunto/tópico, não a segunda parte de uma correlação aditiva. Além disso, "à" (com crase) é a fusão de "a" + "a" (artigo), mas "atribuírem" é verbo — não se usa artigo antes de verbo; o correto seria "quanto a atribuírem". "A estes" (demonstrativo) também desloca o referente para algo próximo, enquanto o original aponta para os sistemas já mencionados. Erro: conectivo inadequado + crase indevida antes de verbo + referente deslocado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"contudo a atribuírem àqueles" — O conectivo "contudo" é adversativo (oposição), não aditivo. Além disso, "àqueles" (com crase) é a fusão de "a" + "aqueles" (demonstrativo), mas o referente correto é "sistemas" — que está mais próximo, não distante. O uso de "àqueles" sugere algo longe no texto, quebrando a coesão. Erro: conectivo adversativo + referente distante e inadequado.
Conclusão: a reescrita correta precisa preservar a correlação aditiva ("não apenas... como também") e o referente (os sistemas/artefatos). A opção C é a única que faz isso com gramática impecável. Ao resolver questões de reescrita, sempre confira: (1) o conectivo mantém a relação lógica? (2) o pronome retoma o mesmo termo? (3) a regência e o paralelismo estão corretos?