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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce396591
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PM PA
Ano
2023
Cargo
Alun Of ( )

Texto CB1A1-I

 

É importante não confundir juízos de valor com julgamentos moralizadores. Todos fazemos juízos de valor sobre as qualidades que admiramos na vida; por exemplo, podemos valorizar a honestidade, a liberdade ou a paz. Os juízos de valor refletem o que acreditamos ser melhor para a vida. Fazemos julgamentos moralizadores de pessoas e comportamentos que estão em desacordo com nossos juízos de valor; por exemplo, “A violência é ruim; pessoas que matam outras são más”. Se tivéssemos sido criados falando uma linguagem que facilitasse exprimir compaixão, teríamos aprendido a articular diretamente nossas necessidades e nossos valores, em vez de insinuarmos que algo é ou está errado quando eles não são atendidos. Por exemplo, em vez de “A violência é ruim”, poderíamos dizer: “Tenho medo do uso da violência para resolver conflitos; valorizo a resolução de conflitos por outros meios”.

A relação entre linguagem e violência é tema das pesquisas de O. J. Harvey, professor de psicologia na Universidade do Colorado. Ele tomou amostras aleatórias de obras literárias de países mundo afora e tabulou a frequência das palavras que classificam e julgam as pessoas. Seu estudo constata elevada correlação entre o uso frequente dessas palavras e a incidência de violência. Não me surpreende saber que existe consideravelmente menos violência em culturas nas quais as pessoas pensam em termos das necessidades humanas do que em outras nas quais as pessoas se rotulam de “boas” ou “más” e acreditam que as “más” merecem ser punidas. Em 75% dos programas exibidos nos horários em que existe maior probabilidade de as crianças americanas estarem assistindo à TV, o herói ou mata pessoas, ou as espanca. Os telespectadores (a quem se ensinou que os maus merecem castigo) sentem prazer em ver essa violência.

Na raiz de grande parte ou talvez de toda violência — verbal, psicológica ou física, entre familiares, tribos ou nações —, está um tipo de pensamento que atribui a causa do conflito ao fato de os adversários estarem errados, assim como a correspondente incapacidade de pensar em si mesmos ou nos outros em termos de vulnerabilidade — o que a pessoa pode estar sentindo, temendo, ansiando, do que pode estar sentindo falta, e assim por diante.

Marshall Rosenberg. Comunicação não violenta. Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006, p. 34-35 (com adaptações).

 

Do primeiro parágrafo do texto CB1A1-I entende-se que “juízos de valor” e “julgamentos moralizantes” são ambos

  1. Asubjetivos e inevitáveis, sendo os juízos apreciativos, e os julgamentos, depreciativos.
  2. Binevitáveis, sendo os juízos objetivos e apreciativos, e os julgamentos, subjetivos e depreciativos.
  3. Cdepreciativos, sendo os juízos inevitáveis e objetivos, e os julgamentos, prescindíveis e subjetivos.
  4. Dsubjetivos, sendo os juízos inevitáveis e apreciativos, e os julgamentos, prescindíveis e depreciativos.
  5. Edepreciativos e subjetivos, sendo os juízos inevitáveis, e os julgamentos, prescindíveis.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — subjetivos, sendo os juízos inevitáveis e apreciativos, e os julgamentos, prescindíveis e depreciativos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Juízos de valor e julgamentos moralizantes no primeiro parágrafo

Gabarito: letra D. Do primeiro parágrafo, entende-se que tanto “juízos de valor” quanto “julgamentos moralizantes” são subjetivos; os juízos são inevitáveis e apreciativos, enquanto os julgamentos são prescindíveis e depreciativos. A passagem que ancora essa leitura é a que define cada conceito: “Todos fazemos juízos de valor sobre as qualidades que admiramos na vida” (inevitabilidade + apreciação) e “Fazemos julgamentos moralizadores de pessoas e comportamentos que estão em desacordo com nossos juízos de valor” (depreciação do que diverge), além da proposta de substituí-los por uma “linguagem que facilitasse exprimir compaixão” (prescindibilidade).

O comando pede uma compreensão do primeiro parágrafo: a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções externas. A tarefa é identificar, para cada um dos dois conceitos, três características: subjetividade/objetividade, inevitabilidade/prescindibilidade e apreciação/depreciação. O texto fornece todas as pistas, mas as alternativas as embaralham — o jogo da questão é não trocar os atributos entre os dois conceitos.

O primeiro parágrafo constrói a distinção em três movimentos. Primeiro, define juízo de valor como algo que todos fazemos (“Todos fazemos juízos de valor”) e que reflete o que acreditamos ser melhor — ou seja, é inevitável (todos fazem) e apreciativo (valoriza qualidades admiradas). Segundo, define julgamento moralizador como aquele que classifica pessoas e comportamentos em desacordo com nossos valores — é depreciativo (condena o que diverge). Terceiro, o autor sugere que, se fôssemos educados numa “linguagem que facilitasse exprimir compaixão”, não precisaríamos desses julgamentos — logo, eles são prescindíveis. A subjetividade é comum aos dois: tanto o que admiramos quanto o que condenamos depende de nossa perspectiva pessoal, não de uma verdade objetiva.

A armadilha central é a troca de atributos: a banca pega as três características e as distribui de forma invertida entre os dois conceitos. A alternativa A, por exemplo, acerta ao dizer que ambos são subjetivos, mas erra ao afirmar que os julgamentos são “inevitáveis” — o texto os apresenta como dispensáveis. A alternativa B erra ao chamar os juízos de “objetivos”, quando o texto os liga ao que “acreditamos”. A alternativa C erra ao chamar os juízos de “depreciativos” e “objetivos”. A alternativa E erra ao dizer que os juízos são “depreciativos”. A única que mantém cada atributo no lugar certo é a D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca embaralha os atributos entre os dois conceitos. A alternativa A, por exemplo, é sedutora porque acerta a subjetividade comum, mas troca a prescindibilidade dos julgamentos por “inevitáveis”. Confira sempre qual característica está sendo atribuída a qual conceito.

1Subjetivos
2Inevitáveis (todos fazem)
3Apreciativos (admiram qualidades)
4Julgamentos moralizantes
Subjetivos
Prescindíveis (dá para evitar)
Depreciativos (condenam o que diverge)
Juízos de valor
LEVELsoulevel.com.br
Juízos de valor: Subjetivos; Inevitáveis (todos fazem); Apreciativos (admiram qualidades); Julgamentos moralizantes (Subjetivos, Prescindíveis (dá para evitar), Depreciativos (condenam o que diverge))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que os julgamentos moralizantes são “inevitáveis”. O texto os apresenta como prescindíveis: “Se tivéssemos sido criados falando uma linguagem que facilitasse exprimir compaixão, teríamos aprendido a articular diretamente nossas necessidades e nossos valores, em vez de insinuarmos que algo é ou está errado”. Ou seja, os julgamentos podem ser evitados — não são inevitáveis. A alternativa troca o atributo da prescindibilidade pela inevitabilidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao classificar os juízos de valor como “objetivos”. O texto os define como reflexo do que acreditamos ser melhor: “Os juízos de valor refletem o que acreditamos ser melhor para a vida”. Acreditar é um ato subjetivo — não há objetividade. A alternativa contradiz o texto ao atribuir objetividade aos juízos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra duplamente: chama os juízos de valor de “depreciativos” e “objetivos”. O texto os apresenta como apreciativos (“valorizamos a honestidade, a liberdade ou a paz”) e subjetivos (“o que acreditamos ser melhor”). A alternativa inverte o sentido dos juízos, atribuindo-lhes características que pertencem aos julgamentos (depreciação) e negando sua subjetividade.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

É a única que mantém cada atributo no lugar certo. Subjetivos (ambos): os juízos refletem “o que acreditamos ser melhor”; os julgamentos dependem de nossos valores pessoais. Juízos inevitáveis e apreciativos: “Todos fazemos juízos de valor sobre as qualidades que admiramos na vida” — todos fazem (inevitável) e admiram (apreciação). Julgamentos prescindíveis e depreciativos: são dispensáveis, pois poderíamos “articular diretamente nossas necessidades e nossos valores” em vez de julgar; e são depreciativos, pois condenam “pessoas e comportamentos que estão em desacordo com nossos juízos de valor”.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao classificar os juízos de valor como “depreciativos”. O texto os apresenta como apreciativos: valorizamos qualidades que admiramos (“podemos valorizar a honestidade, a liberdade ou a paz”). A alternativa troca o atributo da apreciação pela depreciação, confundindo os dois conceitos.

Conclusão: a questão testa a distinção precisa entre os dois conceitos e a correta atribuição de suas características. A letra D é a única que não troca, inverte ou suprime nenhum atributo presente no texto. Gabarito: letra D.

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