Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2023
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce396610
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SESI SP
Ano
2023
Cargo
PEB ( )
Observa-se grande resistência na implantação da determinação legal do artigo 26-A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nas escolas, que enfocam, muitas vezes, apenas datas comemorativas, folclorizantes e exotizadas, da cultura negra no Brasil, quando o fazem.
Tal fato se deve ao próprio racismo e a suas ramificações na cultura brasileira, que acabam por não deixar promover o acesso a conteúdos africanos e afro-brasileiros tanto nas escolas da educação básica quanto nos cursos de formação docente, seja para o ensino fundamental, seja para o médio.
Assim, a gestão do currículo não entende que a filosofia deva participar da implantação das disposições do artigo 26-A da LDB, utilizando-se de uma bizarra interpretação do segundo parágrafo dele, que afirma que “Os conteúdos referentes a história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras”.
Tem-se ignorado a expressão “todo o currículo escolar”, ao se entender que apenas a educação artística, a literatura e a história devem abordar esses conteúdos, interpretando a expressão “em especial” como condicionante de exclusividade, como se somente essas três disciplinas fossem responsáveis por todo esse trabalho. Isso se tem refletido, também, nos livros didáticos, pois são raros os que se têm dedicado a apresentar conteúdos vinculados às filosofias africanas.
Wanderson Flor do Nascimento. Entre apostas e heranças: contornos africanos e afro-brasileiros na educação e no ensino de filosofia no Brasil. Rio de Janeiro: NEFI, 2020, p. 105-106 (com adaptações).
Texto CB2A1-I
Preservaria a correção gramatical e a coerência das ideias do texto CB2A1-I a substituição de
A“fazem” por faz.
B“que acabam” por o que acaba.
C“entende” por entendem.
D“se têm” por tem-se.
E“devem” por deve.
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GabaritoB — “que acabam” por o que acaba.
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Concordância verbal: o núcleo do sujeito em “que acabam”
Gabarito: letra B. A substituição de “que acabam” por “o que acaba” preserva a correção gramatical e a coerência, porque o pronome relativo “que” retoma “o próprio racismo e a suas ramificações” (núcleo composto, portanto verbo no plural), enquanto “o que” funciona como pronome demonstrativo + relativo, com núcleo singular “o”, exigindo verbo no singular. A passagem que ancora a decisão está no 2º parágrafo: “Tal fato se deve ao próprio racismo e a suas ramificações na cultura brasileira, que acabam por não deixar promover...”.
O comando pede uma reescritura que mantenha correção gramatical e coerência das ideias. Isso significa que a troca não pode quebrar a concordância nem alterar o sentido original. A questão testa, na prática, a habilidade de identificar o núcleo do sujeito e de reconhecer quando uma substituição pronominal muda a estrutura sintática sem mudar o sentido.
No texto, o trecho relevante é:
“Tal fato se deve ao próprio racismo e a suas ramificações na cultura brasileira, que acabam por não deixar promover o acesso a conteúdos africanos e afro-brasileiros...”
Aqui, o pronome relativo “que” retoma dois núcleos coordenados: “o próprio racismo” e “a suas ramificações”. Por isso o verbo “acabam” está corretamente no plural. A substituição por “o que acaba” transforma a estrutura: “o” passa a ser pronome demonstrativo (equivalente a “aquilo”) e “que” é o relativo. O núcleo do sujeito passa a ser o pronome “o” (singular), o que justifica o verbo no singular “acaba”. Essa troca mantém o sentido porque “o que” continua se referindo ao mesmo conjunto de ideias (o racismo e suas ramificações), apenas com uma construção sintática diferente.
A armadilha central da banca é fazer o candidato acreditar que qualquer alteração na forma do pronome relativo exige manter a mesma concordância. Mas a concordância verbal depende do núcleo do sujeito, não do termo que está mais próximo. Em “que acabam”, o núcleo é composto (racismo + ramificações) → plural. Em “o que acaba”, o núcleo é o pronome “o” → singular. Ambas as formas são gramaticalmente corretas e preservam a coerência, pois a referência é a mesma.
Concordância verbal: Núcleo do sujeito (Composto → verbo no plural, Singular → verbo no singular); "que acabam" (Retoma racismo + ramificações, Núcleo composto → plural); "o que acaba" ("o" = pronome demonstrativo, Núcleo singular → singular); Armadilha da banca (Confundir núcleo com termo próximo, Identificar o núcleo é a chave)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A substituição de “fazem” por “faz” quebraria a concordância. No trecho “quando o fazem”, o sujeito é “as escolas” (plural), como se lê no 1º parágrafo: “as escolas, que enfocam, muitas vezes, apenas datas comemorativas... quando o fazem”. O verbo “fazem” concorda com “as escolas”. Trocar por “faz” deixaria o verbo no singular sem sujeito correspondente, gerando erro de concordância. Erro: contradiz a concordância exigida pelo sujeito plural.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como explicado, “que acabam” tem sujeito composto (“o próprio racismo e a suas ramificações”), e “o que acaba” tem núcleo singular (“o”). A substituição é gramaticalmente correta e mantém a coerência, pois “o que” retoma o mesmo conjunto de ideias. Correta: preserva a correção e o sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A substituição de “entende” por “entendem” quebraria a concordância. No trecho “a gestão do currículo não entende”, o sujeito é “a gestão do currículo” (singular). O verbo “entende” concorda com “gestão”. Trocar por “entendem” faria o verbo concordar com “currículo” (que é parte do adjunto adnominal), o que é incorreto. Erro: concorda com o termo mais próximo, não com o núcleo do sujeito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A substituição de “se têm” por “tem-se” alteraria a concordância e o sentido. No trecho “são raros os que se têm dedicado”, o sujeito é “os que” (plural), referindo-se a “livros didáticos”. A forma “se têm” está correta no plural. “Tem-se” é singular e mudaria o sujeito para indeterminado, alterando o sentido: deixaria de indicar que os livros se dedicam, passando a indicar uma ação genérica. Erro: altera a concordância e o sentido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A substituição de “devem” por “deve” quebraria a concordância. No trecho “como se somente essas três disciplinas fossem responsáveis por todo esse trabalho”, o verbo “devem” está implícito na oração “que devem abordar” (retomando “essas três disciplinas”). O sujeito é plural (“essas três disciplinas”), então “devem” está correto. Trocar por “deve” deixaria o verbo no singular sem sujeito correspondente. Erro: contradiz a concordância com o sujeito plural.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o núcleo do sujeito e termos intercalados. Em “que acabam”, o candidato pode pensar que o verbo concorda com “cultura brasileira” (singular), mas o núcleo é composto. Já em “o que acaba”, o núcleo é o pronome “o”. A chave é sempre identificar o núcleo do sujeito.
PEGA ESSA DICA!
Ao testar uma substituição, pergunte: qual é o núcleo do sujeito? Se o núcleo muda (de composto para singular), a concordância deve mudar. Se o núcleo permanece, a concordância deve permanecer.