Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce396619
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SESI SP
Ano
2023
Cargo
PEB ( )
Por tempos, nós, indígenas, carregamos rótulos de atrasados, preguiçosos, fedorentos, desafinados, canibais, entre outros difíceis de relembrar e escrever. No senso comum, quando se pensa em culturas indígenas, logo vem a ideia de que somos aculturados porque não somos mais como nossos ancestrais no período da invasão e conquista.
Márcia. W. Kambeba. Saberes da Floresta. São Paulo: Janaíra, 2020 (com adaptações).
Na atualidade, os indígenas e as culturas indígenas
Apermanecem definidos pelas ideias do senso comum.
Bprosseguem em adaptação aos novos tempos e espaços.
Cconservam as características da cultura indígena ancestral.
Dinsistem no aculturamento como estratégia de progresso.
Einvestem na manutenção dos rótulos depreciativos.
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GabaritoB — prosseguem em adaptação aos novos tempos e espaços.
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Indígenas e culturas indígenas: adaptação aos novos tempos
Gabarito: letra B. A alternativa correta é a que afirma que os indígenas e as culturas indígenas prosseguem em adaptação aos novos tempos e espaços. Essa é a única opção que encontra respaldo direto no texto, que critica a visão do senso comum de que os indígenas seriam "aculturados" por não serem mais como seus ancestrais. A autora, Márcia Kambeba, refuta essa ideia ao afirmar que a cultura indígena não é estática, mas sim dinâmica e em constante transformação, como se lê no trecho: "No senso comum, quando se pensa em culturas indígenas, logo vem a ideia de que somos aculturados porque não somos mais como nossos ancestrais no período da invasão e conquista." A palavra "porque" estabelece a relação de causa e efeito que a autora contesta, revelando que a adaptação é um processo natural e contínuo, não uma perda de identidade.
O Comando: Compreensão e Inferência
O enunciado pede que se identifique o que se pode afirmar sobre os indígenas e as culturas indígenas na atualidade, com base no texto. Isso configura uma questão de compreensão e inferência: não se trata de localizar uma informação literal, mas de depreender a posição da autora a partir das pistas textuais. A resposta correta deve ser uma paráfrase (reescritura fiel) de uma ideia defendida no texto, sem acrescentar informações externas.
O Texto: A Tese da Autora
O texto de Márcia Kambeba é uma crítica contundente ao senso comum que rotula os indígenas de forma depreciativa e os considera "aculturados" por não viverem como seus ancestrais. A autora, ao usar a primeira pessoa do plural ("nós, indígenas"), se coloca como porta-voz de seu povo e contesta essa visão estereotipada. A tese central é que a cultura indígena é dinâmica e adaptável, e que a mudança não significa perda de identidade, mas sim uma forma de resistência e sobrevivência. A passagem-chave é:
"No senso comum, quando se pensa em culturas indígenas, logo vem a ideia de que somos aculturados porque não somos mais como nossos ancestrais no período da invasão e conquista."
A autora não nega que os indígenas mudaram; ela nega que essa mudança os torne menos indígenas. A adaptação é apresentada como um processo natural, não como uma falha. A alternativa B captura exatamente essa ideia: os indígenas prosseguem em adaptação aos novos tempos e espaços, ou seja, continuam se adaptando, sem perder sua essência.
A Técnica: Paráfrase e Inferência
Para resolver esta questão, é preciso distinguir entre compreensão (localizar informação explícita) e interpretação (inferir a partir de pistas). A alternativa B é uma inferência legítima porque se apoia em um pressuposto do texto: a autora contesta a ideia de que os indígenas são "aculturados" por não serem mais como os ancestrais. Ao contestar, ela implicitamente afirma que a adaptação é um processo contínuo e não uma perda. A palavra "prosseguem" (continuam) é crucial, pois indica que a adaptação é um processo em andamento, não algo concluído.
As demais alternativas cometem erros típicos de interpretação:
A (permanecem definidos pelas ideias do senso comum): contradiz o texto, que critica o senso comum.
C (conservam as características da cultura indígena ancestral): restringe o alcance, pois o texto não diz que os indígenas são idênticos aos ancestrais; pelo contrário, reconhece a mudança.
D (insistem no aculturamento como estratégia de progresso): extrapola, pois o texto não menciona "estratégia de progresso" nem que os indígenas "insistem" no aculturamento.
E (investem na manutenção dos rótulos depreciativos): contradiz o texto, que critica os rótulos e os considera "difíceis de relembrar e escrever".
Análise das Alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que os indígenas "permanecem definidos pelas ideias do senso comum", mas o texto é uma crítica explícita a essas ideias. A autora diz que "carregamos rótulos" e que o senso comum nos vê como "aculturados", mas ela não aceita essa definição; ela a contesta. A passagem "No senso comum, quando se pensa em culturas indígenas, logo vem a ideia de que somos aculturados" mostra que o senso comum tem essa visão, mas a autora a refuta ao longo do texto. Portanto, a alternativa A inverte a posição da autora.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A única sustentada pelo texto. A alternativa afirma que os indígenas "prosseguem em adaptação aos novos tempos e espaços". Isso é uma paráfrase da ideia implícita no texto: a autora contesta a noção de que a mudança é perda, o que implica que a adaptação é um processo contínuo. A palavra "prosseguem" (continuam) é essencial, pois indica que a adaptação é um processo em andamento, não algo concluído. O texto não diz que os indígenas são estáticos; pelo contrário, reconhece que não são mais como os ancestrais, mas isso não os torna menos indígenas. A adaptação é apresentada como uma característica natural da cultura.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: restringe o alcance. A alternativa afirma que os indígenas "conservam as características da cultura indígena ancestral", mas o texto não diz isso. Pelo contrário, a autora reconhece que os indígenas não são mais como os ancestrais: "não somos mais como nossos ancestrais no período da invasão e conquista". A alternativa ignora essa mudança e restringe a cultura a um estado estático, o que contraria a tese da autora de que a cultura é dinâmica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapola. A alternativa afirma que os indígenas "insistem no aculturamento como estratégia de progresso", mas o texto não menciona "estratégia de progresso" nem que os indígenas "insistem" no aculturamento. A autora critica a ideia de aculturamento, mas não diz que os indígenas o buscam como estratégia. A alternativa acrescenta uma informação que não está no texto, criando uma motivação que a autora não atribui aos indígenas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que os indígenas "investem na manutenção dos rótulos depreciativos", mas o texto critica esses rótulos e os considera "difíceis de relembrar e escrever". A autora não diz que os indígenas os mantêm; pelo contrário, ela os rejeita. A alternativa inverte a posição da autora, que é de crítica e resistência aos rótulos, não de aceitação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca aposta na extrapolação e na contradição. As alternativas A e E invertem a posição da autora, enquanto C restringe o alcance e D extrapola com uma motivação que não está no texto. A correta, B, é a única que parafraseia a tese implícita de que a cultura indígena é dinâmica e em adaptação.
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de interpretação, grife o comando ("de acordo com o texto" vs. "infere-se") e desconfie de palavras absolutas como "permanecem", "conservam", "insistem". A resposta correta quase sempre é uma paráfrase de uma ideia central, não uma cópia literal nem uma extrapolação.
Conclusão: A alternativa B é a única que se sustenta no texto, pois captura a tese da autora de que a cultura indígena é dinâmica e em constante adaptação, sem cair em extrapolações ou contradições. Gabarito: letra B.