Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce396633
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UnB
- Ano
- 2023
- Cargo
- Vest ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). O item afirma que os dois primeiros períodos descrevem um sonho que Carlos Nobre teve, mas o texto não diz isso. A expressão "O que começou como uma utopia" refere-se à proposta de uma nova economia para a Amazônia, não a um sonho pessoal do cientista. O texto apenas o apresenta como idealizador do projeto e cita sua fala sobre o modelo econômico. A alternativa extrapola ao atribuir a Nobre um sonho que não está no texto.
O item pede para "julgar" uma afirmação sobre as ideias do texto. Isso é uma questão de compreensão (o que o texto diz) e, ao mesmo tempo, de inferência (o que se pode deduzir legitimamente). A banca quer saber se a leitura proposta é fiel ao texto ou se acrescenta algo que não está lá. A técnica é: toda afirmação sobre o texto precisa de uma passagem que a sustente. Se não há passagem, é extrapolação.
O texto apresenta uma proposta de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, chamada de "Nova Economia da Amazônia". No primeiro parágrafo, descreve-se o cenário desejado (sem hidrelétricas, com restauração florestal, etc.) e afirma-se que "O que começou como uma utopia é hoje uma proposta sólida". No segundo parágrafo, o texto diz que o estudo é uma iniciativa para "traduzir em números o sonho de criar uma alternativa à economia da terra desmatada". Note que o sonho aqui é uma metáfora para a proposta — não um sonho literal de Carlos Nobre. O texto o apresenta como idealizador do projeto, mas não diz que ele teve um sonho.
A inferência legítima se apoia em pistas do texto. Por exemplo, se o texto diz "Carlos Nobre idealizou o projeto", podemos inferir que ele teve a ideia — mas não que sonhou com ela. A extrapolação ocorre quando acrescentamos informação que não está no texto, mesmo que pareça plausível. Aqui, a banca explora a polissemia da palavra "sonho": no texto, ela é usada em sentido figurado (desejo, projeto), mas o item a interpreta em sentido literal (sonho durante o sono). Essa é a pegadinha central.
O item afirma: "Os dois primeiros períodos do texto descrevem um sonho que o cientista Carlos Nobre teve a respeito da Amazônia e que foi posteriormente transformado em um estudo."
O que o texto diz:
"O que começou como uma utopia é hoje uma proposta sólida."
"Trata-se de uma iniciativa para traduzir em números o sonho de criar uma alternativa à economia da terra desmatada"
Por que está errado:
O texto não diz que Carlos Nobre teve um sonho. Ele é apresentado como "idealizador do projeto", mas o texto não relata nenhum sonho pessoal dele. A palavra "sonho" aparece em sentido figurado — como sinônimo de desejo, projeto — e se refere à proposta de uma nova economia, não a um sonho literal.
Os dois primeiros períodos descrevem a proposta, não um sonho de Nobre. Eles descrevem o cenário desejado (sem hidrelétricas, com restauração florestal, etc.) e afirmam que essa proposta é "sólida" e "executável". Não há nenhuma menção a um sonho de Carlos Nobre.
A alternativa extrapola. Ela acrescenta uma informação que não está no texto: que Carlos Nobre teve um sonho. Isso é uma extrapolação — o texto não autoriza essa conclusão.
Conclusão: O item está errado porque atribui a Carlos Nobre um sonho que o texto não menciona. A palavra "sonho" é usada em sentido figurado para se referir à proposta, não a um sonho literal do cientista.
A banca explora a confusão entre o sentido figurado de "sonho" (desejo, projeto) e o sentido literal (sonho durante o sono). O candidato que não percebe essa distinção tende a marcar "Certo".
Ao julgar itens de compreensão, pergunte-se: "O texto diz isso, ou eu estou imaginando que ele diz?" Se a resposta for "imaginando", é extrapolação.
Gabarito: letra E (Errado).
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