Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce396655
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2023
Cargo
Vest ( )
Figura I
Figura II
Internet: <misteriosdouniverso.net>.
Um artigo publicado recentemente pela revista Science revelou que a empresa estadunidense ExxonMobil, uma das maiores produtoras de petróleo dos Estados Unidos, sabia, desde 1977, do aquecimento global de origem antrópica, mas seu posicionamento sempre foi considerá-lo uma especulação, assim como as mudanças climáticas.
Conforme o artigo, os estudos realizados pela ExxonMobil eram tão bons quanto os de origem acadêmica e eles utilizavam até modelos computacionais para prever as consequências de tais problemas.
“Eles foram precisos ao indicar quando o aquecimento global causado pelo homem seria detectado e quando se tornaria mais evidente a ponto de suscitar preocupações na sociedade. Enquanto cientistas e acadêmicos comunicavam o que sabiam ao público, a empresa trabalhava para negar, em suas atividades de relações públicas, o aquecimento, ou seja, ela sabia de tudo e passou décadas negando”, diz o professor Pedro Luiz Côrtes, titular da Escola de Comunicações e Artes e também do Instituto de Energia e Ambiente da USP.
Internet: <jornal.usp.br> (com adaptações).
Texto
Tendo como base o texto e as figuras I e II precedentes e considerando os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item a seguir.
O produtor do texto recorre à voz de uma autoridade acadêmica para reforçar o efeito de credibilidade que pretende atribuir à informação veiculada.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Recurso à voz de autoridade acadêmica — efeito de credibilidade
Gabarito: C (Certo). O produtor do texto recorre à voz de uma autoridade acadêmica — o professor Pedro Luiz Côrtes, da USP — para reforçar a credibilidade da informação veiculada. A passagem que ancora essa leitura está no terceiro parágrafo, quando o texto introduz a fala do professor com a expressão "diz o professor Pedro Luiz Côrtes, titular da Escola de Comunicações e Artes e também do Instituto de Energia e Ambiente da USP". A identificação do cargo e da instituição é a pista textual que autoriza a inferência de que a citação tem função de reforço de credibilidade.
O comando pede uma interpretação ("considerando os múltiplos aspectos a ele relacionados"), ou seja, uma dedução ancorada em pistas do texto, não uma informação literal. A resposta não está escrita com todas as letras — o texto não diz "esta citação serve para dar credibilidade" —, mas a pista está lá: a qualificação acadêmica do entrevistado. É exatamente esse o mecanismo que a assertiva descreve.
O que o texto mostra
O texto é uma notícia sobre um artigo da revista Science que revela que a ExxonMobil sabia do aquecimento global desde 1977, mas o negava publicamente. O produtor do texto não se limita a narrar o fato: ele insere a voz de um especialista para comentar a conduta da empresa. Veja o trecho:
"Enquanto cientistas e acadêmicos comunicavam o que sabiam ao público, a empresa trabalhava para negar, em suas atividades de relações públicas, o aquecimento, ou seja, ela sabia de tudo e passou décadas negando", diz o professor Pedro Luiz Côrtes, titular da Escola de Comunicações e Artes e também do Instituto de Energia e Ambiente da USP.
A citação direta, com a identificação do falante como "professor" e "titular" de duas unidades de uma universidade pública de prestígio, é o recurso típico do discurso de autoridade (ou argumentum ad verecundiam). Ao nomear a instituição e o cargo, o produtor do texto sinaliza ao leitor: "quem afirma isso é alguém qualificado para afirmar". Essa é a função da voz citada: emprestar credibilidade à informação.
A técnica: discurso de autoridade
Em textos jornalísticos e argumentativos, a citação de especialistas é uma estratégia de reforço argumentativo. O autor não precisa provar tecnicamente o que diz — ele delega a prova a uma fonte reconhecida. A banca testa exatamente isso: a capacidade de reconhecer a função da citação no texto.
A assertiva diz que o produtor recorre à voz de uma autoridade acadêmica "para reforçar o efeito de credibilidade que pretende atribuir à informação veiculada". Cada elemento dessa frase encontra correspondência no texto:
"voz de uma autoridade acadêmica" → o professor Pedro Luiz Côrtes, da USP;
"reforçar o efeito de credibilidade" → a qualificação do entrevistado (titular, instituição de renome);
"informação veiculada" → a notícia sobre a ExxonMobil.
Não há nenhuma extrapolação: a pista está no próprio texto, na forma como a fala é introduzida.
Por que não é "Errado"
A alternativa "Errado" só seria correta se o texto não trouxesse a voz de uma autoridade acadêmica, ou se a citação tivesse outra função evidente (por exemplo, mera ilustração sem qualificação do falante). Nada disso ocorre. O texto nomeia o professor, seu cargo e sua instituição — isso é a materialização textual do "recurso à voz de autoridade".
NÃO CAIA NESSA!
A banca aposta na confusão entre "o texto afirma" e "o texto sugere". A assertiva não diz que o professor afirmou algo falso; diz que a citação dele tem uma função no texto. Quem lê apenas a superfície pode achar que a questão pede um fato literal, quando pede uma inferência sobre a estratégia argumentativa.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de interpretação, pergunte sempre: "qual é a função desta parte no texto?" — citar especialista, dar dados, narrar um caso, comparar situações. A função é a chave para reconhecer o recurso argumentativo.
Conclusão: a assertiva está Certa. O produtor do texto recorre à voz do professor Pedro Luiz Côrtes, identificando-o como autoridade acadêmica da USP, para reforçar a credibilidade da informação sobre a ExxonMobil. A pista textual é a qualificação do entrevistado — e é isso que a assertiva descreve.