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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce396673
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2023
Cargo
Vest ( )

O uso de novas marcas de gênero na língua portuguesa como decorrência de um ativismo social aplicado à linguagem nos convida a uma análise. Há registro de diversos movimentos relacionados à busca de usos alternativos aos aceitos oficialmente. Até recentemente, esses movimentos tinham como foco principal a adoção de usos que conferissem à língua do Brasil uma identidade própria. O ativismo atual preocupa-se menos com estrangeirismos e mais com aspectos ligados às questões de gênero.

 

Examinemos os usos de “@”, “x”, “e” como desinências para identificar conjuntos de pessoas de diferentes gêneros, em substituição ao plural masculino, previsto nas normas gramaticais. Segundo essas normas, basta que haja um elemento masculino para que o plural seja masculino. Ao nos referirmos a um coletivo em que haja pelo menos uma pessoa do gênero masculino, escrevemos: Nossas saudações a todos. Nos usos do ativismo, temos: Nossas saudações a “tod@s”, “todxs”, “todes” e, mais recentemente, “tods”. Do ponto de vista da funcionalidade da língua, os dois primeiros, assim como o último, não se mostram viáveis no caso de sua produção oral, fato que nos leva a supor que seu uso, enquanto perdurar, continuará restrito ao contexto da escrita. O terceiro (“e”) não apresenta essa limitação. Para uso amplo, tanto na fala quanto na escrita, parece-nos, então, que só ele tenha alguma perspectiva de incorporação à língua portuguesa.

 

Marcelo Correia e Castro. TODAS, TODES, TODOS, TODS, TODXS,
TOD@S: ativismo social, gênero e usos da língua. In: Revista Ciência
Hoje,
julho 2021. Internet: <www.cienciahoje.org.br> (com adaptações).

Com relação às ideias e aos aspectos gramaticais do texto anterior, julgue o item e faça o que se pede no item, que é do tipo C.

 

O autor do texto mostra-se contrário à incorporação das formas “tod@s”, “todxs” e “tods” como marcas de gênero na língua portuguesa, por serem formas restritas à língua escrita.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O autor é contrário às formas "tod@s", "todxs" e "tods"?

Gabarito: Errado (E). O autor não se mostra contrário à incorporação dessas formas; ele apenas constata uma limitação prática — a inviabilidade na produção oral — e, por isso, supõe que seu uso continuará restrito à escrita. A passagem que sustenta isso é: "Do ponto de vista da funcionalidade da língua, os dois primeiros, assim como o último, não se mostram viáveis no caso de sua produção oral, fato que nos leva a supor que seu uso, enquanto perdurar, continuará restrito ao contexto da escrita." O autor não emite juízo de valor contrário; ele apenas descreve uma característica.

O comando

A questão é de compreensão de texto ("Com relação às ideias..."), ou seja, pede que você verifique se a afirmação do item está de acordo com o que o texto diz. Não se trata de inferir algo além do texto, mas de confrontar a afirmação com o que está explícito. O item afirma que o autor é "contrário" à incorporação das formas, mas o texto não diz isso — ele apenas aponta uma limitação.

O texto

O texto discute o uso de novas marcas de gênero na língua portuguesa. No segundo parágrafo, o autor analisa as formas "@", "x", "e" e "s" como desinências. Ele afirma que as formas "@", "x" e "s" não são viáveis na fala, mas não diz que são ruins ou que devem ser rejeitadas; apenas que, por essa limitação, seu uso tende a ficar restrito à escrita. Já a forma "e" (todes) é considerada viável tanto na fala quanto na escrita, e o autor diz que "só ele tenha alguma perspectiva de incorporação à língua portuguesa".

A técnica que decide

A pegadinha central é a troca de conceito: o item troca "constatar uma limitação" por "ser contrário". O autor não se posiciona contra as formas; ele apenas observa que, do ponto de vista da funcionalidade, elas não são viáveis na fala. Isso é uma constatação, não uma opinião contrária. Para resolver, pergunte: o texto diz que o autor é contra? Não. Ele diz que as formas têm uma limitação. Portanto, a afirmação do item é errada.

O gancho

Teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora? Aqui, o item acrescenta um juízo de valor ("contrário") que o texto não contém. A resposta correta é a que se limita ao que está escrito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que o autor é "contrário" é uma extrapolação. O texto apenas diz que as formas "@", "x" e "s" não são viáveis na fala, mas não expressa oposição a elas. O autor não diz que elas são ruins ou que devem ser abandonadas; ele apenas prevê que, enquanto durar a limitação, o uso ficará restrito à escrita. Portanto, a alternativa contradiz o texto ao atribuir ao autor uma posição que ele não assume.

Alternativa E — ✅ Correta

A alternativa E (Errado) é a correta, pois o item está errado. O autor não se mostra contrário; ele apenas constata uma limitação prática. A passagem "não se mostram viáveis no caso de sua produção oral" é uma constatação, não uma rejeição. O autor até sugere que a forma "e" (todes) tem perspectiva de incorporação, o que mostra que ele não é contra a ideia de novas marcas de gênero, apenas analisa a viabilidade.

Conclusão: A banca pede para julgar o item, e o item está errado porque atribui ao autor uma posição que ele não tem. A resposta é E (Errado).

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de palavras como "contrário", "contra", "rejeita" — elas indicam uma posição do autor. Se o texto apenas descreve uma limitação, não há posição contrária.

Gabarito: letra E (Errado).

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