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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce396682
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UnB
Ano
2023
Cargo
Vest ( )

Torno a ver-vos, ó montes; o destino

 

Torno a ver-vos, ó montes; o destino

Aqui me torna a pôr nestes outeiros,

Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte, rico e fino.

 

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.

 

Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia,
Que da cidade o lisonjeiro encanto;

 

Aqui descanse a louca fantasia,
E o que até agora se tornava em pranto
Se converta em afetos de alegria.

 

Cláudio Manoel da Costa

Leia o texto abaixo.   Considerando o poema precedente e os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item abaixo.   No poema, o sujeito lírico desvaloriza a natureza que por ele mesmo é descrita.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O sujeito lírico e a valorização da natureza no poema

Gabarito: ERRADO. A afirmação de que o sujeito lírico desvaloriza a natureza é incorreta, pois o poema faz exatamente o oposto: ele valoriza a vida no campo e a natureza, contrapondo-a ao "lisonjeiro encanto" da cidade. A passagem decisiva está na terceira estrofe, em que o eu lírico afirma que o bem da choupana "chega a ter mais preço, e mais valia, / Que da cidade o lisonjeiro encanto".

O comando pede um julgamento sobre a atitude do sujeito lírico em relação à natureza. Trata-se de uma questão de compreensão (o que o texto afirma), mas que exige inferência a partir de pistas textuais: não há uma frase literal "eu valorizo a natureza", mas o conjunto de imagens e comparações deixa isso evidente. O erro da assertiva é contradizer o texto: ela inverte o valor atribuído pelo eu lírico.

O poema é um soneto de Cláudio Manuel da Costa, poeta árcade. O eu lírico retorna aos montes e à vida campestre, deixando o traje da Corte ("rico e fino") pelos "gabões grosseiros". Ele reencontra os "fiéis" companheiros e observa os vaqueiros. Na terceira estrofe, estabelece uma comparação explícita:

"Se o bem desta choupana pode tanto, / Que chega a ter mais preço, e mais valia, / Que da cidade o lisonjeiro encanto;"

Aqui, a choupana (símbolo da natureza e da vida simples) tem mais preço e mais valia do que o encanto da cidade — que é qualificado como "lisonjeiro", ou seja, enganoso, falso. Isso é uma clara valorização do campo em detrimento da cidade. Na última estrofe, o eu lírico deseja que a "louca fantasia" descanse e que o pranto se converta em "afetos de alegria", reforçando o tom positivo em relação ao retorno à natureza.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? A assertiva diz que o sujeito lírico desvaloriza a natureza. O texto, porém, mostra o contrário: ele a valoriza. Portanto, a assertiva é falsa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o item está certo, ou seja, que o sujeito lírico desvaloriza a natureza. Isso contradiz o texto. O eu lírico não apenas valoriza a natureza, como a coloca acima da cidade: "o bem desta choupana pode tanto, / Que chega a ter mais preço, e mais valia, / Que da cidade o lisonjeiro encanto". A palavra "lisonjeiro" indica que o encanto da cidade é falso, enquanto a choupana representa o bem verdadeiro. Portanto, a alternativa C está errada.

Alternativa E — ✅ Correta

A alternativa E afirma que o item está errado, e é exatamente isso: o sujeito lírico não desvaloriza a natureza; ele a valoriza. A prova está na comparação da terceira estrofe, em que a choupana tem "mais preço, e mais valia" do que o encanto da cidade. Além disso, o eu lírico troca o traje da Corte pelos "gabões grosseiros" e deseja que a "louca fantasia" descanse, o que demonstra uma atitude positiva em relação ao campo. Portanto, a alternativa E é a correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o valor atribuído à natureza. O texto a valoriza, mas a assertiva afirma que a desvaloriza. Fique atento a palavras como "desvaloriza" — elas costumam inverter o sentido do texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, procure a passagem que sustenta ou refuta a afirmação. Aqui, a comparação "mais preço, e mais valia" é a chave.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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