Yoshino trabalhava com compostos poliméricos que contêm o elemento químico carbono em sua estrutura e começou a testar possibilidades. À época já se sabia que o grafite, material que é composto por carbono e que se deposita em lâminas, podia abrigar cargas elétricas, mas se rompia nas recargas. Yoshino resolveu o problema ao constatar que um subproduto do refino do petróleo, o coque, também rico em carbono, poderia abrigar íons lítio. Substituindo o bloco de lítio por um material polimérico à base de carbono, o pesquisador conseguiu baterias recarregáveis que geravam quase a mesma diferença de potencial de 4 V. Em 1991, a empresa japonesa Sony começou a comercializar as primeiras baterias de íons lítio recarregáveis, levando a uma redução de tamanho dos componentes eletrônicos. “O trabalho de Yoshino tornou as baterias mais leves e seguras”, afirma Bocchi.
A bateria de polímero de lítio contém eletrólitos formados por sais de lítio retidos em um polímero sólido de óxido de polietileno, o que possibilita altas taxas de descarga elétrica. O polietileno, por sua vez, representado pela cadeia (–CH2–CH2–)n, é obtido pela polimerização do etileno — H2C=CH2 —, de que deriva seu nome. O polietileno é um dos polímeros mais simples e baratos existentes e é um dos tipos de plástico mais comum.
Ricardo Zorzetto. Criadores de um mundo recarregável. In: Revista FAPESP, out./2019 (com adaptações).
Considerando o texto precedente, julgue o item e assinale a opção correta. São diferentes as funções sintáticas desempenhadas pelo vocábulo “se” nos trechos “já se sabia” e “mas se rompia”, no segundo período do texto.
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GabaritoC — Certo
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Funções sintáticas do “se” em “já se sabia” e “mas se rompia”
Gabarito: CERTO (C). Os dois “se” exercem funções sintáticas diferentes: em “já se sabia”, o “se” é partícula apassivadora (voz passiva sintética), pois o verbo “sabia” é transitivo direto e o sujeito é a oração subordinada substantiva subjetiva; em “mas se rompia”, o “se” é índice de indeterminação do sujeito, pois o verbo “rompia” é intransitivo e não há sujeito determinado. A afirmação do item está correta.
O comando
A questão pede que você julgue se as funções sintáticas do “se” são diferentes nos dois trechos. Isso é uma questão de análise sintática — não de interpretação de sentido, mas de classificação gramatical. Para resolver, você precisa identificar a transitividade do verbo em cada ocorrência e, a partir dela, classificar o “se”.
O texto
No segundo período do texto, lemos:
“À época já se sabia que o grafite, material que é composto por carbono e que se deposita em lâminas, podia abrigar cargas elétricas, mas se rompia nas recargas.”
Temos duas ocorrências do “se”: “já se sabia” e “mas se rompia”. A primeira está ligada ao verbo “saber” (transitivo direto); a segunda, ao verbo “romper” (intransitivo, no contexto). Essa diferença de transitividade é a chave.
A técnica: como classificar o “se”
O “se” pode assumir várias funções. As duas que interessam aqui são:
Partícula apassivadora (PA): ocorre com verbo transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto (VTDI). O “se” transforma a oração em voz passiva sintética, e o sujeito é o paciente (recebe a ação). Ex.: Vendem-se casas (casas são vendidas).
Índice de indeterminação do sujeito (IIS): ocorre com verbo intransitivo (VI), verbo transitivo indireto (VTI) ou verbo de ligação (VL). O sujeito é indeterminado, ou seja, não se sabe quem pratica a ação. Ex.: Precisa-se de funcionários (quem precisa? não se sabe).
Regra prática: se o verbo admite objeto direto, o “se” é PA; se não admite, é IIS.
Aplicando ao texto
1. “já se sabia”
O verbo “saber” é transitivo direto: sabe-se algo. No texto, o que se sabia? A oração “que o grafite... podia abrigar cargas elétricas” funciona como objeto direto (ou sujeito, na voz passiva). Reescrevendo na voz passiva analítica: “já era sabido que o grafite...”. Portanto, o “se” é partícula apassivadora.
2. “mas se rompia”
O verbo “romper” aqui é intransitivo: o grafite rompia-se, ou seja, quebrava-se. Não há objeto direto; a ação não recai sobre um complemento. Não é possível dizer “rompia-se algo” no sentido do texto. Logo, o “se” é índice de indeterminação do sujeito — indetermina quem pratica a ação de romper.
Conclusão
As funções são diferentes: PA em “já se sabia” e IIS em “mas se rompia”. Portanto, o item está CERTO.
Funções do "se"
1Partícula apassivadora (PA)
Verbo transitivo direto
Sujeito paciente
Ex.: "já se sabia"
2Índice de indeterminação do sujeito (IIS)
Verbo intransitivo ou transitivo indireto
Sujeito indeterminado
Ex.: "mas se rompia"
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NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você achar que os dois “se” são iguais, mas a transitividade dos verbos é diferente. Sempre verifique se o verbo é transitivo direto (→ PA) ou intransitivo/transitivo indireto (→ IIS).
PEGA ESSA DICA!
Para testar, tente transformar a frase em voz passiva analítica (ser + particípio). Se der certo, o “se” é apassivador; se não der, é indeterminação do sujeito.